A aprendizagem de uma criança não incide na escola

A aprendizagem de uma criança não recai na escola

A escola e o rendimento escolar são sem dúvida uma componente muito importante na vida de uma criança. São um elemento preditor do seu sucesso e bem-estar. É essencial não nos esquecermos que a aprendizagem de uma criança é resultado do cruzamento de diversos fatores. Estes fatores vão muito para além da escola e do desempenho cognitivo.

Desempenho Escolar e a aprendizagem de uma criança

É comum ficarmos muito assustados quando uma criança começa consecutivamente a ter um mau desempenho escolar. Nestas alturas, a primeira coisa que temos tendência a fazer é a estimular cognitivamente com explicações e apoio ao estudo. Esta sobrecarga, muitas vezes, parece não só não resultar como empolar as dificuldades. Por isso, se o insucesso escolar teima em manter-se é essencial avaliarmos outros fatores. Para uma criança aprender é essencial que o seu desenvolvimento esteja sintónico e harmonioso.

Assim, chegada à hora de aprender devemos ter em consideração se criança é capaz de:

1. Conciliar o corpo com  o desafio do movimento e o pensamento.

É essencial que uma criança tenha consciência corporal. A partir dessa consciência,  poderá ser capaz de se sintonizar com a realidade externa e aprender aquilo que está a vir de fora de si. Para além disso, os movimentos que implicam motricidade fina e coordenação olho-mão são essenciais para a aquisição da escrita, por exemplo. Para uma criança se desenvolver, não nos podemos esquecer que antes de aprender tem de ser capaz de se sintonizar com o seu próprio corpo. De saber coordena-lo com o seu pensamento, num continuo entre o pensamento e a ação corporal. 

2. Lidar com as suas emoções

Se uma criança está demasiado assustada, preocupada ou até zangada e se não consegue dar um significado a tudo o que sente, tudo em si vai ter tendência a bloquear. Nestas circunstâncias, mesmo que uma criança seja capaz e tenha recursos cognitivos, vai tender a ter piores desempenhos escolares. Nunca nos podemos esquecer que para aprender uma criança precisa o seu mundo emocional em equilíbrio.

3. Tolerar a frustração.

Se uma criança não é capaz de tolerar as suas falhas, com o ritmo de aprendizagem vai ter tendência a entrar em espiral de frustração. Assim, irá tender a recusar-se aprender. Não porque não seja capaz, mas sim porque no limite prefere não tentar a correr o risco de falhar. As exigências académicas exigem tolerância à frustração. Lembre-se que ao longo do percurso escolar, uma criança terá sempre que lidar com a falha e o tentar de novo.

4. Ser espontânea.

Se uma criança está envolvida numa grande contenção, tem tendência a derrapar ao nível da criatividade, imaginação e organização do pensamento. Assim, é natural que o rendimento e a aprendizagem fiquem comprometidos.

O essencial é que não nos esqueçamos que aprender exige harmonia e equilíbrio entre diversas áreas da vida de uma criança. Se queremos sucesso escolar e crianças felizes, temos de estar atentos a todo o desenvolvimento de uma criança. Assim, sempre que necessário, deveremos promover as competências de uma criança minimizando as suas fragilidades. Deveremos também maximizar as suas potencialidades com estratégias especificas e adequadas às necessidades de cada criança.

Cátia Lopo & Sara Almeida, Psicólogas Clínicas

A Escola do Sentir, promove o desenvolvimento emocional e social do indivíduo.

No mundo infantil, a Escola do Sentir prima e anseia por uma educação holística, focada na criança/adolescente, alicerçada numa intervenção com pais e numa forte vertente de intervenção social e comunitária.

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