A importância das pequenas coisas

As aulas vão começar. Por um lado, o alívio de já não ter de gerir o tempo livre dos miúdos com os nossos dias cheios de trabalho. Por outro, o aperto no coração de os saber a crescer e a viver mais desafios e a ultrapassar barreiras longe das nossas asas. Mas a vida é assim, e ser mãe e pai é tudo isto e muito mais.

Não quero falar do que é o regresso às aulas. Quero falar da importância que temos durante o ano letivo.

O ano passado a minha filha entrou na escola portuguesa já quase com dois meses de aulas, depois de regressarmos a Portugal. Dias depois vi o anúncio, na porta da escola, que havia reunião de pais, e pensei que tal como em Inglaterra, seria uma coisa fechada. Já estruturada.

Com muita gente a trabalhar e deixei-me estar.

Até que percebi que não. Que eram menos de seis pessoas cheias de boa vontade de fazer algo pela escola mais antiga do agrupamento e a precisar de muita coisa.

Fui a uma reunião. A duas. E rapidamente senti que estava em casa, junto de pais, que também eles, pelo meio das suas vidas profissionais, consideram a escola mais do que o sítio onde os filhos ficam para aprender a ler e a escrever.

Juntos arregaçámos as mangas. Deitámos mãos ao trabalho tentando arranjar solução para os problemas mais urgentes.

Tivemos a sorte de ter grande abertura junto das entidades responsáveis e em menos de seis meses conseguimos uma horta pedagógica, algumas obras na escola, participação nas festas e colaboração na organização das mesmas.

De Janeiro a Junho não chegámos a dez no núcleo duro! Somos poucos, mas fizemos muitos e passámos o Verão, por entre as férias, a “chatear” quem de direito e a trabalhar no que era preciso para que coisas novas acontecessem no ano letivo que agora se vai iniciar.

Conseguimos!

Onde é que quero chegar?

Que este ano olhem para a escola dos vossos filhos. Seja ela privada ou pública.

Mais do que escola é o sítio onde, durante cerca de nove meses, os nossos filhos passam mais tempo do que connosco durante a semana.

É o sítio que os está a preparar para a vida. Mas não é só a ler, a escrever, a contar, a saber inúmeras coisas. É também a saber estar na vida, na sociedade. A existir entre todos. A saber estar. A crescer como Ser Humano.

Não teremos nós de estar também, de alguma forma, presentes nesta instituição?
Que se desmistifique que os elementos das Associações de Pais são mães e pais desocupados ou desempregados. No meu caso somos poucos e todos trabalhadores. Cada um tem dado o tempo que tem à associação em prol de um lugar melhor, física e educativamente falando, para os nossos filhos.

Não será preferível que eles nos sintam presentes no ambiente escolar? Mais do que os compensar com toda a tecnologia ou todos os seus pedidos de brinquedos e afins?

Posso dizer-vos que por muito pouco que tenha feito, para a minha filha é muito! Não esqueço o brilho de orgulho nos seus olhos, quando na festa de Carnaval, me viu atrás do balcão a servir cachorros quentes. Tão simples, quanto isto! Ou o sorriso que lhe vi quando veio com alfaces e rabanetes da escola para casa!

Que memórias guardará de mim, um dia? Estas serão certamente algumas delas. Mais do que qualquer outro brinquedo que eu lhe possa dar.

Este ano letivo descontraiam das obrigações que os livros ditam sobre o ter filhos e o educar e abracem a vida escolar dos vossos filhos, conforme puderem.

O mais pequeno gesto fará a diferença. E disso nem vocês nem eles se irão esquecer.

Bom ano letivo.

Por Irina Gomes, para Up To Kids®
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