A neurodivergência é uma coisa difícil de aceitar

A neurodivergência é uma coisa difícil de aceitar

A neurodivergência é uma coisa difícil de aceitar. No entanto, seja ela diagnosticada precoce ou tardiamente, explica muitas coisas e ajuda a traçar um caminho.

Ser neurodivergente é ser-se diferente.

Não errado, não certo, não assim e não assado – apenas diferente. E a essa diferença todos nos adaptamos – ou temos de o fazer. Às vezes, com muita dificuldade, mas uma atitude necessária.

A neurodivergência pode ter muitos nomes e pode ser muita coisa, mas é, essencialmente e acima de tudo, quando temos um cérebro diferente, que funciona de forma diferente. Não de forma errada nem certa, apenas diferente. Estão aqui incluídas tantas perturbações e condições como segundos em meia dúzia de horas, possivelmente, mas não há nada de errado nisso.

Por que estou tão repetitiva?

Porque temos de falar destas coisas. Acredito que uma parte de nós adultos será neurodivergente e, provavelmente não o saberá (ou não o aceitará, mas isso já são outros quinhentos) e, muitos de nós, só nos apercebe(re)mos verdadeiramente disso quando nos revimos num filho ou um filho é diagnosticado e lá vem o tradicional “mas o/a teu/tua ______ (inserir parentesco aqui) também era assim” (que pode vir seguido de crítica ou apenas ser uma constatação).

É importante falar-se que hoje estamos todos mais atentos a sinais e a comportamentos que, em tempos de antigamente, eram suprimidos/reprimidos/oprimidos à força de porrada. Muitas reguadas levei eu para estar quieta e sossegada na cadeira da escola quando isso me era/é fisicamente impossível. Ainda hoje tenho essa dificuldade e isso reflete-se no meu comportamento, diurno e noturno – daí eu também ter parassónias.

Não há um excesso de diagnósticos nos nossos dias

Antigamente já existia neurodivergência – sempre existiu! Ou não tinha nome, ou caía no rótulo do “mal-educado” (tanta coisa cabe neste adjetivo!) ou nem sequer davam importância.

Obviamente que todo o percurso até à idade adulta se fez mas sabemos lá com que dificuldades. É isto que se pretende evitar nas gerações seguintes. Se não tivesse sido o diagnóstico neurodivergente das piolhas e o acesso à informação, trabalho, terapias, escola, eu tenho a certeza absoluta que elas não seriam verbais (vocalizantes sim, verbais comunicativas não).

Não há um excesso de diagnósticos nos nossos dias: há sim cuidados, atenção, análise e intervenção cada vez mais precoces e isso tem de ser falado e mostrado porque é fundamental.

Diziam-me, no outro dia, que falar de neurodivergência em determinados grupos causa ansiedade.

Ainda bem pois mostra que estamos atentos ao desenvolvimento típico ou atípico de uma criança. Não falar aos 3 anos porque o avô também era assim não é um desenvolvimento típico e precisa de ser avaliado e intervencionado adequadamente. Mesmo que o tal avô tenha suplantado essa sua dificuldade mais tarde (mas saberemos todos os detalhes?).

Temos de ser empáticos.

A empatia é importante, distingue-nos dos restantes seres. Ou, pelo menos, deveria… Ansiedade causam-me publicações onde a criança, qual prodígio, consegue verdadeiras proezas antes do expectável. Desengane-se quem acha que a sobredotação é o máximo pois é também uma perturbação neurológica, logo, uma neurodivergência.

Falar de autismo, de PHDA, de perturbação da linguagem, de desafio opositor, de transtorno obsessivo-compulsivo, etc., é preciso. É preciso reconhecer que existem. Que são diferenças. Que não são típicos nem se pretendem ser. E acima de tudo, que precisam dos suportes adequados para viver em sociedade, de forma inclusiva.

E, mais uma vez, não há nada de errado nisso. Absolutamente nada de errado. Há espaço para todos.

Um T2. Uma família que passa de 2 para 4. Um duplo diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo.

O esforço de manter uma vida normal em tempos difíceis, a vários níveis… Em suma, uma aventura vivida a 4.

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