Às vezes os milagres acontecem aos pares. Como a nós.

Às vezes os milagres acontecem aos pares. Como a nós.

Às vezes os milagres acontecem aos pares

Por vezes acontecem certos acontecimentos que transformam e mudam a nossa vida por completo. Há um ano atrás estávamos a contemplar e aproveitar a 20ª semana de gravidez com tanto amor, tanta felicidade, tanta vontade de sermos pais. Tínhamos acabado de saber que íamos ser pais de duas meninas e não cabia em nós tanta felicidade, estávamos apaixonados pela vida e por tudo que nos rodeava. Ainda não tínhamos enxoval das meninas queríamos esperar mais um pouco, queríamos planear tudo com calma e aproveitar cada semana, cada dia da gravidez. Estávamos com alguns receios como é normal como pais de primeira viagem e ainda por cima logo de duas bebés, mas a alegria superava todos os receios.

Às 25 semanas de gestação o nosso mundo parou com a notícia de que as meninas podiam nascer a qualquer momento.

Da notícia até elas nascerem nem passaram 24 horas, não tivemos tempo para reagir para pensar no que estava acontecer. A alegria deu lugar ao medo, ao desespero, à dor, à angústia. E de um momento para o outro, as Marias nasceram. Eram as nossas “meio kilo de gente” mais lindas do mundo. Tão pequeninas em tamanho mas tão grandes no coração! Que força em viver…e de repente estavam elas a ensinar-nos a força e o poder do amor, quando éramos nós que pensávamos que lhes íamos ensinar tudo isso.
Não vivemos um terceiro trimestre de gravidez, não houve mala de maternidade, enxoval, aulas de preparação para o parto.

Não tivemos visitas nem mensagens de parabéns no dia em que nasceram, não houve flores ou prendas, não houve sorrisos, não houve tanta e tanta coisa que tínhamos sonhado para o nascimento delas.
Houve uma dor horrível, um medo profundo de elas não sobreviverem, uma tristeza por não as podermos ter ao colo, de as podermos levar para casa.

Mas o amor salvou-nos aos 4, sempre esteve presente, sempre deu esperança, força, coragem.

Conhecemos as nossas filhas tão cedo, ainda não sabiam respirar, tinham os olhos fechados, orelhas mal definidas, pele vermelha (nem sei se podemos chamar pele), tinham uma mini fralda, estavam rodeadas de tubos e eram picadas e aspiradas de hora a hora, mexiam muito os bracinhos e as pernas. Vimos o primeiro olhar e o primeiro sorriso, o choro só conhecemos ao fim de 26 dias quando tiraram o ventilador. Um xixi, um coco, tudo era uma vitória, e coisas tão banais para a maioria dos bebés, para nós eram como ganhar o Euromilhões. Era tudo muito lento mas tudo mágico, e apesar de todos os tubos e de estarem a viver numa caixinha mágica (como lhe chamávamos) estavam rodeadas de tanto, mas tanto amor!

O amor cura tudo e curou as nossas princesas!

E tudo muda, muda mesmo quando somos pais! Sempre ouvimos isto, parece clichê, mas só o sentimos quando o vivemos.

As Marias deram-nos as maiores lições de vida. Ensinaram-nos a amar, acreditar, a sonhar, a ter esperança, a ter fé e a sermos pessoas melhores.  Lutámos juntos com muito amor, durante 109 dias, e apesar de terem sido dias de uma autentica montanha russa de emoções, acreditámos sempre!

Desde 27 de Junho de 2014 que estamos em casa, para agora sim, pudermos usufruir de todo este amor!

Obrigado por nos ensinarem o Amor mais poderoso do mundo.

 

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