Brincar na terapia é bem diferente de brincar com amigos

Brincar na terapia é bem diferente de brincar com amigos

Brincar na terapia é bem diferente de brincar com amigos

Brincar na terapia é bem diferente do tradicional brincar que todos conhecemos. E a diferença está na intencionalidade das nossas brincadeiras. Acontece ouvir-se ou ler-se quem acredite que nas terapias ‘só brincam e brincam e por isso é que a criança gosta, porque não há exigências e faz o que quer’.

Pois bem, acreditem: enganam-se!

Brincar é a forma mais gira e motivante para o cérebro aprender. Até nós, adultos, guardamos mais facilmente aprendizagens quando inseridas numa história ou num momento mais prático/lúdico – imaginem a criança!. O que acontece na terapia é que descobertas as competências que a criança precisa desenvolver, as necessidades e interesses que tem e as dificuldades que precisa superar, o terapeuta realiza o enquadramento das mesmas nas áreas de desenvolvimento motor, cognitivo e socioemocional. Relaciona com as áreas do cérebro e as funções executivas que precisam ser trabalhadas utilizando o ‘melhor isco’ possível  –  o Brincar, e define as estratégias mais adequadas para aquela criança.

Na terapia o Brincar tem metas, tem objetivos finais intencionais tornando-o diferente do ‘simples’ brincar.

Não brincamos apenas porque queremos que a criança queira estar ali, connosco a divertir-se. Brincamos porque sabemos que é assim que conseguimos que a criança se mantenha ligada a nós, se disponha a confiar e a aprender connosco e queira agarrar os nossos estímulos intencionais para desenvolver as competências que sabemos que precisam ganhar força! E claro porque sabemos que é pelo brincar que as competências melhor se consolidam. A brincar as áreas do cérebro ativam-se estabelecem-se mais ligações cerebrais porque advêm de uma experiência com significado e da motivação da criança – e isto aplica-se a todo o Brincar!

Não digo que o ‘simples brincar’ não promove, não desenvolve.

Pelo contrário, brincar será sempre importante seja em que contexto for. A diferença está que na terapia o brincar é pensado ao pormenor. No nosso brincar existe uma maior clareza sobre o nosso objetivo de determinada brincadeira. É uma forma intencional e preparada para que no mundo em que a criança se sente mais livre, confortável e segura – o Mundo do Brincar – expresse aquilo que sente, que precisa, que conhece e desconhece.

Quando faço cócegas a uma criança com autismo, posso estar a trabalhar o contato ocular (faço cócegas quando olha para mim porque sei que a criança gosta de cócegas, então recompenso o seu contato ocular com este reforço). Ou quando faço um desenho e colagem com uma criança (porque sei que é algo que lhe desperta a motivação), posso estar a trabalhar a motricidade fina, a sua atenção, o seu planeamento motor.

Por exemplo, quando brinco às casinhas com uma criança que adora recorrer ao mundo simbólico e que está a passar por um divórcio familiar difícil, estou a ajudar-lhe a expressar as suas emoções. Estou a entender as dos outros e a resginificar aquilo que está a viver. E tantos outros exemplos maravilhosos que demonstram que o brincar na terapia é uma preciosidade que nos permite ligar à criança e desenvolver competências e áreas com significado de forma a alcançarmos os nossos objetivos terapêuticos!

Agora vou planear as minhas próximas brincadeiras na terapia!

Conhecer a Psicomotricidade foi conhecer um grande amor. Com este amor, veio o interesse em conhecer, questionar e explorar tudo o que está relacionado com as crianças, o seu desenvolvimento e as necessidades especiais.
Psicomotricista e autora do Blog Mais q Especial na cidade do Porto.

À paixão pelo seu trabalho com crianças com necessidades especiais aliou se a paixão pela parentalidade nas Necessidades Especiais.

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