Como ajudar as crianças a lidar com a raiva

Como ajudar as crianças a lidar com a raiva

Como ajudar as crianças a lidar com a raiva

Há emoções conotadas como emoções negativas?

A raiva é uma emoção, tal como a alegria, tristeza, nojo, medo… E nenhuma delas deve ser conotada como negativa ou positiva. No entanto, a agressividade, raiva e controlo dessas emoções é um dos principais obstáculos à resolução de problemas e à construção de relações.

A investigação recente tem-nos mostrado que as crianças com tendência a ficarem enfurecidas com mais facilidade são também mais provavelmente rejeitadas pelos colegas e a desenvolver, em consequência, problemas sociais no futuro. Estas crianças têm normalmente as suas capacidades de resolução de problemas e gestão emocional menos desenvolvidas que os restantes, o que as faz reagir com agressividade a situações de conflito ou frustração. Esta tendência mais agressiva, explosiva e impulsiva, é associada à dificuldade em compreender as situações sociais e em prever e antecipar as consequências para as suas ações.

As Como ajudar as crianças a lidar com a raiva

Mais uma vez, é importante referir que estas emoções negativas fazem parte da experiência humana, e todas elas são saudáveis e devem ser sentidas. O desafio está em manter o autocontrolo e funcionar independentemente destas emoções.

Portanto, o objetivo não será impedir a raiva de surgir, mas sim, reagir a ela de forma ajustada.

A regulação emocional diz respeito à capacidade da criança ou adulto de controlar as suas respostas emocionais. Posto isto, a desregulação emocional ocorre quando as respostas emocionais da pessoa estão fora do seu controlo, no caso de algumas crianças, levando a respostas de raiva e agressão cujas consequências se fazem sentir com frequência no âmbito social.

O que fazer para ajudar as crianças a regularem as suas emoções?

1. Proporcione estabilidade

Ao estabelecer limites consistentes, regras claras e rotinas previsíveis, vai conseguir criar uma atmosfera de segurança e conforto onde a criança se sinta segura e protegida e mais importante, saiba o que esperar do meio que a envolve.

2. Aceite estas emoções e mostre empatia!

Aceite a realidade de que todas as crianças vão ter momentos de raiva e explosão, e que isto não é um ataque intencional ao adulto. Algumas crianças, pelas suas próprias características de temperamento e desenvolvimento emocional, vão ter mais momentos de desregulação emocional. Cabe ao adulto, manter a calma, ter a paciência e ser o modelo, mesmo que estas reações sejam muitas vezes cansativas e angustiantes.

Podem ser ditas frases como:

“Eu imagino que te estejas a sentir chateado/a, mas estou aqui para te ajudar!

“É tão frustrante quando alguma coisa não funciona, mas lembra-te, eu sei como te sentes!”

3. Sugira uma pausa

O adulto tem, nestas situações, a função de direcionar o comportamento e expressão emocional por um caminho o mais adaptativo possível. Porque enquanto criança, esta ainda não tem a capacidade de fazer essas escolhas sozinha, por não ter ainda essas competências desenvolvidas.

O adulto pode ajudar a criança a aprender a lidar com mais eficiência com as situações difíceis de tolerar que lhe provocam raiva, ensinando-lhe estratégias de resolução de problemas e comunicação, ensinando-lhe a “falar com ela própria de forma positiva e encorajadora”, e ajudando-a a pensar em soluções diferentes de resposta. Fazer uma pausa e respirar fundo pode ser uma boa estratégia.

Poderá dizer, por exemplo:

“Quando me sinto assim, fazer uma pausa e respirar fundo/fechar os olhos/contar até 10… ajuda-me muito. Queres tentar?”

4. Crie um PLANO para o futuro!

O ensino de estratégias adequadas é importante, mas demora algum tempo até serem substituídas as respostas desadaptativas prévias por respostas mais eficazes. Por isso mesmo, a criação de um plano para o futuro pode ajudar. É claro que este plano tem de ter algumas características para ser eficaz, por exemplo: ser simples, ser definido em conjunto pelo adulto e a criança, estar num sítio visível e de fácil acesso, ser visual (desenho, fotos, gráfico…) para a criança o compreender e se relembrar do seu significado quando olhar para ele.

Poderá ser algo deste género:

Cada vez que me sentir…

Zangado/a, com raiva, chateado/a, frustrado/a…

Vou… respirar fundo 5 vezes/ beber um copo de água/ contar até 10… Utilizando as estratégias que a criança goste e se identifique.

Sou Psicóloga Clínica e da Saúde, Pós-Graduada em Psicoterapias Cognitivas e Comportamentais e Hipnoterapeuta.

O meu principal objetivo é, e sempre será, em conjunto com a pessoa que se encontra à minha frente, trabalhar para a sua evolução e melhoria, tendo em conta os seus próprios objetivos de vida, para que possa viver uma vida mais leve e feliz.

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