Como lidar com crianças com comportamento desafiador sem gritar

Como lidar com crianças com comportamento desafiador sem gritar

Lidar com comportamento desafiador sem gritar

Além da correria do dia a dia, do stress do trabalho e do cansaço com a demanda das crianças e com a casa, as mães e pais ainda têm de lidar com os comportamentos desafiadores dos filhos. Enquanto alguns miúdos resistem para entrar no banho, há aqueles que não querem sair. Outros torcem o nariz para comer, e alguns têm problemas para adormecer mesmo estando a morrer de sono. 

É precisamente neste cenário caótico que nos falta a paciência e tolerância para lidar com os filhos. Nestes momentos, muitas vezes levantamos o tom da voz para pedir a colaboração da criança, chamar atenção ou ordenar que pare de fazer algo específico. Depois, vem o arrependimento por ter berrado ou levantado a voz.

Mas, afinal, como conseguir lidar com o comportamento desafiador das crianças sem gritar?

Para a pedagoga e educadora parental em disciplina positiva Helen Karlen, o primeiro passo é entender o real motivo destes comportamentos, que muitas vezes, são próprios da fase do desenvolvimento da criança, que ainda não sabe lidar com os sentimentos.

O segundo passo é acolher e validar o sentimento da criança, ter empatia e entender o que está por trás desse comportamento. É difícil, mas observar as coisas pela perspetiva do pequeno pode ajudar a ter mais empatia. Quando a criança se sente compreendida, torna-se, também, mais aberta para te ouvir”, pontua Helen.

De acordo com a pedagoga e educadora parental em disciplina positiva para a primeira infância, Larisse Garcia de Barros, os comportamentos desafiadores das crianças são formas de comunicação.

Através desses comportamentos, as crianças comunicam que estão frustradas, com sono, fome, cansadas, com raiva, e até mesmo que sentem falta de conexão com os pais ou que sentem falta de tempo de qualidade”, explica. 

Ainda segundo Larisse, esses comportamentos, além de esperados, são essenciais para o amadurecimento e desenvolvimento das crianças. Sendo assim, para lidar com essas situações sem gritar, Larisse sugere aos pais e mães que respirem para manter a calma e, então, conseguirem conectar-se. 

“O que vai motivar seu filho a portar-se bem é justamente essa conexão entre os dois. Depois, coloque-se no lugar daquela criança de forma empática para conseguir perceber o porquê do comportamento em questão. Quanto mais tranquilos estivermos, mais tranquilidade passaremos às crianças. Se gritarmos, eles ficarão ainda mais agitados e o comportamento tende a piorar”, ressalta.

Não quero gritar mais com o meu filho, mas não consigo parar. E agora?

O passo mais importante é reconhecer que grita com a criança e assumir que quer parar. Agora, precisa estudar, analisar e observar o que a/o tem levado a gritar com seu filho. 

“Sugiro uma autoanalise, uma procura de informações e estudo. Porque é que estudamos para tantas coisas e nos esquecemos de estudar para criar seres humanos melhores para o futuro? Sim, é preciso estudar para educar. Descubra quais os gatilhos que a fazem começar aos gritos”, sugere a pedagoga e educadora parental em disciplina positiva Helen Karlen.

A dica da profissional é refletir sobre qual o motivo que leva a manifestar esse comportamento.

Entre possíveis motivos, Helen cita alguns que podem ser a causa:

  • acumulação de tarefas;
  • dificuldades no relacionamento;
  • dificuldades financeiras;
  • cansaço físico;
  • cobrança externa;
  • excesso de preocupação;
  • falta de participação do parceiro(a);
  • expectativa irreal da maturidade da criança.

De acordo com Larisse Garcia de Barros, existe uma ferramenta na disciplina positiva chamada de ‘pausa positiva’. E é exatamente isso o que a pedagoga aconselha a fazer no momento de tensão com a criança: retirar-se de cena para conseguir fazer a própria autorregulação.

“Pode ir para a varanda, para o quarto, enfim, para um lugar que se sinta bem para conseguir regular suas emoções, controlar a raiva e assim manter a calma.

Seja bem claro ao seu filho: diga que está com raiva e precisa de se afastar um pouco para não gritar com ele. A pausa positiva é essencial para esses momentos em que queremos evitar o descontrole com as crianças”, afirma Larisse. Depois, quando estiver mais calma, a orientação é retornar e conversar com a criança sobre o ocorrido, de maneira franca.

Quais os prejuízos para uma criança que é educada à base de gritos?

Diversos estudos revelam que as crianças tratadas com desrespeito, punições, gritos e castigos têm grandes danos no desenvolvimento cerebral. “Causa mudanças na personalidade e no humor da criança. Passam a ter desestabilidade emocional e muita dificuldade em manter atenção em várias coisas, especialmente na escola”, explica Larisse.

Para Larisse, a maioria dessas crianças pode desenvolver comportamentos agressivos e defensivos, levando-os até à vida adulta. “Adolescentes que tiveram uma infância no meio de gritos, na sua grande maioria, têm problemas comportamentais e sintomas depressivos”, ressalta.

Como conseguir a colaboração da criança quando esta só obedece com gritos?

Já parou para refletir se realmente quer que o seu filho e/ou filha seja obediente? Ou prefere ensinar a cooperar, a entender e respeitar? Para conseguir um comportamento respeitoso, os adultos precisam de dar o exemplo.

A pedagoga e educadora parental em disciplina positiva Helen Karlen, recomenda:

  • Baixe-se à altura da criança e olhe-a nos olhos para se conectar com ela. 
  • Fale num tom de voz gentil e peça ‘por favor’ .
  • Avise com antecedência que uma atividade vai terminar em breve e que a criança fará outra logo em seguida. 
  • Saiba ouvir e atender, quando possível, as necessidades do seu filho

A profissional acredita que mães e pais precisam de praticar a escuta empática, além de adotar a educação respeitosa. “Quando ouvimos o outro demonstramos confiança, carinho e respeito. Precisamos de entender que para criarmos uma conexão é preciso que elas se sintam acolhidas e ouvidas. A partir do momento em que estamos verdadeiramente conectados com a criança, torna-se muito mais fácil que nos escutem, confiem no que dizemos e aceitem o combinado. Assim, sentem-se pertencentes e importantes”, orienta.

Manter a calma e falar com a criança num tom de voz baixo, é a saída sugerida pela Larisse Garcia de Barros. “Assim, a criança tende a manter a calma e também a baixar o tom de voz. Pode não resultar na primeira ou segunda vez, mas com o tempo a criança começará a aprender a controlar as emoções e a saber lidar com elas”, explica. 

Publicado em Family Center Brasil

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