Aprender a Acreditar nas Palavras que Eles não Dizem

A chegada de um filho desperta dúvidas, medos e inquietações, mas também, inevitavelmente, muita felicidade e inúmeras expectativas. Todos os novos pais imaginam um futuro brilhante para a nova estrela que aí vem iluminar-lhes os dias (e agitar-lhes as noites!). Ao longo de toda a vida, os pais vão rabiscando, inventando e reinventando os sonhos que imaginaram para os seus filhos, mediante as respostas que os mais pequenos vão dando ao mundo que os rodeia…

Mas, e quando a criança não é capaz de responder com palavras? Quando essas palavras (que são a chave para as tão esperadas respostas que os pais tanto anseiam por ouvir) estão trancadas e codificadas na cabeça da criança, e por força das leis da Natureza não se escapam cá para fora? Esta é, talvez, uma das mais proeminentes frustrações do ser humano: tentar comunicar e não conseguir, ao passo que tentamos perceber e não conseguimos automaticamente compreender… Ficam por expressar dezenas de sentimentos, vontades e emoções, devido ao obstáculo natural da inexistência (temporária, ou não) da fala.

Para promover esta tão esperada comunicação, inevitável para o sucesso do relacionamento interpessoal, pois é como as pessoas se relacionam entre si (as trocas de ideias, de experiências, de sentimentos e de informações), têm sido desenvolvidos métodos de comunicação alternativa e aumentativa. Este processo realça formas opcionais e alternativas de comunicação que têm dois objetivos: desenvolver e promover a fala, e garantir uma forma de comunicação eficiente.

Pode considerar-se comunicação alternativa toda e qualquer forma de comunicação que seja diferente da fala e usada por um indivíduo em contexto de comunicação com outro, frente-a- frente. Como exemplo de meios alternativos temos os signos gestuais e gráficos, a escrita, o código morse, entre outros. Estes meios permitem (principalmente às crianças, mas também aos jovens e aos adultos) comunicar com o mundo que os rodeia quando a linguagem oral é ineficiente ou até mesmo inexistente. É um meio que é usado para comunicar com o outro que não a fala (comunicação oral).

No caso da linguagem aumentativa, visa promover e apoiar a fala, de forma a facilitar o desenvolvimento da mesma.

Estes meios alternativos e aumentativos permitem às crianças tornarem-se independentes, pois conseguem assim expressar de forma autónoma os seus interesses e as suas vontades, bem como os seus medos e receios; permite-lhes “dizer” as pequenas palavrinhas que estariam de outra forma trancadas nas suas pequenas cabecinhas.

Quando esta realidade bate à porta dos pais, a palavra de ordem passa a ser “Acreditar”, pois o caminho é longo e trabalhoso, mas sempre com uma luz de possibilidade e esperança, vinda da estrelinha que veio alegrar tanto os seus dias e agitar tanto as suas noites.

É fundamental redirecionar os sonhos e as expectativas para promover o desenvolvimento e a comunicação das crianças, tanto entre elas, como com os pais e restantes adultos presentes nas suas vidas, bem como redefinir pequenas ideias, dando-lhes assim confiança e segurança para comunicar com os seus pares e promover o bem-estar destes pequenos humanos.

Porque na diferença também há lugar para a felicidade!

Por Lídia Fernandes, para Up To Kids®
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