Birras: três dicas para ajudar

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Birras: três dicas para ajudar

As birras fazem parte do crescimento, hão-de existir  sempre.

Não havendo uma fórmula para as evitar na totalidade, há formas de lidar com as crianças. Ensinando-as a gerir melhor as emoções conseguem  acalmar as suas próprias ansiedades.

Ficam três dicas simples que o vão ajudar:

  1. Antecipar

Antecipar alguns momentos do dia-a-dia é fundamental para que tudo aconteça duma forma mais tranquila. Se vai a casa dos avós e tem de sair mais cedo explique-lhe o que vai acontecer de preferência antes de sair de casa. Planeie o dia para que o seu filho não seja apanhado de surpresa. Quanto mais as crianças tiverem o seu dia planeado, também elas gerem melhor o que sentem. Caso contrário, vai estar a brincar com os primos e, de repente, os pais dizem: “vamos embora”. Para a criança é um atentado à diversão e gera-se um problema. No entanto, se já estiver preparada irá lidar melhor com o que sente e mesmo que faça uma birra, não sente que foi uma traição dos pais.

  1. Olhos nos olhos

Quanto tempo consegue falar com o seu filho a olha-lo nos olhos? Sem as distrações do telemóvel, da televisão, da máquina da roupa ou o jantar para fazer? Criar o hábito de ter um espaço de conversa com o seu filho vai dar-vos uma oportunidade de se conhecerem melhor, de partilharem o que pensam e sentem e, acima de tudo, vai passar a mensagem ao seu filho de que se preocupa com ele. Quanto mais cedo na relação houver este espaço mais fácil será a comunicação entre os dois. Se a criança for muito pequena, esta conversa pode ser uma brincadeira com um simples brinquedo, de forma a que a atenção não seja exclusiva para o brinquedo mas sim para a relação entre os dois.

  1. Atenção

Se o seu filho está a fazer uma birra porque quer um brinquedo, uma ida ao parque ou a casa dos avós, está a exigir atenção. A melhor forma de o fazer entender que não é possível satisfazer o seu desejo nessa altura é baixar-se, colocar-se ao nível dele, olhá-lo nos olhos e falar com um tom de voz calmo.

Lembre-se que se responde com frustração ou impaciência vai gerar ainda mais frustração. O que o seu filho lhe está a dizer é “nunca olhas para mim, nunca queres saber de mim, só fazes o que tu queres”. Mantenha-se calmo e devolva-lhe aquilo que ele sente. “Eu sei que estás chateado comigo porque queres ir ao parque, mas neste momento não vai ser mesmo possível porque tens de ir tomar banho e jantar”.

Não prometa ir no dia seguinte porque os imprevistos acontecem e as crianças não se esquecem do que lhes foi prometido.

Este tema surge muitas vezes nas sessões de psicologia com os pais. As birras são uma situação recorrente nas famílias e de difíceis contornos quando já está instalada. Isto provoca um desgaste emocional muito grande para todos. As birras são naturais, a não ser que se tornem muito repetitivas e persistentes. Nesse caso poderão ser um sintoma de que algo está a correr menos bem.

O mais importante é apostar na relação de confiança e partilha. Garantir que os pais são o adulto na relação (muitos pais acabam por ceder às birras cabendo no fim o poder de decisão à criança), ter calma suficiente para lidar com os imprevistos, e incluir o seu filho nos planos preparando-o para a dinâmica dos vossos dias.

 

 

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