Cinco dicas para um desenvolvimento infantil saudável

A infância é uma fase crucial de aquisição de diversas competências motoras, cognitivas e sociais. Competências que permitirão, a seu tempo, inúmeras conquistas pessoais e profissionais.

Neste sentido, a infância é a fase em que os pais devem estar mais atentos a todas as conquistas da criança, conseguindo assim despistar discrepâncias no seu desenvolvimento. É tão simples quanto observá-lo, de forma informada, enquanto brinca, come ou experimenta o ambiente que o rodeia, tendo em conta alguns aspetos que vamos abordar.

A monitorização do desenvolvimento infantil é uma ferramenta chave para identificar se a criança está a adquirir as competências previstas em cada etapa do desenvolvimento. Este controlo, além de permitir a resolução de atrasos identificados, é também tranquilizante para os pais que, observando o seu filho conscienciosamente, vão adquirir um conhecimento aprofundado sobre as suas capacidades.

Para promover um desenvolvimento infantil saudável para o seu filho deve ter em atenção:

  1. Ritmo
    Cada criança tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento. Esse ritmo deve ser respeitado para uma eficiente aquisição de cada competência. Para adquirir competências a criança tem de passar por várias passos – observar/sentir necessidade, imitar/experimentar, realizar e compreender – e em cada passo a criança precisa do seu tempo para o poder ultrapassar, não se podendo saltar ou acelerar o processo.
  1. Sequência
    A criança deve atravessar cada etapa de desenvolvimento segundo uma sequência regular. Isto significa que as fases de desenvolvimento são sequenciais.
    Esta sequência ocorre pela complexidade crescente das ações a realizar, que implicam a aquisição prévia de competências mais simples.
    É difícil conceber que alguém consiga aprender a atar os sapatos sem antes dominar a preensão dos atacadores apenas com o polegar e o indicador.
  1. Dependência vs Autonomia
    Para a criança ter um desenvolvimento saudável tem de vivenciar uma dinâmica de dependência e autonomia. Experimentar a segurança que a resposta dos pais às suas necessidades lhe aporta, sem prejuízo da necessária autonomia que lhe possibilitará explorar, tentar e errar.
    É fundamental encontrar um equilíbrio entre a necessidade da criança de descobrir o mundo que a rodeia e de se sentir segura de que nada de grave lhe acontecerá.
    A pergunta que se deve fazer neste caso é: o risco é demasiado grande ou devo deixar o meu filho correr, explorar e eventualmente ter uma pequena queda?
  1. Estímulos
    O desenvolvimento infantil dá-se à medida que a criança vai crescendo e se vai desenvolvendo de acordo com o meio onde vive e os estímulos que dele recebe. Através destes e da interação com os objetos, com os outros e com o meio, a criança descobre, interpreta e compreende o mundo, ao mesmo tempo que desenvolve as suas capacidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais. A criança, ao não ser estimulada ou motivada no devido momento, terá mais dificuldades na aquisição das competências adequadas à sua faixa etária.
  1. Afeto
    Por último, mas da maior importância, é o afeto.
    A qualidade das relações na primeira infância é a base para todo o desenvolvimento da criança enquanto ser humano. São o fundamento para o ser. É assim que a criança ganha confiança e auto-estima e por conseguinte coragem para experimentar o mundo que a rodeia.
    Crianças a quem não é dado um ambiente familiar afetuoso e a quem não seja dado um reforço positivo quando realizam uma tarefa, têm tendência a ser mais tímidas e inseguras. Por outro lado, as crianças a quem é dito “boa, fizeste um bom trabalho” têm tendência a ser confiantes e a enfrentar desafios de forma mais autónoma.

É importante manter-se atento ao desenvolvimento do seu filho, monitorizando-o para que não tenha ansiedades e receios desnecessários.

Pensar em avaliar o desenvolvimento do seu filho pode ser um pouco assustador. Porém, é na avaliação do desenvolvimento infantil que é possível determinar se está tudo a correr dentro da normalidade ou se é preciso ter atenção em relação a algum dos fatores de desenvolvimento.

A avaliação formal pode ser realizada após os pais terem identificado alguma discrepância no desenvolvimento normal da criança ou pode resultar apenas do desejo de que a monitorização do desenvolvimento do seu filho seja feita por um profissional.

Mas convém ter sempre presente que os pequenos atrasos no desenvolvimento, além de poderem não ter significado, podem ser rapidamente corrigidos por uma boa estimulação e um ambiente positivo.

Por Ana Ferreirim Lopes, Psicomotricista na +Eu Desenvolvimento Humano

 

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