psicomotricidade

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Psicomotricidade em saúde mental infantil

Psicomotricidade em saúde mental infantil

Apesar da estranheza que a aplicação da psicomotricidade em saúde mental pode trazer, a verdade é que foi aqui que tudo começou. Verdade. Foi graças a dois profissionais que conseguiram ver mais além que esta magnífica profissão hoje existe.

Estes dois profissionais verificaram que, em diversas crianças que não apresentavam sintomas na esfera psicológica, existiam sinais corporais que indicavam que estas crianças estavam a ter algum tipo de problema do âmbito psicológico, mas com uma expressão predominantemente corporal. Seguindo a mesma lógica, estes profissionais concluíram que diversas crianças com problemas ao nível da saúde mental, beneficiavam mais a partir de estratégias de intervenção corporal do que por diálogo ou reflexão. E assim nasceram os dois primeiros psicomotricistas.

A lógica deles não só era válida como se mostrou também verdadeira e ainda hoje justifica a intervenção psicomotora em crianças com dificuldades em saúde mental. É verdade que a terapia que costuma sempre surgir-nos quando pensamos em saúde mental é a psicologia, e é verdade que esta é uma terapia com inúmeros benefícios. Contudo, não é raro que crianças que tenham sofrido algum trauma, ou que estejam a ultrapassar uma dificuldade emocional,  não sejam capazes de verbalizar as suas dificuldades.

Por isso, começam a exprimir o seu sofrimento da melhor forma que sabem: pelo corpo.

Esta expressão pode-se encontrar de diversas formas: em crianças que não conseguem parar, crianças que agem de forma inconsequente, as famosas dores de barriga, dores de cabeça, até através de alergias.

Neste sentido, a psicomotricidade e o psicomotricista aparecem como elementos muito importantes. O psicomotricista, neste caso, vai falar na mesma linguagem que a criança: pelo corpo e pelo movimento. Assim, a sala e o espaço terapêutico vão tornar-se num esconderijo seguro, onde a criança poderá ser livre para se exprimir, sabendo que está lá um adulto que irá ler aqueles sinais e responder numa linguagem que a criança consiga compreender.

O psicomotricista irá fazer uso das muitas ferramentas que tem do seu lado, como o jogo simbólico, a relaxação, as atividades expressivas, e vai aos poucos tentar aliar este trabalho a palavras promovendo a reflexão por parte da criança.

Quando esta conexão está feita, então o trabalho está lançado. Por isso é tão regular que as crianças passem a ser seguidas por um psicólogo depois deste trabalho. Ou ainda que trabalhem em conjunto… porque a psicomotricidade serviu como consolidação da segurança da criança e da percepção desta de si mesma, para que possa conseguir aliar a palavra à ação, e vice-versa.

Porque no fundo, foi isso que o psicomotricista fez: ligou os pontos que estavam soltos e preparou para o que vinha a seguir.

 

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