Dez coisas que aprendi com a minha filha. Dez das coisas.

Dez coisas que aprendi com a minha filha. Dez das coisas.

Aprendi com a minha filha que:

1 – Nunca estou preparado para a ver triste.

Por mais preparado que eu esteja, por mais conhecimento que tenha da psicologia do desenvolvimento, por mais palestras que dê, por mais conferências que frequente, nunca estou preparado para a ver triste. Custa tanto. Peço-lhe para falar, para colocar por palavras os sentimentos. Sugiro um diário para desabafar. Acabo por pedir ajuda à mãe e às avós.

2 – Nem sempre a vou poder proteger.

Por mais maturidade que eu tenha, ainda me passou pela cabeça ir à escola dizer ao rapaz que a deixou assim, que é um grande parvo. Não tenho a certeza mas cheguei a dizer algo como “Vê lá se queres que o pai vá lá escola!”. Que vergonha…

3 – Ela vai forçar-me a fazer coisas de que poderei vir a arrepender-me.

Como este artigo, por exemplo…tanta confissão…

4 – O tempo passa tão depressa, mas tão depressa.

Algumas áreas da vida passam a correr. Nasceu ontem! Hoje já tem onze anos. E ainda por cima, parece que tem mais. Está tão alta! E está mesmo, não são os olhos do pai. Bem, talvez seja um pouco.

5 – Há coisas que ela só fala com a mãe.

Mas há sentimentos que só a mim me faz sentir. Como a vergonha de ter os lábios lambuzados com batom, apenas porque lhe fiz a vontade numa brincadeira.

6 – Momentos

Essas brincadeiras, esses momentos em que a adormeci ao colo com uma música pirosa a tocar, momentos em que a mãe estava tão cansada e com sono e era só no meu colo que ela adormecia, esses momentos passaram a correr. Acho que repeti o ponto quatro…

7- Psicólogo Satoshi Kanazawa

A teoria do psicólogo Satoshi Kanazawa, cujos estudos apontam para o fato de pessoas bonitas terem mais filhas, serve apenas para picarmos os nossos amigos.

8 – “Daughters” de John Mayer

Ouvir “Daughters” de John Mayer, tem um significado completamente novo desde que ela nasceu. Como é completamente novo ler “A Fada Oriana”ou contar histórias de princesas quase até fartar. Mas muito antes de nos fartarmos já temos saudades. É o ponto quatro outra vez.

9 – Há outras meninas, cada uma delas com as suas características próprias de meninas.

Umas não passam sem o seu boneco, outras fazem filas de bonecos para verem juntos um programa na televisão, outras colocam brincos desde cedo, outras transformam em real o lugar comum que as coloca dentro dos saltos altos da mãe.

10 – Aprendi que as meninas choram.

Claro que eu já sabia, mas era um saber com letra minúscula. O mundo está em mudança abruta e constante. Nunca é demais lembrar. A família tem cada vez mais configurações. Havendo amor, entrega, paciência e persistência entre os seus membros, qualquer configuração é legítima. Não há famílias sem problemas, nem perfeitas, nem estáticas. E não há pais que não tenham perguntas sobre o futuro das filhas. Será que o casamento vai fazer parte da sua vida? Terá ela os seus próprios filhos? Irá adotar? E a profissão? Será capaz de descobrir os seus talentos? Esta tristeza de hoje passa amanhã?

Do meu lado tudo farei para estar. Estar. Irei reler este artigo para me ajudar a lembrar do quão é importante estar. Quero ser amigo dela. Não no mau sentido. Não naquele sentido errado. Os pais têm que ser pais. Mas quero que ela saiba que pode contar comigo, que pode desabafar, ir comigo ver o clube do nosso coração e um ou outro concerto. Estarei sempre aqui para receber as colegas dela, para sofrer se ela está triste e para ser lamechas e piroso se tiver de ser.

Tentei escrever para a tristeza desvanecer-se um pouco. Ela já está melhor, desabafou com a mãe. Chorou na escola. E ela é tão linda. Lembrar-me de que o sofrimento faz parte da vida ajuda-me um pouco. Lembrar-me que ela é linda dá-me ainda mais força. Ter confiança no futuro dela rasga-me o sorriso. Escrever ajudou-me.

E agora já posso telefonar a um amigo para brincar com ele sobre aquele estudo. Pais mais bonitos têm filhas. Ao nascer o rapaz perdi um pouco o argumento. Mas vem aí a Maria. Outra menina.

imagemdecapa@onekind

Gosto de iniciativas “sem tretas” e com alma. Como a Up to Kids, por exemplo.

A criação do Mundo Brilhante permite-me visitar escolas de todo o país e provocar os diferentes públicos para poderem melhorar. Agitamos. Queremos deixar marcas.

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