4 Reflexões sobre o professor do futuro, e uma confissão

Se há profissão especial, essa profissão é a de professor.

São tantas as razões; As horas que passam com os nossos filhos, os segredos partilhados, a base do futuro, o exemplo, a esperança…

E as dificuldades? Imensas; O trabalho burocrático, as turmas demasiado grandes, tantos pais e encarregados de educação ausentes…

E sim, agora, os professores já devem estar de férias. Não, eles não entram de férias ao mesmo tempo que os alunos. Há vida e muito trabalho nas Escolas nas férias dos alunos. Ainda há pessoas que não entendem esta realidade. As reflexões sobre o professor do futuro, são os dados que levam os profissionais a quererem melhorar, são pensamentos sobre o trabalho que é feito em centenas de escolas em Portugal. Demasiadas vezes levado a cabo longe das “luzes da ribalta”, como se fosse um segredo. Segredo que agora revelo.

Reflexão 1

Como Hensel e Gretel fugiam da fome e da miséria, as nossas crianças precisam escapar-se de um tipo de futuro que todos tememos. A ameaça terrorista, as doenças mentais e a falta de felicidade, são os diferentes chapéus da bruxa. O século XXI exige toda a concentração. Exige profundidade nas análises. Também necessita de inspiração. Mas é no trabalho e na reflexão sobre os dilemas que estarão as soluções.

Neste particular, os professores têm essa responsabilidade. Quando a enfrentam, quando procuram ler, refletir, debater e ter formação, eles brilham de tão especiais que são. Quando estão atentos às inteligências múltiplas, às neurociências e à emoção na relação pedagógica, estes professores, por vezes com sacrifício, atingem um caráter particular. Um caráter especial.

Reflexão 2

Precisamos de professores que sejam capazes de educar crianças, de modo a que saibam sozinhas colocar bem as suas migalhas de pão. Precisamos de professores que inventem formas dessas migalhas não serem comidas pelos pássaros. Felizmente, em Portugal, há milhares destes professores.

Claro que também gosto do Cristiano Ronaldo. Claro que vibrei com as conquistas da selecção. Mas não posso de deixar de pensar que há aqui alguma injustiça. Quem são os verdadeiros heróis? Quem deveria ser reconhecido socialmente?

Reflexão 3

Não pretendemos colocar aqui as noções teóricas do trabalho que desenvolvemos com os professores na (trans)Formação “Os Sete Hábitos do Professor do Futuro”. Procuramos produzir sentimentos. Deixo os dados e as relações de causa efeito para o trabalho no terreno. Aí falamos na importância do professor do futuro estar atento à credibilidade das fontes. Aí ajudamos a pensar sobre as formas de lidar com a ansiedade e sobre formas de comunicação que agarrem as crianças e jovens.

Reflexão 4

Trabalhamos em muitas Escolas Públicas, como na EBI do Pinhal Novo e em Instituições como o Centro Comunitário de Carcavelos. Trabalhamos com professores em Colégios em Lisboa, como no “Colégio de Santa Doroteia” e em Escolas Públicas de norte a sul, como no Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus em Vila Real.  Correndo o risco de deixar de fora muitos exemplos, arrisco citar alguns, porque é importante. É importante espalharmos a noção de que há muitos professores a fazer o que é certo! Eles já estão no futuro. As mudanças das crianças, as mudanças nos mercados de trabalho, as mudanças no mundo já estão aí. Os desafios já chegaram. E os professores já estão a dar tudo. Muitos professores já estão a dar tudo.

Confissão

As minhas lágrimas brotam no final do trabalho, quando sinto os professores envolvidos, quando os vejo serem agitados e quando eles próprios me agitam. A alegria invade-me quando chego ao carro e sinto que tocámos nas pessoas especiais. Aprendo sempre.

Um grupo de pessoas que trabalha em salas quentes, que trabalha fora da hora de trabalho, um grupo de docentes que investe para melhorar na relação com os alunos, um grupo de pessoas que canta o coro da escola numa manifestação esmagadora de espírito de grupo. Um professor que nos interpela dizendo “não concordo” só porque estava atento, só porque estava a pensar. Um professor que se chega à frente e organiza o evento, preparando tudo, desde as inscrições à marcação da sala.

Vibrei na Escola em Vila Real quando aplaudiram a diretora, a “charming red”.

Boas férias, aos que estão de férias, até breve para mais emoções, para mais trabalho. Há migalhas para ensinar a colocar, há pássaros para afugentar, há bruxas para colocar no forno. Estes são os nossos “golos do Éder”.

Gosto de iniciativas “sem tretas” e com alma. Como a Up to Kids, por exemplo.

A criação do Mundo Brilhante permite-me visitar escolas de todo o país e provocar os diferentes públicos para poderem melhorar. Agitamos. Queremos deixar marcas.

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