A mala do Sport Billy

Nos anos 80 do século passado, uma série de televisão marcou uma geração. O Sport Billy era um rapaz extraterrestre que tinha um saco desportivo muito especial. A sua nave gigante em forma de despertador, ainda faz parte das minhas memórias.

Hoje, se pudesse reescrever esta história de modo a passar uma mensagem pedagógica aos meus filhos, colocaria outro tipo de ferramentas nesse saco mágico. E em vez de salvar os desportos, gostaria que a sua missão fosse: Salvar a capacidade de Ser Feliz.

Assim, neste Sport Billy reinventado, a inimiga, em vez de ser a Rainha Vanda, seria a Rainha Zanga. Estar zangado com a vida é uma verdadeira perda de tempo.

O Sport Billy tinha dois ajudantes, uma rapariga chamada Lily e um cão de nome Wily. Este cão, até porque falava, seria substituído pela voz da consciência. A rapariga Lily (em homenagem a uma amiga chamada Liliana, que acaba de ficar noiva – parabéns! – ) representaria os amigos de qualidade.

Acredito que estes dois elementos serão fundamentais para o futuro dos meus filhos: Amigos de qualidade e a gestão da sua própria voz interior. Estes elementos, em articulação com algumas ferramentas, farão a diferença.

Então e que ferramentas colocaria eu nesta história reescrita à luz da psicologia?

Ferramenta 1 – Perante uma situação negativa, o herói iria ao saco e retirava uma ferramenta capaz de o fazer viver melhor essa experiência negativa. As experiências negativas são inevitáveis. E até serão úteis, porque a frustração faz parte da vida. Gerir essa frustração é fundamental. Neste episódio imaginado, a Rainha Zanga cria um momento negativo, um acontecimento desagradável, e o herói aplica essa ferramenta especial que o ajuda a entender:

  • O que posso aprender com esta situação ?
  • Quais as soluções ?
  • O que posso fazer para resolver o problema?

Ferramenta 2- Neste outro episódio, a Rainha Zanga, instalou o caos numa situação de rotina do nosso herói. Daquelas situações que todos vivemos nas nossas vidas agitadas. É hora de jantar e tudo parece desmoronar-se. Há um a chorar, o outro entorna o sumo, outro ainda não veio para a mesa, a comida parece estar a arrefecer…

O herói pega no seu saco e retira uma ferramenta que o ajuda a lembrar-se dos momentos calmos de outros dias. Essa calma está dentro de cada um. Basta lembrarmo-nos dela, tentarmos respirar fundo, e, aos poucos, o caos vai dando lugar à ordem.

Ferramenta 3- Desta vez a Rainha Zanga veio com uma arma de destruição poderosa. O sermão. O sermão tira energia, seca a alma, aborrece, o sermão corta a criatividade. Ligeiro, o herói pega na mala e retira o antídoto. Um ponto de interrogação bem colocado. Qual foi a parte do teu dia que gostaste mais? Como podes ajudar o teu colega de escola? Quais são as marcas positivas que temos cá em casa? Temos uma jarra de beijinhos? Onde está o nosso quadro de fotografias de momentos alegres?

Ferramenta 4- A Rainha Zanga parece ter desistido. A última ferramenta (a pergunta positiva colocada no momento certo) parece que a fez desistir. Está calma. A dormir. Parada. Que engano ! Afinal era manha dela! Neste episódio, assim que o herói é alertado pela amiga, ele vai ao saco mágico e retira a ferramenta que o faz avançar no desconhecido. A Rainha Zanga estava a deixá-lo adormecido, mole. É urgente sairmos dos nossos sofás. Arriscar é um imperativo. Devemos ler livros novos, conhecer pessoas novas, viver experiências novas.

Os bons amigos empurram-nos para isso.

Ferramenta 5- O nosso herói está demasiado crítico consigo mesmo. A Rainha Zanga aproveita para colocar na cabeça dele, algumas “minhocas”. Minhocas são pensamentos ruminantes, cíclicos, tristes, negativos…é hora de ir buscar ao saco uma ferramenta especial. Nós temos que ser os nossos melhores amigos. Se a nossa consciência não nos ajuda, se temos um mau diálogo interior, há que trabalhar para o alterar.

Ferramenta 6 – A rotina começa a fazer marcar negativamente o dia-a-dia do nosso herói. Ele começa a sentir-se aborrecido. As rotinas não podem acabar. Elas fazem parte. Por isso, o saco tem a ferramenta que ajuda a resolver as questões:

  • Quais são as rotinas mais aborrecidas que temos?
  • O que podemos fazer para as tornar mais divertidas?
  • Vamos fazer um acordo familiar para tornarmos as rotinas momentos divertidos!

Ferramenta 7 – A Rainha Zanga conhece as suas características. Ela é pouco corajosa, não gosta de agradecer. Não sabe elogiar. Ela é injusta e não tem sentido de humor. Mas o nosso herói tem mérito. Ele tira tempo para refletir sobre as suas próprias Forças.  Quem conhece as suas Forças, quem pensa sobre elas, tem mais facilidade em exercitá-las de forma consciente. Este é mais de meio caminho para a Felicidade. Esta é uma ferramenta determinante para ter no saco.

Ferramenta 8 – O herói descobre uma nova anti-arma. Todas as noites ele adormece com pensamentos bons. Todas as noites antes de adormecer, vai ao saco mágico e há uma ferramenta que o ajuda a rever os momentos mais bonitos e vibrantes do seu dia. Durante o sonho, o nosso herói vai alimentando um dia mais produtivo. A Rainha Zanga bem tenta trazer tristeza para os últimos momentos do dia. Mas as ferramentas ajudam o herói a entender:

  • Se adormecermos com ideias positivas, a noite corre melhor;
  • Pensar no que correu mal, pode ser positivo, desde que seja para ver uma solução;
  • Planear a aplicação da solução é uma excelente ideia positiva.

Ferramenta 9 – A Rainha Zanga consegue arranjar uns parceiros. São maus como ela. Ela está forte com esta ajuda. O saco mágico (que não tem nada de mágico, como já reparou!) resolve a situação. O nosso herói tem uma ferramenta que faz com que as pessoas à volta dele entendam:

  • As crianças são muito sensíveis aos exemplos dos adultos;
  • As crianças são muito atentas;
  • A capacidade de atenção das crianças surpreende os adultos.

Ferramenta 10 – Ela não conseguiu vencer, por isso está a juntar-se ao nosso herói. Já o elogia. Ele é bonito. Ele é forte. Ele é esperto. O herói quase vai na cantiga. Alcança o saco e retira uma ferramenta capaz de dividir os elogios em bons e maus. Elogiar é uma arte. Elogie o esforço, a determinação, em vez de elogiar a inteligência.

Eu elogio o seu esforço por ter lido com atenção até aqui. Parabéns.

Nota final (ou será um começo?): Este artigo é inspirado numa mítica sessão de (trans) Formação dinamizada pelo Educadoras Brilhantes em Santa Catarina da Serra (Fátima). Educadoras de Infância, Professoras, Pais e Psicólogos, encheram a Sala da Junta de Freguesia para uma manhã de reflexão sobre a Educação para a Felicidade. A impulsionadora desta iniciativa positiva foi a Drª Susana Laranjeiro. São pessoas assim, que arriscam, que avançam destemidas e capazes de mudar o mundo, são pessoas assim, a fonte da inspiração, o pináculo da integridade, o exemplo e a esperança. São pessoas assim que vão fazendo as Escolas locais positivos e a educação dos nossos filhos tão significativa quanto possível.  

Vamos fazer do mês de Maio,  o mais positivo de sempre. Visite Maio mais Positivo de Sempre.

Gosto de iniciativas “sem tretas” e com alma. Como a Up to Kids, por exemplo.

A criação do Mundo Brilhante permite-me visitar escolas de todo o país e provocar os diferentes públicos para poderem melhorar. Agitamos. Queremos deixar marcas.

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