As lições mais importantes que as educadoras podem dar…

NOTA INTRODUTÓRIA: DESABAFOS DE UM PAI PREOCUPADO

Agora que a minha filha mais nova foi para o Berçário, é natural que eu esteja mais sensível a todo este universo. Este universo onde há um turbilhão de sentimentos no peito de milhares de mães e pais que todos os dias levam os seus filhos para o Berçário, Creche ou Pré-Escolar.

É o tal paradoxo: sabemos que estão bem, sentimos a importância, somos bem acolhidos, contudo, há separação, ainda que temporária.

Só que, como sabemos, o tempo é relativo. Uma hora com dor de cabeça parece uma eternidade. Uma hora a assistirmos à nossa série preferida, passa a voar. Afastados dos filhos, fazemos do tempo um inimigo. E lá vem com malícia a “dona  culpa”, e lá vem com estrondo o “senhor peso no peito”. E lá surge traiçoeira a “menina lágrima”.  

Para me ajudar (pode ser que também ajude a si) lembrei-me de uma história. Fala de um conjunto de Educadoras muito especiais. E elas andam por aí, espalhadas pelo país. Acolhendo os nossos filhos. Ajudando-nos a fazer as pazes com o tempo. Lutando para termos menos dores de cabeça.  Elas dão-nos lições.  

 

Era uma vez as princesas de hoje…,
ou
As lições mais importantes que as educadoras podem dar a um mundo carente de otimismos.

Era uma vez um conjunto de destemidas Educadoras que resolveram fazer uma reunião para melhorarem ainda mais as suas práticas. Estas são as verdadeiras heroínas. As “princesas” do século vinte e um. A bruxa má é o descrédito, o desistir, o trabalhar por trabalhar…

O castelo escolhido para a reunião, foi uma sala de formação. Curiosamente, ou talvez não, a sala era num farol! Não é preciso ser muito sensível para descortinar o simbólico na palavra farol, certo?

A reunião impunha-se porque a bruxa má criou um monstro chamado “estagnar na profissão”. A reunião visava aniquilar o monstro, destruir a bruxa e libertar do perigo centenas de crianças. E, como uma espécie de extra, libertar da angustia centenas de mães e pais. O plano tinha sido traçado. Para se atingir os objetivos, as armas usadas seriam as da Psicologia Positiva. O estudo científico das forças e das virtudes impunha-se para contrariar as más vibrações. O trabalho sustentado no otimismo surgia como resposta para constranger a crise, as crises e a descrença no futuro.

  • As Educadoras desejam actualizar-se para serem capazes de ajudar as crianças a abraçar a magnificência do mundo.
    O mundo muda a uma grande velocidade. A sociedade altera-se e as crianças também. É importante lembrarmos que, biologicamente, as crianças estão iguais às nascidas há milhares de anos. Só que o ser humano está longe de ser só Biologia. É aqui que entra a cultura. O mundo está em mudança e isso afeta as crianças. Quem trabalha na Educação deve estar atento e actualizado, caso contrário, corre o risco de ficar ultrapassado.

  • As Educadoras estão atentas às forças, às emoções positivas, ao optimismo, à psicologia positiva.
    A psicologia sempre estudou o que estava mal no comportamento humano, sempre se dedicou aos problemas, à depressão, ao comportamento agressivo e à toxicodependência, por exemplo. No entanto, também se dedicava a ajudar as pessoas. E não precisa só de ajuda quem está mal. Quem está bem, também pode precisar de ajuda para melhorar. Para crescer. Para desenvolver competências. Só que a determinada altura da história a balança ficou desequilibrada. Estudava-se muito a depressão e pouco a felicidade. Estudava-se o problema, as possíveis soluções e falava-se pouco do que nos faz ser felizes.
    A reunião mal tinha começado e foi notório que a maioria das Educadoras tinha ido em grupos formados por outras Educadoras. Mas uma das Educadoras, fez questão de trazer as pessoas com quem trabalhava, mesmo elas não sendo Educadoras.
  • As boas Auxiliares também nos dão lições. E as outras Educadoras, por serem brilhantes, foram para as suas instituições partilhar tudo com as Auxiliares.
    A equipa é fundamental ! Claro que há hierarquia, claro que deve haver liderança, organogramas bem definidos e noção do papel de cada um. Mas é fundamental o líder envolver. E por outro lado, é determinante a equipa querer colaborar. As Educadoras que nos dão boas lições, envolvem os elementos da Equipa. As Auxiliares que nos dão boas lições, também desejam melhorar.
    Durante os trabalhos, sentiu-se que uma das Educadoras foi sozinha.
  • As Educadoras têm coragem para enfrentar sozinhas as suas guerras.
    É confortável termos um parceiro, uma amiga para partilharmos momentos. Isso ajuda.  Mas a boa Educadora quando  acredita, vai. Se ninguém quer ir, ela vai sozinha. Se querem puxá-la para baixo, dizendo que não vale a pena, ela não deixa.
    Na pausa da reunião, duas das Educadoras que tinham chegado com bastante tempo de antecedência à reunião, voltaram a ser as primeiras a entrar. E com um sorriso. Sereno e sincero.
  • As Educadoras são pontuais, gostam de o ser, gostam de ter tempo para preparar os pormenores, a sala, a música que vão colocar. Gostam de confirmar se as janelas estão como devem estar e recebem com leveza e serenidade.
    Uma das Educadoras interrompia, questionava, punha em causa, dava as suas ideias e colocava o seu melhor ar crítico. A capacidade de refletir criticamente é essencial para avançarmos na profissão. Estar atento ao que se lê, ser capaz de lançar pedras ao charco, é estimulante.
  • Os pais e educadores também dão lições. Há um caminho a percorrer até se acertarem as práticas. Por isso, não podemos deixar de colocar em causa. Avançamos, somos proativos, mas não desligamos o cérebro. Assim também vamos ser um bom modelo para as nossas crianças. Elas vão precisar de alguém capaz de as inspirar a pensar pelas próprias cabeças.
    A determinada altura, surge a questão: estávamos a fugir do tema, por falarmos pouco de crianças? A dúvida era legítima. No entanto…
  • As Educadoras entendem que na Psicologia do Desenvolvimento, podemos falar de estágios, de marcas do desenvolvimento.
    Quando falamos de Psicologia Educacional, podemos falar de dificuldades de aprendizagem. Quando abordamos a Psicologia Positiva temos que falar muito do Educador. Estamos a falar de prevenção. De atitudes dos adultos. De atitudes que irão influenciar a forma como as crianças olham para os problemas. Por isso, necessariamente falamos muito do Educador. Da forma como o Educador pode colocar em prática a “educação positiva”. Da forma como o Educador pode ajudar a desenvolver a resiliência nas crianças.

Abordar a Psicologia Positiva não é uma moda. E tenho a certeza de que não é para todos. Temos que ter vida. Experiência. Temos que praticar. Não basta decorar conceitos. E devemos aplicar nas nossas profissões com crianças. E nas nossas casas, devemos aplicar também. E assim, morre a bruxa, foge o monstro e desaparece o peso no peito. Pelo menos uns gramas. Graminhas.

NOTA FINAL: VERDADES DE UM PAI ESPERANÇADO

As crianças, todas as crianças, têm as suas forças;
Ficarei sempre tranquilo, enquanto sentir que andam por aí as Educadoras que desejam conhecer formas de ajudar os meus filhos a desenvolverem essas forças;
As emoções positivas elevam a criança numa espiral (ver Dra. Barbara Fredrickson);
Preciso de Educadores mestres nas emoções positivas;
As Educadoras, algumas Educadoras, também são mães. É bom lembrar!;
Como pai, preciso ser mais positivo em relação ao trabalho realizado na Creche;
As Educadoras que nos dão lições, são pétalas da Chocolate Cosmos com perfume raro;
Tenho que lutar para transformar em quilos os gramas retirados ao peso no peito.

 

Por Alfredo Leite, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

Imagem@Kleverkid

 

Gosto de iniciativas “sem tretas” e com alma. Como a Up to Kids, por exemplo.

A criação do Mundo Brilhante permite-me visitar escolas de todo o país e provocar os diferentes públicos para poderem melhorar. Agitamos. Queremos deixar marcas.

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