Cá em casa#Damos Colo

No outro dia, fui beber café com uma amiga que também foi mãe há pouco tempo e, a dada altura, ela comentou que o seu bebé era muito tranquilo, não dava trabalho nenhum, mas que não lhe dava muito colo para não o habituar mal. Não querendo de algum modo julgar a forma de pensar da minha amiga (até porque cada mãe faz o que acredita ser melhor para o seu bebé e o que funciona melhor no seu seio familiar), não pude deixar de ficar a matutar no assunto.
Verdade seja dita, lembro-me de ouvir, não especificamente por parte da minha família, mas ao nível da sociedade em geral, esta máxima.
Contudo, a nossa bebé nasceu e o desejo de a segurar, sentir, abraçar, cheirar foi imediato! Ainda na maternidade, passou muito tempo no nosso colo… E também no colo dos familiares e amigos que nos visitaram… O que é que toda a gente quer fazer quando vai conhecer um recém nascido? Pegar-lhe ao colo!
Em casa, damos-lhe colo sempre que chora, para adormecer ou pura e simplesmente porque queremos dar-lhe mimos e interagir com ela.
Ficam guardadas na memória e no coração as tardes de chuva e de frio, em que ficamos juntas à lareira, de corpinho tão pequenino, a dormir enroladinha no meu peito!
Ficam guardados no seu inconsciente, acredito que tornando-a mais confiante e tranquila, os momentos em que acorro ao seu choro e a conforto no meu colo. Ou os momentos em que a seguro entre os braços e a levo a passear ao nosso quintal, a encho de beijos, repito os sons do seu palrar ou lhe retribuo o sorriso. Acredito que o meu colo, a fará crescer a sentir-se amada e correspondida!Gostaria de usar mais o sling e o pano que me emprestaram, mas tenho problemas graves de coluna e não aguento muito tempo.
Não é contudo, por isso, que lhe é alguma vez negado o colo. Se me doem as costas por estar de pé, há sempre a opção de lho dar sentada ou de chamar o reforço que dá pelo nome de Pai.

Se acredito no vício do colo? Não.
Acredito que a minha bebé possa ser uma criança mais exigente, mas também acredito que saiba que o mundo é um local bom, no qual pode confiar. Que sinta que nele existem pessoas constantemente preocupadas com o seu bem estar, dispostas a dedicar-lhe atenção e a minorar o seu desconforto sempre que possível.
O que pode haver de negativo nisto?
Porque é que existe o mito de que o excesso de colo?
Qual é a tabela ou unidade de medida que parametriza a quantidade/tempo/qualidade do colo a dar a cada criança?
O que define que o colo pode ser prejudicial?
É preciso que da nossa parte, exista uma grande disponibilidade, é um facto. Mas quando decidi ser mãe, fi-lo no meu todo, de corpo, coração e alma. Foi por isso que não fui mãe mais cedo, quando o meu ser estava ainda demasiado disperso em tantas outras coisas da vida.Um dia a minha bebé não será mais bebé. Um dia a minha bebé não quererá mais colo.

Até esse dia, eu vou aproveitar! Sempre que possa.

Sofia, do blog Cá em casa somos três, adaptado por Up To Kids®
Todos os direitos reservados

4 thoughts on “Cá em casa#Damos Colo
  1. Cá em casa há duas, de 14 e 19 anos e ambas continuam a ter colo, só que agora tenho de o dar sentada! 🙂

  2. Inês Clímaco diz:

    O dar muito ou pouco colo tem a ver com a ideia e o sentir de cada pessoa. Penso que o colo é um bem necessário ao desenvolvimento da criança …transmite-lhe segurança, aconchego …
    Que de nós, criança ou adulto não precisa de colo de vez em quando? Por outro lado, as crianças ganham habitos, aos quais muita gente apelida de vícios.
    O colo não é passível de ser quantificado …precisamos de dar colo, SIM, sempre que o nosso coração de mãe sente que o deve fazer!

  3. Cá em casa 4 depois de nascer continuamos a dar muito colo….

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