coaching em familia

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Coaching em Família

Aplicar o método coaching no desenvolvimento dos filhos

Certa noite, na sala de nossa casa, estava uma das minhas filhas e eu.
Eu estava sentado num dos sofás a terminar uma apresentação que teria de fazer no dia seguinte em Aveiro e ela estava ajoelhada no tapete a trabalhar em cima da mesa de centro.
A minha filha frequentava o 3.º ano e tinha descoberto nessa semana o compasso enquanto objeto possibilitador de formas geométricas muito atrativas pela sua perfeição – os círculos. E, nesse momento, estava precisamente a explorar o compasso, concentrada na tarefa de fazer círculos de diâmetros diferentes.
Eu continuava a preparar o trabalho que tinha entre mãos e, num dado momento, a minha filha levanta-se de rompante e diz aborrecida: «Pai, isto não está a funcionar! Está só a escorregar!»
Confrontado com esta reclamação por parte dela, perguntei:

– O que é que não está a funcionar?

Ao que ela me respondeu da seguinte maneira:

– Pai, tenho a folha de papel em cima da mesa, mas a mesa é de vidro e quando tento fazer um círculo grande com o compasso muito aberto, o bico do compasso escorrega por estar em contacto com o vidro da mesa!

E aqui tomei consciência que poderia enveredar por diversos caminhos, nomeadamente explicar-lhe como fazer para solucionar a situação – adotando uma atitude de consultoria, ou, por outro lado, questioná-la no sentido de ser ela própria a descobrir a solução – apelando à melhor atitude Coach.

E assim se desenrolou o seguinte diálogo entre nós:

– Já percebi qual a tua situação, mas diz-me qual é mesmo o teu objectivo?

– Quero que, ao abrir o compasso para desenhar círculos grandes, o bico não escorregue no vidro.

– E como podes solucionar essa situação?

– Bem… se o bico não estiver em contacto com o vidro, fica resolvido!

– E o que podes fazer para que isso aconteça?

– Hummm… Já sei! Posso ir buscar um cartão e pôr debaixo da folha de papel, assim o bico do compasso toca no cartão e não no vidro!

– Se acreditas nessa solução, por que não experimentas?

E aí foi ela em busca de um cartão para colocar debaixo da folha de papel. Claro que todos podemos antecipar o resultado – foi um sucesso! O bico do instrumento deixou de escorregar por já não se encontrar em contacto direto com a mesa de vidro.
Este foi um episódio que ficou muito presente em mim, pois a simplicidade e a espontaneidade com que decorreu, prova que o Coaching pode ser utilizado com naturalidade em qualquer lugar entre quaisquer pessoas. Com a enorme vantagem de provocar descoberta e conhecimento genuíno – que surge de dentro daquele que chega por si mesmo a determinada conclusão; e realização pessoal – quando ao colocar ação na ideia, atinge o que pretende.
Se eu tivesse revelado à minha filha qual a solução para aquele desafio, sem que estimulasse a sua capacidade de o fazer por ela mesma, tudo acabaria por acontecer – o cartão acabaria por aparecer debaixo da folha de papel, etc.

Mas ela própria não se teria explorado interiormente, nem se teria confrontado com aquilo que sabe e aquilo em que acredita, e consequentemente não teria escolhido por ela mesma, mas teria obtido antes uma solução que, apesar de boa, não teria sido dela.
O meu lado ‘aconselhador’ poderia ter saltado de mim e tê-la ‘afogado’ com inúmeras soluções, mas preferi ter feito silêncio e ter dado a oportunidade de ter sido ela a atingir algo que procurava, limitando-me eu a estar na retaguarda, a dar estímulo e apoio, respeitando a vida que acontecia em frente dos meus olhos e fazendo as perguntas adequadas à evolução daquele ser humano.

O mérito foi dela, as escolhas foram dela!

Se estivermos certos de saber o que é melhor para os outros e sentirmos o impulso de fornecer imediatamente soluções, é o momento de nos perguntarmos se, porventura, somos todos iguais e se as soluções que se revelaram boas para nós serão as ideais para os que nos rodeiam. Importa darmos o devido espaço, acreditando que todos os indivíduos têm valor, têm potencial para evoluir utilizando a própria criatividade e são os verdadeiros especialistas da sua própria vida.

Procuremos profundamente explorar o nosso lado Coach, silenciando os nossos impulsos, escutando ativamente e colocando as questões adequadas, ajudando os outros a brilhar.

 

Por Telmo Marques, para Up To Kids®

imagem@bt.dk

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