EDUCAÇÃO : AS PALAVRAS MÁGICAS, OU PORQUE NÃO GOSTO DA EXPRESSÃO “NINGUÉM É PERFEITO”

Sei que há pais capazes de melhorar. Acredito, porque confio nos estudos e porque já vi com os meus próprios olhos. Há pais capazes de aprender. Chama-se a isto mudança. Evolução. Não é fácil, não é rápido, também traz dor, mas é possível. Certo?

Um passo em direção a essa evolução é a reflexão. Felizmente há muitos pais capazes de refletir sobre as suas práticas:

Porque educo assim?
Onde aprendi?
Quem imito?
O que me fez ser o pai que sou ?

No entanto, também há pessoas incapazes de olhar para si próprias e de fazerem auto avaliação. Se no campo profissional isso pode custar um despedimento, quando educamos alguém isso pode significar educar para a infelicidade. Esta capacidade de nos vermos ao espelho é fundamental.

Quem consegue fazer uma lista das suas características como pai? Quantos conseguem fazer uma lista dos defeitos que têm enquanto educadores? Quem tem essa coragem?

Sou fã de quem conhece pelo menos alguns dos seus defeitos. E não me venham com a conversa de que o defeito é “ser teimoso”. Todos sabemos que isto é uma resposta pronta e uma espécie de qualidade.

Parece fácil culpar os outros, descobrir-lhes defeitos e apontar culpas. É fácil fazer a lista dos defeitos dos outros pais. A começar pelos vizinhos de cima, passando pelo nosso cunhado e acabando no casal que vimos no café. E é fácil listar os defeitos dos nossos filhos. Para isso há pais a fazer fila.

Os pais podem concentrar-se em três palavras para educar, ainda, melhor.

A primeira: Reflexão.
Pode refletir sozinho ou com base na análise de alguém. Peça a um amigo de confiança, àquele amigo sincero e capaz de dizer verdades para listar alguns defeitos que lhe deteta. Podemos ter aqui uma boa base para exercitar a humildade. Sei que parece simples, mas também sei que nem sempre fazemos o que é simples. Como lavar as mãos depois de ir à casa de banho, por exemplo.

Se está a ler este texto é porque deseja melhorar. Já ouviu muitas birras. Já tentou várias estratégias. Já apartou muitas discussões. Então pode precisar de um empurrão para mudar alguma coisa. Tenho esperança de poder ser esse empurrão com este artigo.

Depois de refletir, depois de analisar passe para a próxima palavra:  Ação.
O que pode fazer para aplicar mudanças positivas? Que estratégias pode implementar? Que teorias deseja colocar em prática? Com passos pequenos vai conseguir. Uma mudança aqui, outra ali, um avanço hoje, um recuo amanhã.

Por fim: Persistência.
Sem ela, nada feito. Tem que ser constante na sua prática parental. E vai sê-lo. Desde que se empenhe e não desista à primeira dificuldade.

Os seus filhos merecem esse esforço. E, mais do que isso, precisam. As escolas estão a viver dificuldades, há desmotivação, falta de pessoal entre outros problemas.  O clima que vivemos não é bom. São crises, prisões, guerras…e eles absorvem. Como esponjas. Como não os queremos colocar numa redoma, como não é assim que se resolvem problemas, temos que ser cada vez melhores!

E acabar com as desculpas como “ninguém é perfeito!”. Isso toda a gente sabe. O que é determinante é sabermos quais os defeitos presentes na nossa forma de educar e quais queremos melhorar.

Resumindo, para educar, ainda, melhor os seus filhos:

  1. – Faça uma lista de defeitos que tem como pai;
  2. – Vá a um Workshop, leia um livro ou imite um pai que faz bem e passe à ação;
  3. – Seja obstinado.

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante
para Up To Lisbon Kids®

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imagemdecapa@MaisEquilibrio.br

Gosto de iniciativas “sem tretas” e com alma. Como a Up to Kids, por exemplo.

A criação do Mundo Brilhante permite-me visitar escolas de todo o país e provocar os diferentes públicos para poderem melhorar. Agitamos. Queremos deixar marcas.

1 thought on “EDUCAÇÃO : AS PALAVRAS MÁGICAS, OU PORQUE NÃO GOSTO DA EXPRESSÃO “NINGUÉM É PERFEITO”
  1. Bom dia e obrigado pela mensagem.
    Efectivamente este artigo não pretende ser um manual de boas prácticas, mas terminei a leitura com um “sabor a pouco” no coração.
    Dizer que “Um passo em direção a essa evolução é a reflexão. Felizmente há muitos pais capazes de refletir sobre as suas práticas:
    Porque educo assim?
    Onde aprendi?
    Quem imito?
    O que me fez ser o pai que sou ?”
    é simples… o complicado será dizer quais os “bons caminhos a seguir”.
    Respostas como :
    Porque educo assim? – Porque assim é que é correcto!
    Onde aprendi? Com a experiência da vida!
    Quem imito? Os meus pais!
    O que me fez ser o pai que sou ? O bom senso!
    Podem ser o empurrão que leva a dar o “passo em frente” para o abismo!
    Penso que, se para além da “Reflexão” e da “Persistência” incluirmos também a “Avaliação” e as colocarmos num ciclo, o resultado é capaz de ser… espectacular! Creio que, se em tudo o que fazemos incluirmos a avaliação do “cliente” caminharemos sempre no bom sentido.
    Mais uma vez, muito obrigado pela sua ajuda.

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