autonomia das escolas

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Ministério da Educação quer maior autonomia das escolas

As conclusões do trabalho de investigação que traça o perfil ideal dos alunos portugueses na escolaridade obrigatória foram apresentadas este fim de semana, em Lisboa.

Dominar a linguagem, a comunicação, o raciocínio, ter pensamento crítico, fomentar a criatividade e trabalhar as relações interpessoais são algumas das metas que o aluno português deve alcançar até ao 12º ano.

O “Perfil do aluno para o Século XXI” foi apresentado este fim de semana pelo coordenador e antigo ministro da Educação Guilherme d’Oliveira Martins, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Como alerta o responsável no prefácio, este perfil não é “um mínimo nem o ideal, mas do que se pode considerar desejável” para os alunos que concluem a escolaridade obrigatória.

Por escolas mais autónomas

A flexibilização de currículos escolares é um dos pontos mais sublinhados no documento e deverá entrar em vigor já no próximo ano letivo, para os alunos do 1º. 5º, 7º e 10º anos, de acordo com o secretário de Estado João Costa, também presente na cerimónia.

É proposta uma maior autonomia das escolas, para que possam adaptar a prática docente às características dos discentes. Cada estabelecimento de ensino deve procurar valorizar o saber e incutir a curiosidade intelectual nos estudantes portugueses.

A equipa de peritos recomenda que a autonomia na definição dos currículos escolares aumente em 25% e permita um reforço da interdisciplinaridade e do aprofundamento de matérias.

A prática faz a perfeição

O Ministério da Educação quer promover uma escola mais presente na vida dos alunos, dentro e fora dela.

O documento assinado pelo Governo considera o trabalho experimental como base fundamental para o bom exercício escolar e profissional. Segundo a equipa de investigação responsável pelo “Perfil do aluno para o Séc. XXI”, o ensino deve ter por base a interdisciplinaridade e a prática, para que, no futuro, o aluno seja um profissional capaz de trabalhar em cruzamento com outras áreas além da sua.

O documento reflete ainda sobre a necessidade de “educar ensinando com coerência e flexibilidade”.

No centro, a dignidade do aluno

O trabalho prevê uma visão mais humanista da educação, em que a pessoa e a sua dignidade devem ser o centro disciplinar. Dignificar o aluno passa, por isso, por trabalhar a inclusão, os conceitos de democracia e de igualdade.

Cabe às escolas a responsabilidade “de dotar os jovens de conhecimento para a construção de uma sociedade mais justa”, lê-se no documento. A definição de inclusão deve ser trabalhada no corpo discente, pelo que o Governo prevê ainda uma nova legislação sobre educação especial.

Na apresentação que decorreu no sábado, em Lisboa, João Costa disse aos jornalistas que está ainda em curso um processo de “gestão flexível” que será, em breve, colocado em discussão. “Muito brevemente estaremos a apresentar a estratégia da educação para a cidadania. Teremos a proposta de decreto-lei sobre educação inclusiva”, esclarece.

São estes os princípios-chave abordados no perfil traçado pela equipa de investigação, liderada pelo antigo ministro da Educação e atual administrador da Fundação Gulbenkian, Guilherme d’Oliveira Martins. A criação do documento surge no seio de algumas dificuldades que apareceram desde que o ensino obrigatório em Portugal foi alargado até ao 12º ano.

O documento conclui que os alunos devem abandonar este ciclo com as bases necessárias para se tornarem cidadãos “livres, autónomos e responsáveis”.

Notícia de U.Porto

imagem@elizabethalbert

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