Ninguém escolhe uma profissão aos 14 anos

Profissão

Ninguém escolhe uma profissão aos 14 anos!

Pois é… Parece que foi ontem que o deixei na sua sala, no primeiro dia de aulas, no 1º ano. Com uma enorme mochila de sonhos e curiosidade às costas. Cheio de vontade de brincar e, também, de aprender. E hoje já está a terminar o 9º ano. E traz da escola uma mochila cheia de perguntas e inseguranças. «O que vou escolher, mãe?» «Para que curso vou, pai?»

Tanta coisa a ter em conta, parece que nada pode falhar. Estes jovens sentem-se tantas vezes angustiados, agarrados a uma escolha que parece vir a determinar a sua vida. Mas não! Felizmente, as escolhas de áreas de estudo, não são deterministas. E são isso mesmo. Áreas de estudo. Ninguém escolhe uma profissão aos 14 anos! E é esta parte que, por vezes, pais, professores e alunos parecem esquecer. Por isso, nada há de errado quando um adolescente a terminar o 9º ano diz “Sei lá o que quero ser quando for “grande”!”

É certo que há uma escolha quem tem de ser feita. E há algumas reflexões que merecem ser feitas. Mas é uma escolha quanto a uma área de estudo e não quanto a um curso superior ou uma profissão.

Quais são as minhas características pessoais? Quais são os meus gostos, os meus interesses? A que é que dou valor? O que é importante para mim? Quais têm sido as minhas disciplinas preferidas? E quais é que são um “castigo” para mim?

Para que é que eu tenho mais jeito? Tenho tido melhores notas a que disciplinas? Sei que tenho mais capacidade e facilidade para quê?

E que oportunidades tenho? Que cursos e formações existem? Para que escolas posso ir?

É um exercício exigente, que implica introspecção, reflexão, ponderação… É um exercício de auto-descoberta interessante. Mas, quando se sugere uma reorganização, reconfiguração ou reconstrução… Quando fica subentendida a necessidade de “metapensar”, sobre o pensado e conversado… Iniciam-se as resistências, as questões de quem está inseguro e precisa de uma mão para avançar. Quando se apela à autonomia, à imaginação, à criatividade, à auto-gestão… Impera o receio na cara destes jovens. Receio esse, tantas vezes, espelhado também na cara dos seus pais…

Porquê?

Primeiro porque o cérebro dos adolescentes está em desenvolvimento; e desenvolvimento emocional não anda de mão dada, ao mesmo ritmo, que desenvolvimento cognitivo.

Mas os adolescentes avançam com mais umas pistas…

Porque desde pequeninos sempre tivemos alguém que fizesse por nós.

Porque desde pequeninos sempre tomámos tudo por certo.

Porque desde pequeninos nos disseram “cuidado, vais cair” em vez de “coragem, tu és capaz.”

Porque desde pequeninos deixámos que pensassem por nós.

E com a sensação de se aproximar uma primeira grande decisão, decisão em relação à qual percebemos que temos de ser mais crescidos, surge um nervoso miudinho.

Se tal constituir um apoio, num mar de dúvidas, um Psicólogo poderá contribuir num processo de Orientação Vocacional.

Coragem! Com ponderação e sem medos, tomarão decisões conscientes, das quais se orgulharão.

imagem@publico

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