Sabemos que a necessidade de sono de um bebé não é a mesma que a de um adulto.

Quando nasce, o bebé passa muito tempo a dormir, mas também tem necessidade de acordar para se alimentar, mudar a fralda, receber carinho e aconchego, etc.

Há dois factos importantes a reter no que respeita ao primeiro ano do bebé: o crescimento físico (o peso da criança aumenta cerca do triplo) e o desenvolvimento (cognitivo, metabólico, motor).

O crescimento acontece durante o sono, ao passo que o desenvolvimento é estimulado enquanto a criança está acordada. No entanto, são complementares: a vivência do bebé enquanto está desperto é assimilada pelo organismo, repercutindo-­se pelo sono. É enquanto se alimenta e movimenta que os órgãos se desenvolvem; o que os órgãos assimilaram durante o período de atividade vai refletir-se durante o sono do bebé, promovendo o seu crescimento físico. Dada esta equação, torna-­se salutar conseguir um equilíbrio entre ambas as partes.

Até ao primeiro ano de vida deverá estar estabelecido um equilíbrio entre o ritmo dia/noite. Este vai verificar-­se pelo bom funcionamento dos órgãos e no desenvolvimento em geral.

Mas, e se a criança não dorme como devia? Dorme pouco, leva muito tempo a adormecer, ou tem interrupções no sono?

Podemos procurar dar resposta a algumas questões:

• Qual é o estado geral da criança de dia e de noite?

• Terá fome?

• O bebé sente frio ou calor? Está a usar roupa adequada? A fralda precisa de ser mudada?

• Como é o ambiente que rodeia a criança? A cama, o quarto, a família, o ritmo, a casa… há ruído, frio, organização, confusão?

• Tem cólicas ou prisão de ventre, comeu alimentos de difícil digestão?

• Estão a chegar os primeiros dentes?

• Existe um ritmo estabelecido?

• Como está a mãe? Satisfeita, cansada, alegre, ansiosa, frustrada?

Após observarem a criança e refletirem sobre as várias possibilidades, quando os pais descobrirem o que pode estar a gerar a instabilidade do sono, a pergunta seguinte é: o que fazer?

Se o bebé tem fome, naturalmente é alimentá-­lo. Numa primeira fase com leite materno (preferencialmente), tendo a mamã cuidado na sua alimentação para não tornar a digestão do bebé mais difícil.

Quanto à roupa escolhida para o bebé, uma boa opção será a lã merino, dado que regula a temperatura corporal. Em época de frio, um body de lã e seda garante que a criança permanece quente.

A própria caminha da criança deverá ser confortável e simples, transmitir conforto através de lençóis que respirem, 100% algodão, ou simplesmente um saco de dormir macio e confortável que mantém o bebé tapado. O berço deverá ter poucos bonecos ou distrações, para que o bebé entenda claramente que é um lugar para dormir. O quarto deverá ser arejado, limpo e organizado, de maneira a promover um ambiente acolhedor.

Se o problema for cólicas ou prisão de ventre, apostamos numa boa alimentação, onde os alimentos sejam pouco processados, em especial se o bebé vai dormir de seguida. Também um óleo próprio para massagem pode ajudar, aplicado na barriguinha em movimentos suaves e circulares, no sentido dos ponteiros do relógio. Posteriormente, uma bolsa de caroços de cereja aquecida, aplicada sob o abdómen do bebé, será também muito útil.

Entretanto, surgem os primeiros dentes, fase sobejamente conhecida e não pelos melhores motivos.

A maioria das crianças sente grande desconforto nesta altura, devido às dores provocadas pelo crescimento dos dentes, às vezes acompanhadas de febre.

Um mordedor dará uma ajuda, de preferência também de borracha natural como a chucha, e um bálsamo adequado para os primeiros dentes que acalme a dor.

No que respeita ao ritmo, é evidente: tentar, tanto quanto possível, fazer as mesmas coisas à mesma hora, transmitindo assim tranquilidade ao bebé (além de ser bom também para os pais, que poupam energia). Convém ter em mente uma das regras de ouro em relação aos distúrbios persistentes do sono: o sono da mãe é sagrado. Ela – e eventualmente o pai – deverá garantir um período de sono suficiente. Se assim não for, como poderá manter­se paciente e até presente nas várias horas de trabalho diário? A mãe deverá, pois, levantar­se o mínimo possível de noite.

Até perto do primeiro ano a mão que consola a criança no berço é uma boa solução. A criança sente-­se segura e volta a dormir. Pode também dizer, com tanta calma exterior e interior quanto possível, algo como: “Dorme bem, a mamã também vai dormir”. A mamã é o primeiro modelo que a criança imita, portanto se conseguir efetivamente deitar-­se e dormir também, tanto melhor. E mesmo que o bebé pequeno não entenda ainda o significado das palavras, ela capta a intenção do discurso.

Em situações em que seja necessário tomar alguma medida, como por exemplo levar a criança para a cama dos pais, é importante que apenas um dos adultos (mãe ou pai) a execute, porque a instabilidade tende a aumentar quando dois adultos têm o sono interrompido e, pior, se entrarem em conflito entre si.

Há outros fatores que podem contribuir para um relaxamento e assim promover um sono mais tranquilo, nomeadamente:

• um banho reconfortante numa banheira pequena em que possa ficar sentado como no útero;

• a técnica swaddle ­ durante os 2 primeiros meses sensivelmente, o bebé vai agradecer se o embrulhar em forma de crepe numa manta que fique justa. Existem mantas próprias para o efeito.

• um boneco de conforto – conhecido por doudou ou ó­ó – de preferência com lã por dentro,

uma vez que a lã absorve o cheiro facilmente, podendo reter o cheiro da mãe, que acalma o

bebé;

• uma chucha de borracha natural (a preferida da maioria), que estimula a sucção tão

característica e apaziguante nesta fase;

• uma massagem suave;

• fraldas à base de bambu, pois são mais frescas e absorvem mais, evitando muitas

mudanças da fralda durante a noite.

Entretanto, em casa ou na rua, leve o seu bebé junto a si, vai ser bom para ambos. Pode transportá­-lo num pano ou uma mochila ergonómica. Esta é uma excelente medida para ter um bebé relaxado, confiante, calmo e sem cólicas. Além disto, pode fazer as restantes tarefas sem ter de se preocupar em ir ao quarto de cinco em cinco minutos ver se o bebé está a respirar, ou sem ficar sob stress porque tem de carregar a cadeirinha/ovo e os sacos das compras.

O grande segredo é ter um bebé relaxado e descontraído para conseguir adormecer. Ritmo e rituais de relaxamento é tudo o que é necessário para todos terem um sono tranquilo.

Finalmente, a boa notícia para as super mães que se sentem super cansadas é: as noites mal dormidas são apenas uma questão de tempo, vai passar! Até lá, aproveitem os momentos em que, cheias de sono, se levantam para alimentar o bebé no silêncio da noite, porque têm-­no só para vós.

 

Por Marta Ribeiro, para Up To Kids®
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