Os nervos dos testes

Esta semana é de testes e, apesar de serem só três… não deixo de ficar nervosa.
Isto acontece porque sou uma mãe neurótica?
Isto acontece porque quero que a minha filha tenha boas notas?
Não.
Nada disso.
Acontece porque me deixo ser vítima do sistema.
Porque sei que a minha filha, apesar de ainda estar no primeiro ano, e só agora ter começado a sua vida escolar já é avaliada com percentagens para aqui e para ali, e para tudo e mais alguma coisa.
Porque recebo um papel descritivo com o que têm de estudar para cada teste.
Aquando do teste do quarto ano ouvi na rádio que os pais é que ficam nervosos e passam os nervos aos filhos. Os nervos dos testes são passados pelos pais?
A pergunta é: e o sistema e os professores (muitos contrariados) não passam esses nervos aos pais?
Sabemos que os miúdos têm de mostrar se estão a aprender ou não. Mas também sabemos, agora, que já somos adultos e carregamos o peso da responsabilidade de ter um trabalho e pagar contas, o stress que implica ter que corresponder e cumprir metas, sem falhas.

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Em que altura é que é certo imputar isto aos miúdos?
Sinceramente custa-me que aos 6, 7, 8 anos façam isto aos miúdos.
Têm uma vida pela frente de responsabilidades e desafios. Não precisam de tão cedo sentirem a pressão da análise da sociedade em tudo o que sabem ou não.
Acho que os miúdos têm de ser ensinados e têm de existir testes como sempre existiram.
Sei bem que há 60 anos existia o teste de admissão e agora há o do quarto ano.
Não me lembro é que a escola tivesse sido para mim uma pressão de testes. Lembro-me bem de na primeira classe até os fazer sem aviso.
Congratulo os professores que, no meio deste sistema exigente, conseguem fazer com que os miúdos gostem da escola e de estudar. Não é tarefa fácil.
Aprender tem de ser um processo natural e sem pressão, porque só assim se assimilam conhecimentos com facilidade.
A discussão já andou acesa no início do ano letivo, mas uma vez mais o tempo baixou a temperatura das brasas.
Resta saber até quando vamos continuar a insistir numa educação pela exigência e não pelo criar o gosto de aprender e saber cada vez mais.

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