aumento da auto-estima

As palavras positivas e o aumento da auto-estima dos nossos miúdos

As palavras positivas e o aumento da auto-estima dos nossos miúdos

Há uns dias assisti a um programa onde a convidada era uma professora com formação na área da psicologia que desenvolvia um trabalho muito interessante junto das escolas.

Começou a fazê-lo quando se apercebeu que as crianças do primeiro ciclo, nomeadamente as de sete e oito anos, tinham dificuldade em utilizar palavras positivas para se descreverem.

Enquanto pais acredito que achemos isto estranho porque se pedirmos aos nossos filhos para falarem de si eles apontarão a cor do cabelo, dos olhos e por aí. Mas é das emoções que se trata e da forma como se vêem a eles próprios. Nenhuma das crianças dizia que era divertida, bem-disposta ou forte.

Tenho uma rotina com a minha filha depois de a ir buscar à escola que passa por a fazer enumerar as duas coisas que gostou mais no seu dia e as duas que gostou menos. Invariavelmente as negativas são as chamadas queixinhas. Comecei por não aceitar mas percebi que ao fazer-me as tais queixas havia emoções por trás das acções que as desencadeavam.

Assim, quando ela me diz “o que gostei menos foi quando o X me empurrou no recreio” ou “quando a Y disse que não queria ser minha amiga” tento, em vez do automático “pois, isso não se faz”, enveredar pelo “e como é que isso te fez sentir?”.

Porque é importante as crianças conseguirem identificar as suas emoções.

Só estando estas emoções devidamente identificadas podem ser descritas e só assim se pode explicar por que motivo são consequência dos comportamentos dos outros e, acima de tudo, o que gostaríamos que tivesse acontecido. E o que faríamos no lugar do outro.

Não raras vezes quando a minha filha está a brincar ao faz de conta ralha com os amigos. Aponta o que estão a fazer de errado. Outras vezes até diz “a não sei quantas não quer ser minha amiga, não sejam amigos dela”. Isto existe desde sempre, lembro-me quando era eu a estar no meio deste ritual. Tinha uma amiga mais nova com a qual nunca brincava no recreio da escola, apesar de sermos amigas fora da escola, porque havia uma amiga sua que não a deixava. A marca que isso me deixou foi a da irritação, mais do que a da mágoa. Porque tinha a sorte de ter outros amigos e de não sentir esta falta. Mas há crianças cujo núcleo duro de amizades próximas se reduz a mais um amigo. E nestes casos estas atitudes podem ter um impacto muito grande.

Ainda na semana passada, ao falar com uma das meninas novas da sala da minha filha que sempre que me vê me abraça, perguntei: “o teu dia foi bom?” E ela disse que não porque uma das amigas não quis brincar com ela.

Faz parte? Claro que sim.

Queremos que os nossos filhos cresçam para serem emocionalmente independentes dos outros, mas o crescimento, o verdadeiro crescimento, faz-se das relações que se estabelece com o meio e com os que nos rodeiam.

Por isso tento explicar à minha filha que se não gostou de se sentir excluída não deverá fazê-lo quando a situação for oposta. E isto serve para tudo na vida.

Outro exercício que tento fazer com a minha filha é “gostas da X porquê?” e só aceito as respostas quando têm alguma profundidade, quando chegam ao “ela tem paciência para brincar comigo” ou “quando estamos juntas cantamos e isso deixa-me feliz”.

Trabalho muito a questão da imagem própria valorizando o que se é e não o que se aparenta.

Valorizo as conquistas.

Elogio o esforço.

Evito que a minha filha me oiça falar de forma menos positiva das outras pessoas.

É expressamente proibido criticar os mais velhos. Quando ela me aponta um comportamento que supostamente vai contra aquilo que lhe foi ensinado eu texto explicar. E muitas vezes explico que há coisas que não têm explicação, as pessoas fazem coisas que não devem. Erram. Porque somos todos humanos, mesmo os mais crescidos.

E os mais crescidos também ainda estão a aprender.

Acredito que miúdos que têm as suas emoções reconhecidas têm menor tendência para as retrair. 

Muitas vezes podem não nos parecer legítimas ou justas (“nunca me compras nada, não me deixas fazer nada”) mas é importante que sejam valorizadas no contexto, nem que seja para a criação do diálogo.

Quantas vezes estamos a fazer uma coisa e nem nos apercebemos do quão errados estamos? Este feedback também nos ajuda a ser melhores pais. E a ganhar confiança nas opções que tomamos quando elas correm bem.

Queremos que os nossos filhos sejam adultos saudáveis e isso só é possível se esta saúde lhes for proporcionada por nós. Seja em forma de sopa e legumes, seja em forma de amor e inteligência emocional.

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