Devemos partilhar tudo com os nossos filhos?

Devemos partilhar tudo com os nossos filhos?

Devemos partilhar tudo com os nossos filhos?

Como pais temos a missão de escudar os nossos filhos. De os proteger e evitar que fiquem assoberbados com aquilo que não é nem deve ser preocupação sua.

Há uns dias estava tão distraída nos meus pensamentos que não me apercebi que já não estava sozinha. A minha filha estava na sala a montar um puzzle e eu a terminar de preparar a salada para o jantar. Por isso não esperava que me abraçasse as pernas. Olhei para baixo e ela olhou-me aflita “estás a chorar porquê, mãe?”. Levei a palma da mão ao rosto e apercebi-me que tinha começado a chorar sem dar conta.

Nesta situação havia dois caminhos a seguir: desvalorizar, dizendo que aquilo que a sensibilidade da minha filha tinha detectado (acredito que somos feitos de energia e que ela terá sentido a minha na sala ao lado e sentiu-se atraída e vir ter comigo) não era coisa alguma. Ou dizer a verdade. E como invariavelmente faço, optei pela segunda.

Quis descansá-la, não preocupá-la e disse-lhe que estava triste. Quis saber se com ela, se tinha feito alguma coisa, e depressa expliquei que não, que eram coisas de crescidos, mas que ia ficar tudo bem. Deu-me um abraço forte e quis saber se tinha ajudado. Nem ela imagina o quanto.

Somos mães mas somos também mulheres. Somos profissionais, somos companheiras, amigas, amantes e temos todas essas vertentes dentro de nós e não deixam de existir quando temos filhos. Quando o ser mãe chega à equação é mais um ingrediente que temos de juntar, que passa a ditar, na maior parte das vezes, o sabor dos cozinhados.

Devemos partilhar tudo com os nossos filhos?

Quero, em primeiro lugar, valorizar a empatia que a minha filha mostrou.

Em segundo lugar mostrar que as mães são humanas. Apesar de muitas vezes os filhos nos verem como super-heróis: acredito que essas pequeninas rachas na armadura nos fazem ser ainda mais fortes aos olhos dos nossos filhos.

Por fim quero que ela entenda que não há problema em verbalizar os sentimentos. Em chorar, em desabafar. Espero que cresça para se tornar uma pessoa que reconhece o seu direito à tristeza, à indignação, à dor e não sente que são uma fraqueza. Porque não são. Na maior parte das vezes ajudam-nos a fortalecer os muros da nossa estrutura, noutros a deitar abaixo muros que tínhamos construído com muitas certezas que hoje já não temos.

Sei que existem pais que optam por partilhar tudo com os filhos, envolvendo-os em tudo, sem filtros nem grande consciência das marcas que estão a provocar. Sou adepta da máxima “no meio está a virtude”.

As crianças são crianças e devem viver sem preocupações de adultos. Sem o peso da tristeza ou sensação de falhanço dos pais, das suas relações (sejam elas quais forem), devem crescer rodeadas de reforço positivo, de uma crença num amanhã melhor, mesmo que esse amanhã demore muitos amanhãs a chegar.

Quando a minha filha me abraçou as pernas, tinha o coração do tamanho de uma cabeça de alfinete e quando me fez uma festa no rosto o meu coração aumentou de tamanho cinco vezes.

Porque a maternidade também é feita destes pequenos milagres. Dos momentos de conexão, de nos olharmos nos olhos e dizermos ao outro “não estás sozinho, vai correr tudo bem”.

E vai, só temos de nos ir dando a mão de vez em quando.

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