Não sei o que hei-de fazer com este meu filho

Não sei o que hei-de fazer com este meu filho

Em toda a minha carreira de 18 anos na Educação, esta é uma das frases que eu ouço mais frequentemente: “Não sei o que hei-de fazer com este meu filho”. Pensamos: “Deve ser um adolescente de 17 anos, que já aprontou todas”. Aí vem o susto: o tal filho, é uma criança de 1 ou 2 anos!

E os pais já não sabem o que hão-de fazer com ele!

A verdade é que os pais encontram-se cada dia mais fragilizados e sem saber o que fazer para educar os filhos. Talvez porque tenham sido a última geração de filhos que obedeceu aos pais, tornando-se também a primeira geração de pais que, covardemente, obedece aos filhos.

Seja por preguiça ou por falta de conhecimento (nunca por má fé, acredito eu), os pais estão a abrir mão de exercer o papel que lhes compete na educação, comprometendo seriamente o desenvolvimento psicológico dos seus filhos que esperam, sequiosos, por um adulto competente que os direcione nos caminhos da vida.

E já que a frase é “Não sei o que hei-de fazer…”, trouxe 5 dicas para que vocês, pais, recuperem o seu lugar único e exclusivo, pois acredito muito no poder do conhecimento para despertar a transformação nas nossas ações diárias.

1ª – “Reintegração de posse afetiva”.

Expressão utilizada pelo psicólogo Rossandro Klinjey, para referir a necessidade que os pais têm de reassumir a sua posição hierárquica na relação. Conquiste outra vez o seu lugar e assuma o controle da situação;

2ª – Repita a norma até a exaustão

Educação é o conjunto de hábitos adquiridos. E construir hábitos não é uma tarefa fácil. Exige repetição. E repetição cansa. E cansados abrimos mão.

Não desista! Repita as regras até que haja interiorização. Como quando falamos com nossas crianças para calçar os chinelos ou escovar os dentes um milhão de vezes.

3ª – “Vou dar tudo que não tive ao meu filho!

Cuidado! Foram exatamente as frustrações que precisamos vivenciar que nos formaram com o caráter de hoje. Dê ao
seu filho o suficiente para que ele cresça saudável e feliz, mas não dê tudo. Assim, ele reconhecerá o valor das coisas;

4ª – Dê uma base sólida à criança

Se os alicerces de conhecimentos e valores que damos aos nosso filhos forem firmes e seguros, quando os conflitos começarem a surgir na sua vida, terão uma base sólida onde se apoiar e conseguirão equilibrar-se.

5ª – Apresente a frustração.

Há um conceito na psicopedagogia chamado de frustração ótima, que é a frustração apresentada pelo amor da família. Se os nãos
começarem a ser recebidos do pai e da mãe, as estruturas emocionais e psicológicas estarão fortalecidas para as frustrações que surgirem ao longo da vida.

Passe a vivenciar estas 5 dicas no exercício quotidiano da sua parentalidade. Isto já produzirá grandes transformações na convivência com sua criança, bem como com toda a família.

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