pedir desculpas

Pedir desculpas aos filhos: sim ou não?

Pedir desculpas aos filhos: sim ou não?

Tenho verificado que, para muitos pais, o pedido de desculpas – quando é devido por eles – fica por dizer.

Há quem defenda que por uma questão de separação de águas e demarcação da hierarquia, os pais não devam pedir desculpas.

No meu caso tenho feito um trabalho que começa no que considero ser mais importante – o fomento da empatia.

Sei que como em todas as regras, estas têm de ser implementadas sem dar grande destaque à excepção, para que a dita regra não seja constantemente minada antes de ser apreendida. E, por isso, ensinamos os nossos filhos a pedirem desculpa sempre que se faz ou diz algo que não se devia ter dito ou feito.

O resultado é, muitas vezes, a criança acabar por pedir desculpa como um automatismo de resolução de um conflito, esteja ou não arrependida do que acabou de fazer. E por isso, para mim, é um pedido de desculpas vazio e que tenho relutância em aceitar (vindo de crianças mas tantas vezes de adultos…).

Por este motivo tento que quando a minha filha pede desculpas o sinta. Se ponha no lugar do outro. Mostre arrependimento, sem dramas. Ajustando naturalmente à cabeça e aos comportamentos de uma criança de quatro anos.

Assim sendo, e acreditando eu na educação através do exemplo, acho importante – se não mesmo essencial – que os pais encontrem em si a humildade suficiente para pedir desculpas no momento que assim o exige.

Isto não deforma negativamente a maneira como a criança olha o adulto, fortalece os laços de confiança e segurança.

Porque se vê no adulto de referência alguém que faz o que ensina (e não o “faz o que digo, não faças o que eu faço”) reconhece os erros e mostra vontade de, de forma saudável, revisitar o que aconteceu – para conversar sobre os motivos, para que não volte a acontecer, pelo menos da mesma forma.

Acredito que se assim não for então a relação que as nossas crianças vão estabelecer com as figuras de autoridade e com aqueles que estarão acima ou abaixo deles na hierarquia no trabalho, por exemplo, estará desde logo condicionada. Queremos todos que se transformem em adultos/trabalhadores/amigos/colegas/pais/pessoas capazes de pedir desculpas. E todos já sentimos como é importante que situações de injustiça sejam sanadas. Que ter um chefe que sabe reconhecer que devia ter seguido outro caminho, pode mudar a forma como encaramos as nossas relações com os outros.

Na minha sala tenho uma daquelas tábuas com frases que ditam as regras da casa. Duas delas são “sê agradecido, pede desculpas”

Por aqui as regras são como o amor. São universais.

E valem para todos.

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