Regras para vencer as birras

Regras para vencer as birras. Aprenda a lidar com o seu filho

Regras para vencer as birras

Birras: como lidar com elas

É domingo à tarde, estamos a fazer compras no nosso supermercado favorito. Neste momento encontramo-nos a escolher qual o jantar especial de logo à noite… quando de repente ouvimos gritos. Ao olharmos nessa direção apercebemo-nos de uma criança irritada e chorosa a apontar para um qualquer brinquedo da moda. Ao seu lado a sua mãe, envergonhada ao reparar nos olhares de desaprovação das pessoas ao seu redor. Sabemos que os olhares não falam, mas ela ouve-os perfeitamente: “tens de agir, tens de controlar o teu filho”.

Bom, este é um cenário comum. Mas porque é que isto acontece?

As birras infantis não são simplesmente um indicador de mau comportamento, podem significar muitas coisas. A criança não tendo grandes competências de gestão emocional, vai utilizar os meios ao seu alcance para se expressar. Faz birras, seja por tristeza, desconforto, sono, medo. Choram, gritam, empurram, atiram-se para o chão, dão pontapés, atiram objetos. Por vezes pelas razões mais simples: “não quero vestir essa camisola”, “não quero comer”, ”não quero ir dormir”, “não consigo fazer isto”…

As birras são normais e todos já passamos por elas. Sabemos que são diferentes de criança para criança, pois a forma de expressão vai diferir entre elas. Contudo, a forma da birra não é o mais importante. O mais importante é sim, como os adultos reagem a ela.

Regras para vencer as birras:

1- Não ceder

Muitas vezes, parece que somos “obrigados” a ceder às birras das crianças, principalmente se, tal como no exemplo inicial, estivermos num sítio público. A verdade é que, ao ceder, só estamos a piorar a nossa situação. Quando cedemos à birra de uma criança estamos a dizer-lhe várias coisas e a ensinar aspetos importante acerca das interações com os adultos. Em primeiro lugar, que as birras são aceitáveis. Em segundo lugar, que esta é uma boa forma de obterem o que querem. Ceder dará início a um ciclo vicioso difícil de controlar.

2- Não se deixar levar pelas próprias emoções

No seguimento da regra número 1, o controlo emocional pela parte do adulto é a estratégia mais eficaz para lidar com a birra da criança. Imaginemos: A criança chora porque quer levar um brinquedo do supermercado, os pais dizem que não pode ser, aí a criança chora mais (Obviamente! Talvez os vença pela vergonha ou cansaço.) e aí os pais dão-lhe uma palmada para a punir pelo comportamento. Por um lado, mostramos à criança que bater quando nos zangamos é algo que podemos fazer. Por outro, se inicialmente havia 1 elemento emocionalmente descontrolado e agora existem 2.

Nunca esquecer: as crianças aprendem muito bem por observação e imitação.

3- Dê-lhe espaço para se acalmar.

Tudo o que poderá dizer enquanto a birra estiver a ocorrer não terá grande efeito, até esta se acalmar. Pode optar por tirar a criança do sitio onde ela está e esperar que esta se acalme ou simplesmente esperar que ela naturalmente abrande quando perceber que não está a ter o efeito desejado.

4- Não faça ameaças que sabe que não vai cumprir

Frases como “Se não paras de chorar vamos embora daqui” ou “se não paras com isso nunca mais vens ao parque infantil” poderiam resultar, mas a verdade é que não têm qualquer influência no comportamento da criança porque ela sabe que o mais provável é que não aconteça.

5- Atuar no pós-birra

Após a birra acalmar, converse com a criança. Faça-lhe perguntas sobre a forma como se sentiu e ensine-lhe algumas regras que sejam importantes.

Quando diz “não” à criança, explique-se o porquê do “não”. Respostas como “porque eu é que mando” não resultam, só vão gerar mais frustração na criança cujo principal desejo é ser ouvida.

6- Evitar as birras

A solução para evitar as birras, por exemplo, no supermercado, não é deixar de levar a criança. Muito pelo contrário. É importante ela ir, e aprender aos poucos a comportar-se. Poderá haver uma conversa antes de saírem de casa: “vamos às compras, mas não podes pedir brinquedos nem doces”, ou “se te portares bem (explicar o que isso implica para si) podemos jogar um jogo quando chegarmos a casa”. Poderá também dar-lhe um papel mais importante nesta ida às compras, por exemplo, dar-lhe a escolher entre 2 tipos de bolachas que quer comprar, sendo as opções dadas pelos pais.

Mais do que punir o mau comportamento, é reforçar a boa conduta quando esta acontece. Desta forma os comportamentos desejados tenderão a ser repetidos com mais frequência porque a criança se sente valorizada ao ser “premiada” com elogios.

O Centro Catarina Lucas nasce na sequência do trabalho desenvolvido pela psicóloga Catarina Lucas ao longo dos anos, na área da psicologia e desenvolvimento.

Conta com uma equipa multidisciplinar de cerca de 30 profissionais especializados em diversas áreas da psicologia e do desenvolvimento humano, prestando serviços nas áreas da psicologia para adultos, infantil e juvenil, aconselhamento parental, terapia de casal, terapia familiar, sexologia clínica, neuropsicologia, hipnose clínica, orientação vocacional, psiquiatria, terapia ocupacional, terapia da fala, nutrição, naturopatia, osteopatia, entre outros.

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