dar-te-colo

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Quero dar-te colo…

Quero dar-te colo…

À menina que ontem chorava no parque infantil: quero dar-te colo.

Quero que as lágrimas que choras sejam substituídas por sorrisos, porque o teu sorriso é maior do que as palavras que a tua mãe te diz.

Sim, eu oiço-a. Oiço-a a apressar-te, a dizer para não estares outra vez a subir o escorrega porque nunca consegues subir sozinha. Para não seres parva. Para largares a bola do menino. Que lá estás tu a correr.

Quando cheguei ao pé do escorrega e te vi olhar as escadas como se do Everest se tratasse, estendi-te a mão. Os teus olhos piscaram como se não percebesses. Vem, tenta subir, disse-te. Ajudei-te a subir duas vezes e à terceira fizeste-o sozinha. Olhaste em volta à procura da tua mãe e ela estava de costas, mais preocupada com o pó que se tinha acumulado nos sapatos do que com as tuas conquistas. Fiz-te uma festinha e tive a sensação que não devias receber nenhuma há muito tempo.

Gostava que a tua mãe visse como o encorajamento te fez vencer uma etapa em apenas meia hora. Em como o peso das palavras positivas te fez chegar longe quando o das palavras negativas te fazia agarrar as escadas com força e perder a coragem.

Gostava que ela soubesse que devia ser a pessoa mais importante para ti. Eu sei que é, mas não está a cumprir com o seu papel.

Daqui a uns anos vais virar-lhe costas porque ela não te apoia, nunca te apoiou. Eu sei que é mais fácil ser mãe de meninos bem comportados, de meninos que sabem sempre as respostas certas, que conseguem sempre as coisas à primeira. Sei também que esses meninos quase não existem. E tu não devias querer ser como eles.

És única e tens os teus desafios. Mereces ter tempo para ultrapassá-los. Para falhar. Para chegar mais longe, seja qual for esse longe, porque cada um tem os seus limites. Mereces ter alguém que te estenda a mão.

Gostava que fosses abraçada todos os dias e te dissessem como gostam de ti.

Porque a tua mãe gosta de ti, só não foi ensinada a gostar. Talvez a mãe dela fosse assim, como ela é. Mas promete-me que vais pegar em tudo isto e ser diferente com os teus filhos. Que não vais poupar abraços, que vais esforçar-te por ter uma palavra boa a dizer. Promete-me!

Queria dar-te colo. Queria sussurrar todos os dias ao teu ouvido que vais chegar longe.

Talvez não chegues porque te está sempre a ser dito que não consegues. Ou talvez, precisamente por causa disso, te esforces para provar que a tua mãe está enganada.

Talvez sejas tu quem tem de a ensinar a gostar. A manifestar o amor.

Eu acredito em ti.

Acredito que por trás desses olhos tristes vai haver uma grande pessoa.

Queria dar-te colo, mas não vou estar por perto para to dar.

Por isso, minha querida, sempre que ouvires coisas que te fazem duvidar de ti mesma, canta. Canta baixinho a tua música preferida e deixa que ela te leve…

Tu és capaz.

Acredita.

imagem@jillgreenberg

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