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Será que sou má mãe?

Existiu um momento da minha vida em que esta questão estava constantemente presente em mim: será que sou má mãe?

Os comportamentos do meu filho, as queixas e críticas constantes por parte da escola, os comentários e olhares reprovadores da família magoavam-me tanto que, por muito que tentasse, não conseguia reagir com ele de acordo com a intenção da mãe que queria ser. Gritava, castigava, reprovava, comparava. A seguir sentia uma culpa enorme e questionava o meu papel de mãe. Era muito cansativo. De manhã quando acordava prometia a mim mesma que ia mudar, que ia começar a ter outras atitudes e desvalorizava o episódio. E até podia aguentar alguns dias com esta esperança mas, a verdade é que pouco tempo depois, este ciclo voltava a repetir-se.

Esta situação deixava-me completamente esgotada pois existia uma discrepância enorme entre a mãe que era e a mãe que queria ser. Estava a chegar a um ponto em que o meu amor próprio estava a diminuir a olhos vistos.

Depois de um longo caminho interno, uma das coisas que percebi que me impedia de libertar-me dessa espiral era o sentimento de culpa. A culpa foi o grande obstáculo durante muito tempo à minha mudança. Porquê? Esta emoção corroía-me de tal forma que a tendência que tinha sempre que esta surgia era de fugir rapidamente. Como? Desvalorizava a reação que tinha com o meu filho ou culpava-o pela minha atitude.

Foi preciso fazer as pazes com a pessoa que era e ter consciência do caminho em que me encontrava para começar a mudança. O primeiro passo foi encarar a culpa de frente. Uma das coisas que aprendi e que se tornou um mantra para mim foi aprender a ser amável comigo: “Tu estás a fazer o melhor que podes com os recursos e consciência que tens”.

Esta foi uma aprendizagem poderosa porque a partir dai, sempre que a culpa surgia, em vez de tentar fugir, olhava-a de frente e perguntava-lhe: o que me queres dizer?. E em vez de começar a entrar no tal ciclo vicioso e iniciar uma série de questões que colocavam em causa a mãe que era (“sou má mãe?”), praticava a amabilidade para comigo (“tu estás a fazer o melhor que podes!”) e abraçava-me. Sim, abraçava-me! Já alguma vez se abraçaram? Podem começar Agora. Somos tão gentis para com os outros, porque não o somos com nós mesmas?

Um dos meus diálogos com a culpa foi este:

Eu – Qual a mensagem que tens para mim?

Culpa – Tens que ser mais calma e ser mais paciente com o teu filho.

Eu – Como? Estou completamente esgotada!

Culpa – O que precisas de fazer para ficar menos esgotada?

Eu – … Cuidar mais de mim.

Foi um daqueles momentos “Aha!”

Continuei a desenrolar o novelo… E percebi: inconscientemente as atitudes do meu filho, ao contrário do que poderia supor, não eram para me fazer sentir a pior mãe do mundo (sim, era o que sentia) mas sim para aprender a cuidar-me, porque, na realidade, era por essa falta de autonutrição que muitas vezes não conseguia lidar de forma serena aos desafios que o meu filho me colocava.

Hoje quero deixar-te com estas mensagens para te ajudar a romper com esse ciclo destruidor:

  • Escolhe ser amiga da culpa, não fujas dela, e pergunta-lhe: porque te estou a sentir? que mensagem tens para mim? que mudança tenho de fazer? Encara a culpa como uma mensageira.
  • Tens dentro de ti uma voz que te pode ajudar lidar com a culpa. A voz a que me refiro está muitas vezes em silêncio mas existe dentro de ti. Chama-se: amabilidade. Escolhe ser amável para contigo. Tu és uma mãe maravilhosa e estás a fazer o melhor que podes. Abraça-te!
  • O teu filho só quer que te ames incondicionalmente e vai fazer tudo para te levar a trabalhar nesse sentido. Ele vai deixar-te completamente esgotada até perceberes que tens de te amar, com tudo que és, para conseguires ter uma relação harmoniosa com ele. O que estás à espera para dar um passo nesse sentido? Qual vai ser a tua escolha?

Tu não és má mãe, tu és a melhor mãe que o teu filho poderia ter. Cuida de ti!

Por Carla Patrocínio, Coach Parental, Blog Meus filhos meus Mestres, para Up To Kids®

imagem@divany

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