Tempo de Qualidade

Tempo de Qualidade

Hoje acordei com dores de cabeça, borboletas na barriga e um vazio no coração….

Naqueles escassos segundos de reflexão depois do despertador tocar e antes de por o pé fora da cama para começar um novo dia, dei por mim a pensar…. Consigo perceber as dores de cabeça, de facto tem sido um mês maravilhosamente difícil, cheio de novos projectos, assuntos para pensar, decisões para tomar. Mas e o resto?

A cabeça logo se ressente quando anda em turbilhão e as dores de cabeça são sempre um primeiro sintoma para a lembrar de parar e respirar. Mas porquê a ansiedade e o vazio no coração que lhe dava vontade de chorar e de não ir trabalhar?

Num mundo perfeito seria assim! Mas não é esse o nosso mundo e mesmo quando sentimos as pernas a fraquejar ou o coração a apertar, lá vamos nós, resgatando toda a energia que ainda existe no submundo do nosso ser para podermos cumprir as nossas responsabilidades. No momento em parou e de alguma maneira tentou escutar sobre o que lhe falava o seu corpo, pensou na sua família.

Geralmente o meu coração de mãe “apita” quando eles não estão bem ou quando sinto que estou mais longe deles e das suas vidas. Este era um claro sinal do que lhe falava o seu corpo e o seu coração e por aqui começava a encontrar o caminho da sua reflexão, o caminho da sua ansiedade e o caminho da sua tristeza.

A agitação em que andava fazia com que se sentisse assoberbada, desenraizada e longe. Quando nesta vida que nos atropela pela quantidade e velocidade com que se processa tudo à nossa volta, não conseguimos contrariar a tendência para a alienação; Quando grande parte de nós se torna num mero automatismo, sem conteúdo e sem capacidade de ver, estar e sentir; Quando todo este furacão nos faz perder o acesso a dimensões necessárias de profundidade…. Sentimo-nos assim!

Embora nada tivesse sido diferente nessa semana, em termos do seu tempo em casa, a verdade é que estava absorvida pela hiperactividade mental e como tal fisicamente presente mas emocionalmente ausente. Encontrava-se alheada nos seus pensamentos e o tempo de qualidade de que todas as crianças, mães, pais e famílias precisam estava comprometido pela indisponibilidade emocional.

Surge assim esse sentimento que tão bem conhecemos e que é uma mistura entre o prazer ou a necessidade de uma vida profissional e a culpabilidade de não termos tempo para os nossos filhos. Será que nos sentimos assim porque realmente temos pouco tempo para a nossa família, ou existem outros mistérios por decifrar?

Na verdade não precisamos de muito tempo uns dos outros, mas precisamos de tempo de qualidade. Tempo no qual estamos presentes e entregues à dinâmica da relação e não emersos nos nossos fantasmas e nas nossas preocupações; Tempo em que apenas estamos, sem stress e nos deliciamos a vê-los crescer; Tempo para conversar, rir, chorar e brincar; Tempo em que não os levamos a passear mas passeamos com eles; Tempo no qual, como diria o meu filho, partilhamos a vida!

Na verdade o que nos falta não é quantidade, mas sim Tempo de Qualidade!

Por Ana Galhardo Simões, Psicoterapeuta Corporal
para Up To Lisbon Kids®

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