Terapia do abraço

Terapia do abraço. O seu filho portou-se mal? Dê-lhe um abraço!

Hoje de manhã encontrei à saída do metro um pai que participou no workshop de Disciplina Positiva que dei no início do mês.

Trocámos os bons dias e algumas palavras de circunstância, perguntei pelos filhos e quando eu me preparava para seguir caminho, percebi pela sua expressão inquieta que queria falar. Desabafar.

Não tardou a contar-me que andava a sentir-se em baixo, frustrado, desesperado. Tudo por causa dos constantes ataques de fúria do filho mais velho de 5 anos. Disse-me que já tinha tentado tudo. E que ralhar ou castigá-lo só estava a piorar as coisas.

Convidei-o para um café e expliquei-lhe que uma criança que se porta mal é uma criança desanimada. E que a melhor forma de enfrentar aquele tipo de comportamento é através do estímulo. Vi-o torcer o nariz enquanto eu falava, percebi que achou a ideia um disparate. E verbalizou-o: “Estímulo? Mas assim estarei a premiar o mau comportamento dele”. Respondi que não, que uma criança se porta melhor quando se sente melhor.

Ficou a pensar uns segundos no que lhe disse e decidiu experimentar uma sugestão que lhe dei, que tem tido bons resultados em minha casa, com os meus filhos. Combinámos falar uma semana depois, para saber como tinha corrido.

Voltámos a falar uns dias depois, como acordado. E nem foi preciso eu fazer perguntas. “Anteontem, quando o filho começou a fazer uma birra daquelas, pus-me de joelhos à altura dele e disse-lhe: ‘Preciso de um abraço!’

Perguntei-lhe como tinha reagido a criança. “Ficou surpreendido e disse-me, entre lágrimas: ‘o quê?’ Voltei a dizer-lhe que precisava de um abraço e ele, atónito, perguntou: ‘Agora?’ Respondi-lhe que sim e, a custo, lá me abraçou”.

A birra tinha terminado. E pai e filho ficaram ali, envolvidos num longo abraço.

E depois do abraço?

“E depois do abraço, o que é que faço quanto ao mau comportamento? Deixo passar?”. É a pergunta que quase todos os pais me fazem quando lhe falo desta “ terapia do abraço ”, uma das técnicas mais utilizadas na Disciplina Positiva.

Muitas vezes um simples abraço é suficiente para pôr fim, no imediato, ao mau comportamento. Mas nem sempre. Há alturas em que a criança está de tal forma alterada que não está disposta a dar ou receber qualquer tipo de estímulo. Nessas situações pode sempre arriscar dizer-lhe:  “gostava que me desses um abraço, quando estiveres pronta”.

Um abraço serve pelo menos, na maioria das vezes, para criar um ambiente mais desanuviado e motivador. E pode ser a oportunidade ideal para criar conexão – ou recuperar a conexão perdida -, fazendo perguntas, dando opções limitadas, distraindo, fazendo coisas juntos… e comprometendo-se juntos a procurar uma solução para o problema.

Atenção ao castigo!

Infelizmente, são muitos os pais acham que os filhos devem sentir na pele o mal que fizeram. E a forma que encontram para que tal aconteça é fazendo com que sintam culpa, vergonha ou dor (castigo, por outras palavras). Em vez disso, pode sempre tentar dar ou pedir um abraço.

Caso este método não funcione aí em casa, não desespere. Afinal, não há uma receita única para todas as crianças. E há outras alternativas para lidar com o comportamento dos mais pequenos, de que tenho vindo a falar (e continuarei a fazê-lo) neste site.

Se acha que tem “tentado tudo” e não consegue resolver a questão, é provável que se encontre numa luta de poderes ou num ciclo de vingança com o(s) seu(s) filho(s). O que só que aumenta neles a desmotivação. Experimente partilhar os seus erros com eles. E peça-lhes ajuda para melhorar, comecem de novo. Admitir os seus erros é uma das coisas mais estimulantes que pode haver para uma criança.

imagem@aftenposten

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Sou pai a dobrar, na casa dos 40, e tenho um sonho: ajudar as crianças de hoje a serem adultos (mais) felizes amanhã.

Criei a Academia Educar pela Positiva, através da qual pretendo ajudar pais e educadores na importante missão de EDUCAR, com base nos princípios e “ferramentas” práticas da Disciplina Positiva, modelo educativo que mudou (para melhor) a minha vida e a relação com os meus filhos.

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