Eu não estou estranha, sou SÓ Mãe de um adolescente

– Porque é que estou estranha? “Estranha”, como? Estás a falar do meu “despenteado” e dos meus gritinhos nervosos quando me rio, ou de andar mais distraída, e da minha futura ulcera?”

Adorava ter um bocadinho, vá, um niquinho, da descontração natural de tantas Mães que conheço. Que deixam os filhos de 13 anos irem sozinhos para a praia e que confiam imenso neles, mesmo sabendo que fazem asneiras tipo mergulhar de 15 metros de altura do bendito “Santuário da Guia” … Sim, existe! E eles vão lá para saltar mesmo correndo o risco de se esborracharem nas rochas durante a escalada de não sei quantos metros até ao topo.

MAS PORQUE É QUE ME CONTAM ESTAS COISAS?! Preocupo-me em demasia porque faço sempre aquela previsão estúpida da desgraça atípica – Lembro-me da Ally McBeal quando imaginava o que gostava mesmo de fazer em vez de agir de forma “politicamente correcta”. Pensamentos que tenho quase vergonha de assumir (há uma hipótese de haver pensamentos que nunca assumirei. Tipo aquela mulher que tinha os filhos em cativeiro…UPS! Já disse…): *Vou enfiá-lo numa bola gigante inquebrável sempre que sair de casa sem mim; *Telefona-me de 5 em 5 minutos; *Levas aqui uma lista com 20 páginas A4 das coisas que não podes mesmo fazer; *Podes ir mas tens que cá estar daqui a 5 minutos. Estas e outras assombram-me as férias… deles! Ando numa luta contra mim e… tenho tido bons resultados! Principalmente junto de Mães como eu. HISTÉRICAS! Já oiço coisas como: “Tu estás doida?”, “Porque é que o deixaste ir?” ou “Não achas que aquilo é perigoso para o miúdo?”. Quando oiço estas e outras sinto um misto de “estou no bom caminho” e “estou a abusar na dose”, ou não andasse eu numa luta interna! Sinto-me numa batalha onde o “inimigo” é o meu melhor, fiel e mais querido amigo. No final, todos seremos vencedores e derrotados… e isto, a mim, diz-me que tenho de ceder em coisas que outrora (outrora dá-lhe uma conotação distante – não foi assim há tanto tempo) critiquei nos outros. PIMBAS! IN YOUR FACE! Ser Mãe é entrar de olhos vedados numa casa e tentar encontrar a porta. Bater várias vezes contra as paredes e perceber que a saída é só uma… pela porta! Aceitar todas as cabeçadas que damos e deixar que os nossos filhos as deem também, tendo como alento que as mensagens que lhes passamos através da educação serviram para alguma coisa. Ser Mãe é perceber que os filhos não são só nossos e não ficar insana com isso… Ser Mãe é saber que se continuarmos neste registo vamos ser umas cabras de umas sogras! No fim, ser Mãe é… ser LOUCA! Hoje desabafo convosco na esperança de vos ouvir dizer “Ohhh Inês… Sou igual!”

Por Inês de Santar, para Up To Kids®
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Inês de Santar é a segunda de seis irmãos. Em 2009 começou a escrever o seu primeiro romance e, em 2012, revela publicamente o seu gosto pela escrita, com a abertura da página Inês de Santar.

Como pais e educadores, haverá alguma forma de andarmos um passo à frente dos nossos filhos? Será isso necessário? Como fazê-lo?

3 thoughts on “Eu não estou estranha, sou SÓ Mãe de um adolescente
  1. “Ser Mãe é entrar de olhos vedados numa casa e tentar encontrar a porta.”
    Nunca tinha lido “imagem” mais bonita. É fantasia, é amor, é vida e imaginação! Imagino uma mulher sem olhos a tentar entrar por uma janela e é como me sinto! Parabéns!

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