Fazemos o melhor que conseguimos mais não nos pode ser exigido

Fazemos o melhor que conseguimos mais não nos pode ser exigido

Fazemos o melhor que conseguimos mais não nos pode ser exigido

Nos dias em que acordo com um nó na garganta e o medo a sussurrar-me ao ouvido, faço um esforço para olhar para fora da janela e procurar o sol. Ajuda-me a perceber como sou pequenina neste mundo, como todos os meus problemas devem ser vistos a essa escala, sob pena de sucumbir aos receios.

Sei que nem todos os problemas são pequenos ou descartáveis com um olhar para o sol, não é isso que quero dizer. Quero, isso sim, não esquecer que amanhã o sol vai continuar ali e eu, se tudo correr bem, também.

Ter filhos ajuda, acredito.

Porque temos de comparecer por nós, mas, principalmente, por eles. Não podemos ficar enrolados numa bola dentro da cama e pedir mais cinco minutos ao mundo, porque o nosso mundo exige que coloquemos os pés em cima do tapete e façamos a música que faz a vida dentro de casa soar.

Acho que o confinamento ajudou algumas pessoas a entenderem que, por exemplo, as mães donas de casa não passam o dia a brincar com os filhos e têm uma vida fácil, Não têm. Cuidar exclusivamente dos filhos e da casa é dos trabalhos mais exigentes que existe – e não é remunerado. Assim como o é trabalhar fora de casa e, com o pouco tempo que resta, sermos boas mães e donas de casa.

É difícil para todos.

E ficou ainda mais difícil quando nos foi pedido que passemos a equilibrar tudo, é um malabarismo de responsabilidades a que não nos podemos escusar, porque os miúdos têm de estar acompanhados e nós temos de fazer o nosso trabalho, tratar das refeições, tentar que a casa não vire um caos, brincar com os miúdos, permitir-lhes serem crianças ao mesmo tempo que tentamos não nos perder enquanto indivíduos, que são mais do que pais, no meio da confusão.

Não é fácil e há muitas pessoas a passarem momentos de grande stress, crianças a passarem por momentos de grande stress… tudo válido, só que não podemos deixar que o stress ganhe. Se a roupa se acumular um bocadinho, que se acumule. Se não conseguirmos variar as sopas, paciência. E se acordarmos em cima da hora e só nos conseguirmos arranjar da cintura para cima, para estarmos apresentáveis q.b na reunião de zoom com a equipa com quem trabalhamos, então ok também.

Tenho sido das pessoas que tem olhado para o confinamento como uma oportunidade única para vermos os nossos filhos crescerem.

Para estarmos com eles como nunca antes. Para estarmos verdadeiramente lá. É uma bênção. Cansativa, mas uma bênção. O que não quer dizer que não possamos também ter momentos de desespero, de choro no duche, de uma perda de paciência num momento crucial. É bonito, mas doloroso. Porque se baseia no facto de a nossa vida ter mudado, e de que maneira, de um dia para o outro.

Amamos os nossos filhos, mas queremos, mais do que nunca, vê-los na escola a aprender com os professores, brincar com os amigos, com as educadoras, serem crianças, livres e felizes.

Queremos conseguir cumprir os nossos objectivos no trabalho sem apresentarmos menos do que conseguimos, sem dormirmos a horas que seriam desejáveis, sem termos de escolher entre sermos bons trabalhadores ou bons pais.

Quando se começou a adivinhar este novo confinamento houve uma nuvem que pairou em cima da minha cabeça.

Início de projecto super exigente (no último confinamento dediquei os dias a acompanhar a Mariana e as noites a trabalhar e, por isso, mal dormi e hoje, quase um ano depois, o meu corpo e a minha cabeça ainda não recuperaram…), a miúda já no primeiro ano. Bate um desespero… mas nessa altura, quando falei com uma das minhas amigas mais próximas, que também está neste projecto, o que lhe disse foi: vamos fazer o melhor que conseguirmos.

E continuo a achar que esse é o lema com que devemos levar este confinamento e… bem, na verdade tudo na vida. Porque se dermos o nosso melhor, mais não nos pode ser exigido.

Força para todos, estamos juntos!

imagem@weheartit

MÃE DE UMA MENINA, É PARA E POR ELA QUE ESCREVE SEMANALMENTE, PASSANDO PARA PALAVRAS OS MAIORES SEGREDOS DO VERBO AMAR.

Autora orgulhosa dos livros Não Tenhas Medo e Conta Comigo, uma parceria Up To Kids com a editora Máquina de Voar, ilustrados por aRita, e de tantas outras palavras escritas carregadas de amor!

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