Vão-te dizer que mimo a mais estraga

Vão-te dizer que mimo a mais estraga

Vão-te dizer que mimo a mais estraga

Carta aberta a uma recém-mamã

Uma das minhas amigas do coração foi mãe pela primeira vez ontem.
Ela é daquelas pessoas que estará sempre no top 5 de qualquer miúdo (os meus filhos que o digam).
Não só pela sua graça natural, mas também porque desenha cocós com caretas como ninguém. Isso e o facto de ser i.m.b.at.í.v.e.l no que ao conhecimento de animais diz respeito [em desespero é bem capaz de inventar nomes de bichos nunca antes soletrados, mas isso já é outra história].
A minha amiga do coração é, portanto, uma daquelas miúdas que será – já é – mãe com uma perna às costas. Só que ela não sabe disso.
E quem fala dela, fala de todas as mulheres que experimentam a maternidade pela primeira vez.

Lembro-me bem de me dizerem para não dar colo a mais porque o miúdo ia ficar mimado.

E eu, mesmo cheia de dúvidas e sentimentos de culpa, não o largar nem para ir fazer xixi.

Disseram-me que eu dava de mamar numa posição estranha.
Quando nem eu nem o bebé nunca reclamamos dela.

E que o meu filho ia ter problemas porque o mudei cedo demais para o quarto dele.
Para esta não tenho resposta: gostava só que conhecessem o meu filho hoje.

Sei exatamente como te sentes hoje, mãe de primeira viagem.

Feliz, mas ainda a descobriste-te neste novo papel. Cheia de certezas que puff desabam ao mínimo comentário exterior.

Por isso, mãe de primeira viagem, aqui vai para ti, enquanto o teu bebé não acorda e podes ler este post:

Vão-te dizer que mimo a mais estraga.

E também te vão dizer que devias dar mais mimo. Especialmente quando o teu bebé estiver aos gritos vão TODOS dar palpites.

Dar de mamar é obrigatório.

Mas se deres de mamar mais do que sete meses vão chover comentários.Primeiro não te esforçaste para dar de mamar, depois estás a querer esticar – ele já tem dentes e tudo!

Se o bebé não fizer cóco, tens de estimular.

Se estimulares muitas vezes, estás a desabituar o reto. O que ninguém faz é o dirty job, se é que me entendes…

Deixar o teu filho para ires namorar com o teu marido é crime.

A certa altura, não ires é sinal que deixaste de ter vida. Há limites de tempo e espaço: com um bebé de 6 meses podes jantar fora. Ir passar uma noite a Lisboa é quem nem pensar.

Mais tarde, dar uma bolacha Maria é um atentado à saúde.

Sentes-te mal também porque, com dois anos, o teu filho nunca provou chocolate.
Ora não sabe o que é bom, ora és punida por promoção da obesidade infantil – sem falar das cáries!
No fundo, para essas vozes que ecoam na tua nova vida, não tens opção.

Vais sempre ter culpa de tudo. E de nada também.

E sabes quais são as únicas coisas que importam? Tu e o teu bebé. Tu e o teu bebé.
Eu vou repetir: Tu e o teu bebé. Os pais que me desculpem, mas o tempo deles chegará.

Se vocês estiveram bem, então está tudo bem.

E se o bem significar não dar de mamar, não dês.

Se significar dar até aos dois anos. Pois dá.

Só não deixes que nada nem ninguém se intrometa entre ti e o teu bebé.

A mãe és tu. O filho é teu.

Tu é que decides. Que escolhes. Tu sentes. Tu vives.

Concorda com este artigo? Deixe a sua opinião!

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.