A mãe que eu não quero ser

Poema da mãe que eu não quero ser

Preparado o jantar, a roupa, o cão e a mochila,

depois do chefe, dos filhos, do pai e do supermercado,

eu nem sei.

Continuo  algures por aqui, entre a escola e o ballet.

Perguntam-me, chamam-me, pedem-me.

Preciso de ajuda?

Sim, se puder ficar com a pior parte.

Sou um movimento

que se deita tarde, se levanta cedo,

E os dias passam demasiado.

Avio expedições inteiras antes das nove,

faço-me em mil num brilharete,

e despacho tarefas em automático.

Mas tenho um segredo esquecido:

eu, nunca estou na lista de afazeres

(risquei-me às escondidas).

Assim, com um espaço livre na agenda,

pode ser que sobre tempo para procurar-me,

algures entre as outras coisas todas,

e encontrar-me, sem dar trabalho.

Antes que alguém dê pela minha falta.

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