amaoquehojesou

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A mãe que hoje sou.

A mãe que hoje sou é uma.
A mãe que eu achava que ia ser é outra.
A mãe que eu serei daqui para a frente outra será.
Todas nós já enchemos, pelo menos uma vez na vida, o peito e dissemos, do alto da nossa segurança, que não iríamos ser como “aqueles pais”. “Filho meu não fará aquilo” ou “eu não serei assim”. Depois, na prática, muitas coisas mudam. Antes ainda de os conhecermos, o quarto deles ganha forma, compra-se o berço, monta-se a estante e erguem-se, também, muitas teorias de como iremos reagir, educar e orientar.
Depois, quando eles nascem e a nossa vida muda, caem também por terra muitos dos preconceitos que criámos. Passamos a entender outras escolhas, passamos a compreender que há excepções à regra e que se calhar, daquela vez, naquele restaurante, estávamos perante uma excepção ou daquela vez, no supermercado, aquele pai falou mais alto para o miúdo, excepcionalmente. Descobrimos que, afinal, também nós gritamos. Mesmo que excepcionalmente. E que isso é humano.
Seja porque tentámos outras opções e todas elas falharam e queremos testar também essa (mesmo que não nos faça muito sentido, mas já estamos por tudo), seja porque nem sempre conseguimos ser a melhor versão de nós próprios e também erramos, os pais que somos afastam-se – às vezes até demais – daquilo que delineámos.
A mãe que eu achava que ia ser é diferente da que hoje sou. Achei que fosse ser mais paciente, achei que nunca iria mandar a minha filha parar de chorar (e já o fiz, várias vezes até), achei que – vejam só o optimismo [e puro desconhecimento das fases de crescimento de uma criança] – a minha filha não faria birras.
A mãe que hoje sou é uma mãe com mais experiência, mas com muito por aprender.
A mãe que serei daqui para a frente será uma mãe mais confiante, mas cheia de dúvidas. Porque já percebi que estes pólos vivem lado a lado, sempre, pela vida fora.
A mãe que serei daqui para a frente é alguém em permanente melhoria, mas alguém que já decidiu deixar de tentar ser perfeita, simplesmente porque isso não existe.
Agora? Julgo menos, muito menos.
A Mãe que sou e que serei?
Uma mãe cheia de amor para dar.
Cheia de empatia, carinho e mimo.
Cheia de “sins” e de alguns “nãos”, os que forem precisos.
Uma mãe que fala baixo, que desce ao nível delas, que olha nos olhos, mas que às vezes também solta um ou outro grito.

 

Artigo publicado originalmente em A mãe é que sabe

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