A vida não é um ensaio geral

Num ensaio geral antevemos tudo ao pormenor para que nada falhe. Temos ainda a possibilidade de corrigir o que achamos que podia ser melhor. Se estivermos num palco a contracenar com outras personagens sabemos de antemão o que nos vão dizer, como vão reagir, o que vai acontecer. Se a cena for romântica, sabemos se somos ou não correspondidos, não vão surgir surpresas de maior, não vamos perder o controlo sobre o desenrolar dos acontecimentos e apenas temos que ser exigentes ao nível da atuação, da representação que se pretende que seja o mais realista possível.

Se a cena for dramática, sabemos exatamente se teremos que rir ou chorar, se teremos que gritar ou mostrar raiva ou angústia. O ensaio geral serve também para controlar os tempos de reação, de resposta, serve para dar ritmo ao discurso e ao curso dos acontecimentos e das cenas. Serve para testar o som, a luz e a posição de cada ator em palco.

Se transpusermos isto para a vida real, não controlamos quase nada!

Não conseguimos antever a resposta face a uma frase nossa, não sabemos como é que a pessoa que está à nossa frente vai reagir. Se vai rir, se vai chorar, se vai virar costas, se nos vai abraçar; não como num ensaio geral.

A luz também vai variar com o tempo lá fora, que não controlamos.

O som vai chegar de onde menos esperamos, ou o silêncio que nem sempre gerimos bem.

Muitas vezes vivemos a tentar fazer dos dias um ensaio geral.

Tentamos controlar tudo e não arriscamos para além daquilo que é previsível.

Adiamos vontades arranjando desculpas sem fim, só para termos a certeza de que tudo vai acontecer como achamos que deve ser.

Invariavelmente apontamos o dedo a quem “sai” deste ensaio, a quem se atreve, a quem arrisca. No fundo guardamos um sentimento de inveja secreto e inquieto, pois também nós gostaríamos de arriscar e de sair da nossa zona de conforto.

Nas relações amorosas observamos quem vive e quem sobrevive – em cima de um palco estável mas pouco estimulante.

A vida é o aqui e o agora, segundos que quando lemos já passaram e que não voltam.

Se quisermos tirar partido da vida temos que ultrapassar-nos a nós próprios. Temos que nos permitir “voar”, fazer o impensável, entregar-nos ao que chega, sempre que se mostrar positivo e bom. Temos que sair do sofá, sair de casa, sentir, ouvir e olhar com todos os sentidos em alerta e acreditarmos que a vida é rara!

A vida não é, definitivamente um ensaio geral.

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