As crianças e os comportamentos menos positivos: tudo se resolve no psicólogo, ou então não

As crianças e os comportamentos menos positivos

As crianças e os comportamentos menos positivos: tudo se resolve no psicólogo, #SQN

Os comportamentos menos positivos nas crianças

“Vai para o Castigo”

“Ai, o meu menino não se está a dar bem na escola, entrou há uma semana e já está sozinho na carteira e tem caras amarelas ou vermelhas nas fichas diárias de avaliação. Vou leva-lo a um psicólogo, não pode ser, coitadinho do meu menino. “

Ouço várias vezes este comentário sendo que a última foi este fim de semana e o meu pensamento é sempre o mesmo: e os pais falarem com a criança e procurarem compreender o que se passa?

Não, nada disso.

Os pais assumem verdadeiros atestados de incompetência parental porque no fundo têm medo de errar e acham que têm de ser outros, e de preferência psicólogos, a resolver questões que são da sua única responsabilidade. Questões que deviam ser resolvidas na família, em conjunto. Porque os psicólogos é que sabem, porque o meu filho(a) só pode ter uma doença qualquer e nem pensar que a criança possa precisar de algum tempo para se adaptar, que haja algo que não goste, que se sinta desacompanhada porque os pais não falam com ele(a). Não, hoje em dia, tudo é uma doença qualquer para a qual há comprimidos milagrosos.

As crianças sentem medo do desconhecido, sentem-se inseguras e com medo de falhar.

A entrada num infantário ou na escola, seja no primeiro ano, seja nutros anos, é sempre um momento stressante e angustiante para a criança. Depois, dependendo da personalidade de cada um, da forma como foram educados/habituados a lidar com questões novas, a reação vai sendo diferente. Os comportamentos positivos e os  comportamentos menos positivos nas crianças vão mudando.
Há os que vão em frente, não querendo demonstrar o que sentem e remoem ou choram num canto em silêncio.
Os que exteriorizam tudo e choram todos os dias à porta da escola.
Há os que se sentem revoltados e descarregam o seu mal-estar nos professores e nos colegas.
E há muitas reações para o mesmo sentimento: medo do que não se conhece, medo de falhar e de ser castigado.

A primeira abordagem tem de ser sempre feita pelos pais com calma, muita paciência e muito carinho.

Têm de conversar com os vossos filhos. Não há outra forma. Ouvir o que eles sentem com a mente aberta, aceitar o que eles vos dizem – ainda que tenham de ouvir o que não queriam – apoia-los e incentiva-los tantas vezes quantas sejam necessárias. É preciso compreender que os comportamentos menos positivos são revelador de problemas profundos que têm de ser tidos em conta o mais rapidamente possível para que não evoluam para situações mais graves. Não é castigar por mau comportamento que se evita que o mesmo se repita. É preciso entender o porquê de um determinado comportamento e perceber o que pode ser feito para que não se volte a repetir. Castigos em excesso só aumentam mais ainda os comportamentos indesejados. 

Os pais são quem melhor sabe o que é melhor para os seus filhos.

Todos temos a capacidade para os ajudar, mas hoje em dia, muitos pais parecem não acreditar nisto, ou então com medo de falhar e preferem que seja outra pessoa que nem sequer conhece a criança que tem à sua frente, a resolver questões que são da competência dos pais.

Vou partilhar convosco algumas dicas:

  • Lembrem-se como eram quando tinham a idade do vosso filho e como se sentiram quando entraram para a escola. Peçam ao outro pai para fazer o mesmo. Quase de certeza que vão encontrar semelhanças entre comportamentos que vocês tiveram e que os vossos filhos estão a ter.
(Exemplo: eu e o meu marido fomos crianças reservadas, que não gostavam de confusão, que não tinham muitos amigos e que nas aulas queriam tudo bem feito e nem pensar em ter mau comportamento. É natural que o pimpolho seja igual: é pacato, não gosta nada de colegas turbulentos, quer tudo bem feito e só quer ter caras verdes na folha de avaliação).
  • Ouçam os vossos filhos. Sabem porque é que temos dois ouvidos e uma boca? Para escutarmos mais do que falamos. Digam-lhe que vos podem contar tudo, mesmo tudo, porque vocês querem e podem ajuda-lo.
  • Não gritem, não ameacem com mais castigos, não lhe digam que são maus (podem pensar isto tudo e sentirem-se frustrados, mas não o verbalizem).
  • Encontrem sempre o lado positivo e tentem caminhar de forma a encontrar soluções. Sejam assertivos, comecem com regras simples.
  • Expliquem-lhes quais as consequências do comportamento (exemplos: os amigos vão afastar-se deles, não vão ter ninguém com quem brincar, a professora fica triste com esse comportamento, os pais ficam tristes com as caras amarelas ou vermelhas).
  • Se a falha é vossa, aceitem-na e façam tudo para corrigir o vosso erro.  É muito importante que reconheçam e peçam desculpa aos vossos filhos. Vocês não têm de ter imagens perfeitas perante os vossos filhos, não é vergonha nenhuma mostrar que se errou, aliás só assim vocês podem fazer com que eles admitam os erros deles.
  • Falem com o(a) professor(a) e procurem soluções em conjunto.

O mais importante é que percebam que são os responsáveis pelos vossos filhos.

Que não há fórmulas mágicas, que não há teorias que sejam leis, que ninguém conhece melhor os vossos filhos que vocês ou alguém que vai operar milagres.
Tudo se resume à família: num ambiente de diálogo mutuo, de abertura, de acompanhamento desde os primeiros meses de vida dos nossos filhos, de estabelecimento de regras desde pequenos, tudo acaba por fluir.

Claro que problemas vão sempre existir, mas se houver alguns destes alicerces será mais fácil corrigi-los.

 

Por Inês Sousa,  publicado originalmente no Blog Singularidades de uma gata amarela

 

imagem de capa@reflectionsoramirroroflife

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1 thought on “As crianças e os comportamentos menos positivos
  1. “não lhes digam que são maus (…) os amigos vão afastar-se deles, não vão ter ninguém com quem brincar, a professora fica triste com esse comportamento, os pais ficam tristes com as caras amarelas ou vermelhas”
    Não é o mesmo do que dizer que são maus?
    E podem pensar mas não dizer?
    Se os pais não forem genuínos com os filhos, os filhos vão senti imediatamente. Depois disso bem podem tentar aplicar teorias… não funcionam.
    A questão é que os filhos não são de facto maus por fazer asneiras. E fazê-los sentir que ficam sem amigos, etc etc, não é pior do que um castigo?

Em que é que está a pensar?

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