Bater num adulto é agressão, num animal é crueldade, numa criança é educação

Bater num adulto é agressão, num animal é crueldade, numa criança é educação

Ser pai e ser filho, dois desafios tão diferentes

“Aos pais se pede tanto, e se lhes dá tão pouco.

Se estas palavras da psicoterapeuta familiar Virginia Satir eram verdadeiras na década de 80, continuam tão ou mais válidas nos dias de hoje.

Aos pais pede-se­ corpo e alma na educação dos filhos, mesmo quando o corpo se desdobra e dá de si e a alma, essa essência de estar vivo, é estar vivo para os filhos e pouco mais. Do lado dos filhos, um dos grandes desafios é o aprender formas saudáveis de socializar. De estar em relação com os outros, na existência de regras e limites e, em simultâneo, afeto.

Uma coisa é certa: existem tantas formas de se ser mãe ou pai, quanto de se ser filho ou filha. Não existe apenas uma correta, mas existem formas de relação positivas entre pais e filhos que promovem um crescimento individual e relacional, outras não tão positivas e que acabam por trazer mais preocupações, mais dificuldades na gestão dos comportamentos e do reconhecimento da autoridade dos pais. A autoridade, reconhecida e não imposta, tem sido um dos desafios com os quais muitos pais lidam. Também eles trazem modelos das gerações anteriores, uns mais bem-sucedidos do que outros.

A questão mantém­-se: é possível mostrar aos filhos os limites e regras com que se vive as relações humanas sem, no entanto, recorrer à punição física?

O que sabemos sobre os efeitos da Punição Física na criança e nos pais?

“Os meus pais também me bateram quando era pequeno, e no entanto tanto eu como os meus irmãos crescemos sem problemas nenhuns”.

Este é um argumento comum que justifica, para muitos pais, bater nos filhos, com maior ou menor frequência. No entanto, bater não está associado a melhorias no comportamento ao longo do tempo. Não só coloca os pais num nível de adrenalina e stress elevado. Também transmite à criança a ideia de que o corpo não é seu, é propriedade dos pais, não podendo ser negociada a forma como querem ser tratadas.

Estudos indicam que em adultos punidos fisicamente durante a infância, a probabilidade de valorizarem positivamente um comportamento violento aumenta, seja contra o filho ou contra o atual parceiro (Gershoff & Grogan-Kaylor, 2016).

“Nem doeu!” ­ Uma rápida escalada, não só de violência…mas de culpa

Um dos grandes problemas da punição corporal é a facilidade com que os limites definidos pelo próprio educador são ultrapassados, sem que este sequer se aperceba. É muito frequente, nos pais com quem se trabalham estes temas, eles próprios estarem dessensibilizados para o grau de violência que utilizam. Tal acontece porque se forma um ciclo em torno do comportamento da criança e da resposta que é dada por parte do adulto.

A punição corporal leva frequentemente a que o comportamento desadequado se mantenha ou até aumente. Isto resulta num aumento da frequência do castigo corporal, levando a mais situações de comportamento desadequado.

Palmada vs alteração de comportamento

A mãe repreende o filho por correr na loja em que fazem compras. O filho não presta atenção e continua. A mãe, frustrada, dá uma palmada ao filho. Este não aprendeu necessariamente porque é que correr na loja é mau. Apenas sabe que não gosta de levar uma palmada. O comportamento vai manter-­se, se não em loja, noutros contextos. A mãe utiliza a palmada e, vendo que o comportamento continua, pode aumentar a frequência e/ou intensidade da punição até obter os resultados desejados. O comportamento do filho, no entanto, piora. É um ciclo em que violência gera violência. Mais importante, e talvez menos abordado nestes termos, o ciclo amplia as desvantagens para pais e filhos.

Os pais, cada vez menos eficazes em controlar o comportamento da criança, desenvolvem com frequência sentimentos de culpa, por não se sentirem capazes de educar os filhos sem bater. Por parte da criança, com a frequência do castigo corporal, desenvolve uma imagem negativa de si enquanto filho. Vê-se como o “mau filho” ou “o filho desobediente”, com um impacto negativo na sua auto­estima e personalidade.

No final, cada palmada ou bofetada confirma aos pais o fraco controlo e ineficácia da sua parentalidade. À criança é confirmado o fraco controlo sobre o seu próprio corpo, que pode ser invadido a qualquer altura, bem como o comportamento desadequado passa a fazer parte da imagem que têm de si mesmas.

A investigação com crianças e pais

Uma das mais importantes revisões de literatura neste campo publicada este ano, registou dados sobre punição corporal em cerca de 160,000 crianças (Gershoff & Grogan­Kaylor, 2016).

Desta revisão concluiu­-se que:

  • a punição corporal está associada a um maior risco de comportamentos agressivos e antissociais.
  • mais problemas de saúde mental.
  • e uma relação pais-filhos mais negativa.

Este é um resultado explicado, em grande parte, pelo facto de os pais serem os principais responsáveis por ensinar aos filhos formas de se relacionar com os outros (e.g., Maccoby, 1992).

Talvez o resultado mais importante desta revisão tenha sido o de que, mesmo quando removidas as formas de punição mais severas e o abuso físico, deixando apenas a punição corporal nos seus moldes mais simples (palmadas nas nádegas, por exemplo), esta se revela associada a resultados negativos para as crianças. Ou seja, mesmo a palmada, pode ter efeitos negativos no desenvolvimento saudável da criança.

Porque é que bater persiste?

Nas palavras da Doutora Maria Amélia Azevedo, coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança (LACRI):

“Bater num adulto é agressão, num animal é crueldade, como você pode dizer que bater numa criança é educação?”.

O castigo físico persiste, por ter resultados aparentemente imediatos (cessa o comportamento da criança) e por ser fácil de aplicar. No entanto, punições corporais não oferecem à criança oportunidade de refletir sobre as suas ações. Nem ensinam a distinção entre o certo e o errado, levando-­a a agir (ou não) apenas por medo da punição. A investigação demonstra que apesar de conduzir a uma obediência imediata, existe um decréscimo na obediência a longo prazo (Gershoff, 2002).

Só a convivência e o tempo investido pelos pais no diálogo possibilita uma base afetiva em que os filhos reconhecem nos pais alguém que se preocupa, que ouve e, mais importante, um modelo a seguir. Isto é importante pois ao longo do desenvolvimento do seu filho, ele precisa de aprender a decidir e a regular o seu próprio comportamento.

Quais são as possíveis alternativas à punição corporal?

Aqui ficam algumas sugestões para pais, mães, ou responsáveis pela educação e desenvolvimento de uma criança:

– Utilize o diálogo sempre que possível.

Falar com uma criança sobre que comportamentos são aceitáveis e quais não são tem, de longe, muitos mais benefícios do que a punição corporal. Garanta que lhe explica o porquê de um comportamento ser desadequado ou perigoso. Ao fazê-­lo está também a transmitir-­lhe uma mensagem importante: o diálogo é uma ferramenta crucial para resolução de problemas, ao contrário da violência, que cria distância entre as pessoas.

– Crie oportunidades educativas.

A existência de diálogo não invalida que se sigam outros métodos de disciplina eficazes. Se tiver de disciplinar, procure castigos não físicos e crie, se possível, oportunidades educativas. Por exemplo, dar ao seu filho tarefas domésticas extra ou colocá-­lo a arranjar algo que tenha quebrado.

Talvez uma das técnicas mais utilizadas e familiar aos pais seja o retiro de benefícios (não jogar durante uma semana). Não há nada de errado com esta forma de disciplina. Os resultados podem ser melhores se a aplicação for ponderada e firme. Se proibiu o seu filho de utilizar o computador durante uma semana, já terá pensado sobre quão adequada é a duração do castigo. É recomendado que o mesmo seja cumprido nos moldes por si definidos.

– Utilize consequências como uma forma eficaz de disciplina.

Tal como os adultos, as crianças aprendem com base no que experienciam. As consequências das suas decisões, quando vividas, possibilitam oportunidades de aprendizagem únicas para o desenvolvimento de responsabilidade. Tal exige que os pais permitam aos filhos experimentar as consequências naturais destas decisões (ex. Se não comes o que tens no prato, eventualmente ficarás com fome; se estragaste os teus brinquedos/computador, não poderás divertir­-te com eles).

Em várias ocasiões os pais protegem os filhos, no entanto algumas formas de proteção podem privá-­los de oportunidades para serem responsáveis e aprenderem que as suas ações têm consequências. Ao deixá-lo experienciar as consequências das suas ações está a dizer-­lhe que é capaz de tomar as suas próprias decisões.

Não deve utilizar este método de disciplina se colocar em risco a saúde ou segurança da criança.

Cabe­-lhe a si decidir que consequências naturais dos atos do seu filho serão uma boa oportunidade de aprendizagem. A chave é manter­-se calmo e não se envolver demasiado, deixe que o seu filho experiencie as consequências que decorrem naturalmente dos seus comportamentos. Por fim, seja paciente pois nem sempre os resultados são imediatos, mas quando surgem são duradouros!

imagem@psyciencia

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  2. Tenho duas crias, para as quais quero ser um bom exemplo. Faço por isso, todos os dias.
    Como humana que sou, falho redondamente algumas vezes, e há dias que falho muitas vezes. Quando o meu “lado negro ” vem ao de cima, daí a pouco, depois de arrefecer, estou a pedir-lhes desculpa. Como disse, quero ser exemplo, e pedir desculpa faz parte desse exercício simples, de que eles também podem falhar e podem pedir-me desculpa. Podemos, devemos fazer isso uns com os outros, o que não se pode nunca é voltar as costas e ir dormir “não amigos”.
    Sentir-me-ia muito estúpida se para lhes transmitir o que quero tivesse que lhes bater. Imagina, se as palavras não chegassem, o que é que isso faria de mim, uma idiota que não sabe passar a mensagem por palavras!! Um atestado de “mentecaptice”, não?
    Sempre investi nas palavras, nos olhares, nos abraços (porque às vezes a birra é cansaço), no toque, no fazer pensar, e resulta tão bem.
    Nunca “violei” o corpo dos meus filhos com palmadas, aliás, seria contrário ao que sempre lhes digo : O vosso corpo é a vossa casa, só entra alguém nela com a vossa permissão.
    Se eu quero que eles se tratem com respeito, quem sou eu , mesmo sendo a Mãe, para arrombar a porta sem a sua permissão?
    É tão fácil perceber isto… boa-sorte para todos os filhos dos pais que não concordam com o artigo. Só posso cuidar dos meus, mas tenho muita pena.

  3. Percebo o texto, porém não consigo concordar na totalidade com o mesmo. Primeiro uma palmada não se compara com a verdadeira agressão física. Sou totalmente contra as “famosas” tareias de cinto, ou tareias no seu compto geral, mas uma palmada no momento certo não me parece assim tão desadequado ou que possa fazer com que uma criança possa ser violenta.
    Claro que a primeira abordagem deve sempre ser na base do diálogo mas não conheço, nem conheci, qualquer criança que ameaçada de trabalhos domésticos deixasse de fazer a “asneira”, porém é uma hipótese válida e devia ser mesmo a ideia principal.
    Eu sou apologista do diálogo QB, mas passando as marcas uma palmada no rabiosque, na fralda ou na mão, não trará mal ao mundo. Os pais devem mostrar autoridade QB, caso contrário os filhos ficarão ao nosso nível e isso é que é um problema real. A perde da autoridade parece-me ser mais problemática de resolver depois de perdia. As crianças esticam sempre a corda e o que vejo é que há crianças que fazem tudo o que querem. Por trás lá estão os pais aos gritos; ” Não jogas mais computador!”, ” Não vais à Praia”; ” Ficas uma semana sem ver televisão.”… E eles continuam a fazer a mesma coisa, porque no fundo… são crianças e todos nós já passámos por essa fase; sabemos bem como funciona.

    O artigo está muito bom. Parabéns!

  4. Percebo o texto, porém não consigo concordar na totalidade com o mesmo. Primeiro uma palmada não se compara com a verdadeira agressão física. Sou totalmente contra as “famosas” tareias de cinto, ou tareias no seu compto geral, mas uma palmada no momento certo não me parece assim tão desadequado ou que possa fazer com que uma criança possa ser violenta.
    Claro que a primeira abordagem deve sempre ser na base do diálogo mas não conheço, nem conheci, qualquer criança que ameaçada de trabalhos domésticos deixasse de fazer a “asneira”, porém é uma hipótese válida e devia ser mesmo a ideia principal.
    Eu sou apologista do diálogo QB, mas passando as marcas uma palmada no rabiosque, na fralda ou na mão, não trará mal ao mundo. Os pais devem mostrar autoridade QB, caso contrário os filhos ficarão ao nosso nível e isso é que é um problema real. A perde da autoridade parece-me ser mais problemática de resolver depois de perdia. As crianças esticam sempre a corda e o que vejo é que há crianças que fazem tudo o que querem. Por trás lá estão os pais aos gritos; ” Não jogas mais computador!”, ” Não vais à Praia”; ” Ficas uma semana sem ver televisão.”… E eles continuam a fazer a mesma coisa, porque no fundo… são crianças e todos nós já passámos por essa fase; sabemos bem como funciona.

    O artigo está muito bom. Parabéns!

  5. Cara/o PAA,

    Quanta azedura, quanta agressividade, quanta falta de bom senso. Sabe a nossa liberdade termina onde começa a do outro e invés de vir para aqui dissipar energia, ser mal educada/o, mandar calar e ofender…sugiro que se determinados assuntos não lhe agradarem nao os leia e muito menos os comente, pois ninguém que aqui vem, por bem, com o interesse de aprender algo, tem de levar consigo. Aliás digo -lhe mais, pessoas inteligentes sabem dar a sua opinião ou debater um assunto sem tentar ferir o ponto de vista do outro.

  6. Tenho duas filhas lindas e muito educadas já com seus 24 e 20 anos, eu e meu marido as criamos com muito amor, carinho e diálogo. Nunca batemos nelas mas sempre as corrigimos no que se fez necessário sem nenhum tipo de violência física ou psicológica. Tivemos regras claras e firmes, somente isso. Um adulto equilibrado é capaz de criar filhos sensatos. Parabéns pelo excelente texto, acredito que todos os pais deveriam ler e procurar colocar em pratica o poder da palavra e não do beaço. Aos que têm a mania de criticar sem fundamentos recomendo que leiam textos coerentes que lhe ajudem a melhorar seu nível intelectual. Sou professora e na pratica percebo que os alunos que são mais trabalho são os que mais apanham ou são tratados em extremos, autoridade demasiada ou superprotegidos demais (país que encobrem os erros dos filhos).
    Precisamos nos informar para não fazer comentários absurdos!

  7. A agressão nunca foi correção, muitos pais precisam de equilíbrio quando se trata desse assunto. É preciso corrigir os filhos por meio da dor física quando for preciso, pois isso traz aprendizado, temor e respeito pelos pais, contanto que seja sem exagero, como se fosse matar o filho a pancadas. A vara da disciplina tira a loucura do filho, simples assim… Os filhos precisam reconhecer a autoridade dos pais.

  8. Na época que eu brincava na rua o que mais via era crianças frutos dessa ideia de que tudo pode ser levado na conversa.
    Meninas e meninos que fazia tudo de errado, batiam nos outros, xingavam, atiravam pedras,tiravam marra… Sabe o que respondiam quando eu falava que ia contar para os pais?
    “Conta, meus pais não me batem mesmo.”

    Agora aceitem os FATOS:
    Crianças que nunca apanharam eram mal educadas.
    Crianças que levavam ao menos tapas eram educadas.
    Crianças que apanhavam eram educadas.
    Todas tinham pais presentes, só que uns eram bananas e outros não.

    É lógico que com ALGUMAS crianças dá educar sem precisar de qualquer forma de violência, mas devem aceitar que existem crianças boas, neutras e ruins.
    A palmada funciona porque mostra pra criança que você está falando sério, coisa que não ocorre quando você é um pastel que só fala que vai ficar irritado.
    Sabia que existem crianças que batem até na cara dos pais? O que vocês fariam com uma criança assim? Dariam um nome bacana iniciado por “Transtorno de” e drogariam a criança? Tentariam conversar ainda mais ?

    Vocês se tornaram boas pessoas sem nunca precisar apanhar? Parabéns! Mas não se metam na forma de ensinar das outras famílias
    É por isso que o mundo tá uma merda, um querendo opinar na vida do outro mas não faz nada pra ajudar.

  9. Darcy Orlando Campos em

    Assunto sempre atual.
    Merece estudo permanente em grupos familiares.
    Vou sugerir, mais um, ao grupo de pais da Sociedade Espirita Homens de Boa Vontade – SEHBV – de Porto Alegre-RS.

  10. Este relato esta muito bom. Os filhos precisam de limites e isso nao quer dizer que precisam ser punidos fisicamente. Ninguem gosta de sentir dor. Discordo que que os filhos sejam tratados como flores de estufas, mas devem sim ser amados como criancas que sao. Aos pais e ou cuidadores dar os limites necessarios.

  11. Mirna Rodrigues pedrosa em

    Belíssimo texto, concordo plenamente com tudo que fora dito, também acredito que Violência não é uma forma de educação. Primeiro porque os pais quando o fazem estão demasiadamente estressada e furiosos, apenas se limitando ao castigo físico sem qualquer reflexão a respeito. E depois penso que seja uma violência tão grande e desigual com a criança que não pode se defender.

  12. Concordo com o seu texto e com a sua pertinência. Parabéns por divulgar esta necessidade da nossa sociedae. Permita-me completá-lo nas sugestões a alternativas a bater com dois blogs sobre parentalidade dom apego que eu sigo e com os quais me identifico:
    http://parentalidadecomapego.blogspot.pt/
    http://paizinhovirgula.com/
    Já agora, aconselho o novo livro da Laura Sanches, Mindfulness para Pais, ao primeiro comentador, PAA.
    Está na altura de quebrar ciclos SIM!!!
    Ana Pereira

  13. Parabéns pelo excelente texto. Quem crítica, certamente, é porque deve ter um grande desconhecimento do assunto tratado. Os benefícios de uma educação positiva são enormes e geradores de relacionamentos satisfatórios e felizes entre pais e filhos. Falo com conhecimento de causa porque, além de psicóloga, sou mãe. E colho os frutos da educação positiva na minha vida familiar. Parabéns!

  14. Dou os meus parabéns ao comentário tecido por PAA. Concordo 100% com o que diz. Até eu antes de ter filhos também criticava determinadas atitudes de outros e agora penso de outra forma. Sou completamente contra a violência, mas não vejo uma palmada dessa forma. Hoje, mãe de 3 filhos, não vou em psicologias! Nunca tive qualquer atitude drástica mas palmadas já as tiveram e não me arrependo nem o escondo quando se aborda esse assunto.
    As opiniões destes “psicólogos” são para quem sofre de violência constante. Isso sim atrapalhará o desenvolvimento de qualquer criança.

  15. Nem sempre é fácil lidar com as birras, mas nós é que somos adultos e temos de controlar as emoções e reacções. Tudo a seu tempo, é necessário muita paciência e controle. Neste momento meu filho tem 20 meses, e por mais que tento dialogar e explicar, ele continua a fazer o que não deve. Muitas vezes, dou por mim a berrar e aplico a tal palmada, fico desapontada comigo mesma. Não é essa a educação que lhe quero transmitir, e quero que ele cresça de forma saudável, mas infelizmente andamos sempre a correr devido aos nossos horários laborais que são por turnos rotativos com apenas uma folga semanal. É violento para nós adultos quanto mais para uma criança que não tem culpa que os pais estejam sempre cansados e sempre com pressa. Esta é a qualidade de vida da maioria dos portugueses. Eu amo ser mãe, e tanto eu como meu marido unimos esforços para que nada falte ao nosso filho e passamos todo o nosso tempo disponível com ele, queremos que ele sinta que estamos sempre presentes na vida dele. Gostei bastante do seu texto, tem mais alguma sugestão como posso lidar quando ele não me obedece?

    • Boa tarde Paula,
      Não tendo muita informação sobre a vossa situação, devo tentar dar uma resposta abrangente mas geral, esperando que encontrem alguns pontos úteis para a vossa jornada enquanto pais.
      Fico contente por ter gostado do texto. Vejo desde já que são um casal com um filho pequeno e se debatem agora com o desafio de gerir tempo (pessoal, familiar e profissional) e se esforçam por assumir, da melhor forma possível, o vosso papel enquanto pais. Percebi também que fica desapontada e gostava de conseguir agir de forma diferente perante os desafios que o seu filho lhe lança. Não existem fórmulas feitas para que uma criança mude o seu comportamento do dia para a noite e, como a Paula refere, a paciência e o auto-controlo são importantes ferramentas quando queremos cultivar resultados a médio/longo prazo. Enquanto mãe, a Paula é especialista no seu filho e, melhor do que ninguém, aprendeu a identificar muitas das necessidades, o significado de alguns comportamentos e expressões deste. A pressa do dia-a-dia interfere com essa capacidade e torna-se mais difícil para os pais estarem sintonizados com uma criança e fazer a “leitura” do comportamento desta (alertar para desconforto, sinalizar uma vontade concreta…). O que pode ser feito?
      Um dos aspetos mais importantes é a consciência, por parte dos pais, dos desafios que são vividos pelas crianças. Como é que, no mundo dos pequeninos, alguns acontecimentos são vividos? Isto ajuda os pais a desconstruir a expectativa de que a criança deve comportar-se, em certos contextos, como um adulto. Esperar um comportamento adequado em algumas circunstâncias é irrealista quando estamos a falar de uma criança pequena. No caso da criança que a Paula tem em casa, com 20 meses são esperadas birras, mudanças de humor (apesar de normalmente estar bem disposto, rapidamente fica frustrado ou zangado) e também incumprimento de regras, uma vez que lhes é ainda difícil lembrar-se das mesmas e cumpri-las. As birras, em particular, estão frequentemente associadas ao facto de, nesta idade, uma criança não ter ainda aprendido a gerir emoções. Sendo assim, o que fazer?
      Gerir comportamentos implica gerir emoções. A Paula, no seu comentário, já menciona uma ferramenta muito útil na gestão do comportamento das crianças: colocar-se no lugar do seu filho. Como mencionou, se é exigente para vós enquanto adultos, tanto ou mais será para o vosso filho. O que a Paula está a fazer é começar a identificar um desafio com que ele se debate. Por exemplo, pode questionar-se sobre quais as implicações da velocidade com que vivem o vosso dia. As crianças são particularmente sensíveis aos estados emocionais dos adultos – como ainda não desenvolveram completamente a linguagem verbal, o não-verbal torna-se prioritário. Tal significa que vos pode sentir apressados/agitados e isto dificulta a gestão do comportamento. Também a existência de rotinas ajuda a criança a compreender regras em casa, o que esperar e o que deve fazer.
      Ele ainda não fez 2 anos, no entanto está numa fase crucial de aquisição de linguagem. Sendo assim, as birras são uma altura ideal para começar a utilizar linguagem emocional (contente, alegre, zangado, triste…), pois a capacidade do seu filho começar a verbalizar o que sente e o que precisa será fundamental para ganhar autonomia em gerir o seu comportamento e emoções à medida que cresce. A Paula e o seu marido têm o papel de o ajudar a nomear o que está por detrás de um comportamento – estão necessidades. Experimente falar num tom de voz calmo e firme ajudando-o a identificar o que o incomoda. O comportamento desadequado diminui quando a criança consegue utilizar a palavra para descrever o que a incomoda, ao invés de reagir imediatamente com comportamento. Tal não significa ceder a todo e qualquer desejo, mas procurar que a criança sinta que alguém cuida de si, que alguém está preocupado com as suas necessidades, que não a deixa abandonada no meio de emoções com as quais ainda não consegue lidar sozinha.
      Se falamos sobre o que pode ajudar os pais na relação com os filhos somos obrigados a passar pelo que os pais podem fazer para se ajudarem a si mesmos, o que terá impacto na educação dos filhos. No meio das obrigações e dos imprevistos a que os pais têm de responder num dia “normal”, fica certamente difícil, por vezes (ou muitas vezes), tirar tempo para si e para o outro, ser outras coisas, poder correr outras maratonas que não apenas a da parentalidade. Se os pais cuidam dos filhos, também precisam de ser cuidados e de viver outros papéis que não apenas o de pai ou mãe, mas o de cônjuge, de profissional, o de mulher, o de homem. Quanto mais espaço encontram para viver estes diversos papéis, também mais forças encontram para enfrentar os desafios inerentes a cada um deles. Assim o desafio é o de colocar a parentalidade a ocupar o lugar e espaço que lhe é devido – não mais, não menos.
      No final, os pais também podem descansar-se a si mesmos, na medida em que ter informação e orientações para tomar boas decisões não significa que deixem de existir períodos em que se age sem pensar ou em que a pressa do dia-a-dia leva a melhor. Enquanto existir motivação para fazer melhor, novas formas de agir também se tornam mais presentes e novas estratégias são possíveis.
      Espero ter contribuído com algumas ideias Paula. Desejo-vos o melhor!

  16. Acho piada a estes estudos. Os grandes causadores das revoluções no ato de “educar” crianças são precisamente pessoas que ….nem sequer têm filhos ! Mas, lá do alto das suas habilitações de meia treta (sim, porque há coisas que só a escola da vida e da situação é que nos ensinam.Não se aprendem em nenhuma licenciatura ou mestrado), vêm dizer aos pais como devem educar os seus filhos.E,graças a estas revoluções de meia tigela no ato de pensar e agir, é que os putos tendem cada vez mais a tornar-se uam ditadorzecos de treta.Sem educação nenhuma e com uma estrondosa falta de senso.Graças aos srs psicólogos e outros afins que, como já escrevi, a maioria dos que vem opinar nem sequer filhos têm, os miúdos atualmente são tratados como “autênticas flores de estufa”, sem competências nenhumas para lidar com a desilusão dos acontecimentos diários.E depois o que acontece…claro….encharca-se o puto de medicamentos porque “é hipertivo”. Na esmagadora maioria das situações que encontro os putos não são hiperativos.São é tremenda e assustadoramente mal educados , sem respeito nenhum por ninguém nem pelos pais.Mais uma vez, agora sobre este assunto, estamos a confundir as pessoas e os conceitos.É o costume.Manipulando as “massas” através de “estudos” “daqui e dacolá” na tentativa de justificar o que é injustificável e absurdo. Não sou a favor da violência sobre a criança, não sou a favor de espancar crianças. Mas sou muito a favor da palmada no rabinho no momento certo ! Antesda “palmada” sou a favor de outras abordagens mais , digamos, mentais! Se falham…..Há que deixar muito claro quem é que deve obedecer, e quem deve ser o que faz obedecer. E se a palmada servir para isso…..Pois então usa-se! São coisas COMPLETAMENTE diferentes! Mas a verdade é que as “ovelhas” do costume cedem quase sempre à publicidade barata de “estudos” vindos do incógnito, e propalados por quem NEM SEQUER TEM FILHOS. Ó meus amigos….. façam-nos, passem pela situação de ter um puto irascível a fazer birras e a armar-se em ditadorzinho de treta e depois aí….ajam em conformidade com o que defendem (Os que conheço, depois de terem os putos…..que se lixem os “estudos”).Enquanto isso não acontece…..CALEM-SE !

    • Meu(a) caro(a), por mais que a pessoa que escreveu esse estudo nãotenha filhos, as idéias nele contidas não foram tiradas de sua cabeça, mas de profundas pesquisas. Agora ofender toda uma classe profissional foi demais! Pelo visto eu acredito que você utilize mais de punição física. Pode me afirmar que seus filhos são perfeitos, não deram trabalho nenhum, pois vc bateu neles?? Se vc ler bem a matéria, vai ver que o autor trouxe ideias muito bem embasadas, de pesquisas com 160 mil pessoas por exemplo. E vc quer dizer que sabe mais que alguém que investigou 160 mil pessoas? Vc sequer conhece essa quantidade de pessoas? Continue criando seus filhos a sua maneira, ninguém o está obrigando a mudar seu jeito de educar! Punição física nunca foi nem nunca será a melhor forma de educar, pois ela não ensina nada, simplesmente pune um comportamento que os pais consideram inadequado! Parabéns aos pesquisadores envolvidos, é de pessoas assim que precisamos no mundo!

    • Prezado PAA,

      o seu texto revela um registo marcado por expressões de cariz agressivo e autoritário. As razões para isso só o/a PAA poderá avaliar. Se reflectir um pouco, calmamente, se “olhar para si”, para as suas vivências, com um olhar compreensivo, chegará à razão da sua indignação.
      Há que ter presente que pais violentos deixam “estragos” para toda a vida e que os filhos de hoje serão os pais de amanhã.
      Fica um mais um “estudo”, quanto a mim, muito interessante: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-494X2014000200007 ; recomendo a sua leitura.
      Não há “putos irascíveis” , há adultos que não sabem tirar prazer do enorme privilégio de serem pais, talvez por não terem sentido a felicidade de serem filhos.
      Sim, tenho filhos, gosto de investigar e de aprender, sem mandar calar quem me incomoda.

    • Concordo com você… uma comparação estúpida como essa.
      Comparar a forma de se ‘bater’ em um adulto e um animal, como a forma que se bate em uma criança por educação …

      • “Num adulto é agressão, num animal é crueldade, numa criança…é educação?”

        Alexandre,você diz que a comparação é “estúpida”,mas não consigo ver o que há de estúpido nessa comparação. É apenas a sua palavra,a sua opinião,não define nada.
        Explique por que um homem dar um tapa numa mulher é algo que causa revolta,um jovem dar um tapa num velho causa revolta,um ser humano dar um tapa num cão causa revolta,mas…Um adulto dar um tapa numa criança é algo normal.

    • Você diz que acha piada o estudo sobre a violência no ato de educar crianças, entre outras coisas, e depois diz que é a favor dela se outras abordagens não funcionarem. Mas já tentou, caso tenha filhos? Se não tem, teu argumento torna-se vão como diz aos “grandes revolucionários”. Espancar é uma coisa, o estatuto da criança estão aí pra isso, mas enquanto houver pessoas criadas sobre a raiz de que o respeito e a educação vem através da violência a sociedade não avançará. Pena.

    • Concordo com o seu comentário amigo. Não há mal algum em se aplicar um castigo corporal moderado nem que seja apenas como último recurso. Esse pessoal que se denomina progressista não passa de um bando de revolucionários de esquerda que na maior parte dos casos tiveram sérios problemas familiares, são desestruturados emocionalmente e quando tem filhos jamais conseguem criá-los de maneira adequada. Essas pessoas não têm o menor respeito por Deus e nem pelas instituições familiares e mesmo assim eles ainda se acham no direito de orientar a criação dos filhos dos outros.

    • Até parece que a mãe quando vai bater no pirralho dela, é só uma palmadinha na bunda. As mães que eu vejo por aí, levando seus filhos ao supermercado ou shoppings para fazer compras (onde essa atividade não deve fazer parte do dia da criança) manda a mão na cara ou nas costas, como se isso não doesse ou até acarretasse um problema de saúde. Iludido é a pessoa que acha que pai e mãe só se contentam com palmadinha na bundinha. Palmadinha na bunda a gente pratica é em outro momento, de adultos.