Bombeiro dos pés à cabeça

Desde o incêndio de Pedrogão Grande que os fogos têm sido um tema recorrente cá em casa. Aliás, no ano passado, os meus filhos acompanharam as notícias do incêndio da Madeira por termos lá família, mas ainda assim, ficaram com aquela sensação de que este tipo de desgraças só acontece aos outros, e nunca mais pensaram nisso. Não lhes tirou horas de sono.

Desta vez foi diferente. Aperceberam-se de tudo o que aconteceu e sentiram-no bem de perto. O António, um menino de 6 anos que perdeu a vida juntamente com a sua família no incêndio, jogava Rugby no clube deles. Não eram os melhores amigos, nem tão pouco assim tão próximos, mas foi alguém que eles conheciam. E que tinha a idade deles. O meu filho António, também de 6 anos, dizia-me “Eu não sabia que era possível morrer aos 6 anos. Ele ainda vai ao treino despedir-se antes de ir para o céu?” De partir o coração. Eles participaram na homenagem que a equipa fez, e por tudo isto, seria impossível não surgirem 1001 perguntas em torno do “porque é que isto tinha de acontecer?” Esta catástrofe, sim, veio tirar-lhes horas de sono.

Desde então têm uma atenção especial ao fogo. Passaram a ficar atentos a sinais como fumo no céu ou cheiro a queimado. Durante uma viagem que fizemos recentemente passamos por uma queimada ativa. Eu senti o terror nos olhos e nas vozes deles, apesar de estarem com os pais e lhes explicarmos que era um fogo pequeno e controlado.

Estivemos na apresentação do Livro “Bombeiro dos pés à cabeça”, no Palácio da Galveias, em Lisboa. Durante a leitura da história, o meu filho mais velho sentou-se mesmo à frente do contador de histórias.  Apesar de ter entendido que era um livro infantil (e ele já se considera juvenil a nível de leitura) gostou e considerou muito útil para que as crianças aprendessem não só quais os sinais de um incêndio, como prevenir, e acima de tudo que devemos não só respeitar a floresta como dar-lhe resposta às suas necessidades de limpeza e protecção. Quis ele participar neste meu post com um texto seu, que transcrevo aqui:

Este livro é um bom exemplo para as crianças porque proteger a floresta é muito importante. Basta aparecer só uma faísca na floresta para começar um incêndio. O livro chama-se Bombeiro dos pés à cabeça porque, de facto, a Rita tinha imensas qualidades para ser bombeiro. Diz que as mãos, os pés, os joelhos, os braços, o pescoço, as orelhas, o coração etc, são partes fundamentais numa pessoa para ajudar a prevenir os incêndios e a respeitar a natureza. Todos nós temos um bocadinho da Rita no nosso coração, e devemos estar atentos e explorar as nossas capacidades de bombeiro.- José Maria, 10 anos

Bombeiro dos pés à cabeça

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O livro “Bombeiro dos pés à cabeça” está inserido num projeto existente desde 2014, criado pelo Grupo Os Mosqueteiros e pela Liga dos Bombeiros Portugueses. Este é o segundo livro lançado com o objetivo de sensibilizar e envolver os mais novos na causa dos bombeiros, e na necessidade de proteger e preservar as florestas, sendo que as vendas revertem na íntegra para a aquisição de novos equipamentos para os bombeiros portugueses.

Manuel Luís Goucha e Isabel Silva são os embaixadores desta campanha e falaram, sem poupar palavras, da importância de sensibilização ambiental.

“Para a prevenção falta vontade política. Há muitos interesses, nós sabemos, não sejamos hipócritas nem sejamos politicamente corretos. Eu estou farto porque acho que o país está refém do politicamente correto.”- Manuel Luis Goucha

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