Mae de primeira viagem

Mae de primeira viagem

Carta a uma mãe de primeira viagem

Querida mãe de primeira viagem,

ainda me lembro quando estava no teu lugar. Os medos, os receios, as dúvidas, os “ses ”…

Sim, tal como tu, também tinha essa necessidade de saber todas as estatísticas e explicações para o valor de cada exame e cada análise, mas acredita, basta saberes que está tudo a correr bem, confiar no médico que te acompanha e preocupar-te com assuntos como a decoração do quarto. Podes guardar a médica e enfermeira que há em ti para quando o bebé nascer.

Vive a tua gravidez com serenidade, longe de perguntas, de medos e do Dr. Google.

Controla essa tendência de querer planear tudo: o dia em que o bebé vai nascer, o tipo de parto ou a amamentação em exclusivo. Não te preocupes com o desconhecido, há coisas que só saberás depois de acontecerem. Deixa os dias acontecerem, um a seguir ao outro, um de cada vez.

Vais ter medo da dor, do parto, da amamentação, das noites mal dormidas, da exaustão e da responsabilidade de ter de cuidar de alguém 24h por dia para o resto da tua vida. Sim, vai ser para o resto da tua vida, e ainda bem.

Quando um dia deres por ti atrás de uma porta de casa de banho a chorar e sem saber porquê, não fiques preocupada, acredites ou não, faz parte e é normal. Aos poucos, as coisas vão entrando nos eixos, começas a criar a tua/vossa rotina, vais conseguir tirar o pijama, tomar banho, dormir 3 horas seguidas, e responder a perguntas básicas como: como é que te chamas?

Não acredites que vais ter dificuldades para cuidar do teu bebé ou para manter a tua sanidade no turbilhão que é ter um bebé em casa (sim não é mito, é mesmo!). Existe uma coisa chamada instinto que nunca te vai falhar e que se vai manifestar em TODOS os momentos que precisares.

Também vais morder a língua: todas nós mordemos em algum momento, mas também está tudo bem, até porque não podes nem deves cobrar-te nunca. Não deves ler tudo o que existe, nem absorver tudo o que ouves sob pena de enlouqueceres com tanta opinião, conceitos e valores que muitas vezes nem vestem a tua pele, mas como a vizinha fez também vou fazer.

Não vais nada!

Tenho a certeza que tu vais construir a tua própria maneira de viver a maternidade e acredita que será única, pessoal e intransmissível.

Ah sim, claro que vais andar cansada, aliás, esgotada é o termo mais apropriado, e se deres por ti a perguntar-te: “O que eu fui fazer da minha vida?” também é normal.

Vais conseguir superar os dias difíceis e saborear os bons, até porque, quando aquele gordo mais querido cor de rosa solta um gemido e encosta a sua mão minúscula de pele macia e cheirosa na tua pele, o teu mundo vai parar e vais esquecer tudo ali, naquele momento.

O tal amor arrebatador, incondicional, encantador, total, absoluto e integro que tudo explica é o único sentido de toda esta experiência.

E lembra-te, as horas podem parecer muito longas, os dias podem parecer intermináveis, mas confia em mim quando te digo que os anos são curtos. É mesmo, mas mesmo verdade, que passa e crescem num instante.

Boa viagem!

Vais ser capaz ♥️

imagem@fotolia

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Sou advogada, sou casada, sou Mãe da Madalena e do Vicente e talvez seja essa a minha melhor definição.

Ter-vos aqui comigo a dividir momentos da minha vida e da vida dos meus filhos, a lerem esta construção cheia de amor e erros deste que é o desafio de ser mãe de alguém, é muito bom.