As Crianças não são pombos correio. Há, e todos sabemos, situações familiares muito complicadas. Há situações em que o diálogo é quase inexistente, outras em que a comunicação é feita através de acusações, gritos, ofensas. Há pessoas que estão constantemente, por causa disso, a usar os filhos/netos

As Crianças não são pombos correio

As Crianças não são pombos correio

Há, e todos sabemos, situações familiares muito complicadas.

Há situações em que o diálogo é quase inexistente, outras em que a comunicação é feita através de acusações, gritos, ofensas.

Há pessoas que estão constantemente, por causa disso, a usar os filhos/netos/afilhados/sobrinhos, como mensageiros.

“O teu pai não é capaz de fazer isto bem feito”.

“Que mania que a tua mãe tem de mandar X ou Y”.

“Diz à tua mãe que isto ou aquilo”.

Todos os exemplos dados aqui em cima são errados. São de evitar ao máximo. Põem uma carga em cima das crianças que não lhes pertence.

Nenhum miúdo, tenha que idade tiver, deve ouvir comentários menos positivos em relação aos progenitores, por mais verdade que possa haver no que for dito (e isto vale a comentários feitos em relação a avós, tios, etc).

Nenhum miúdo deve sentir que tem uma mensagem a passar à mãe/pai quando regressa de um fim de semana com o outro progenitor.

Nenhuma criança deve sequer preocupar-se com assuntos de adultos, seja o assunto divergências em relação à educação, a como é passado o tempo, aos horários praticados, à roupa que é enviada ou o estado em que regressa, à situação amorosa dos pais (seja a nova seja a antiga: reconciliação entre os pais, impossibilidade de estarem juntos sem se aborrecerem, etc), aos problemas financeiros (contribuições ou falta delas).

As crianças devem ser crianças.

E se existe uma situação em que os pais ou não estão juntos ou não conseguem entender-se isso já coloca nas crianças um peso que preferencialmente todos os envolvidos gostariam que não acontecesse. Não é justo fazer as crianças levantar os olhos dos brinquedos, do seu mundo de fantasia e afectos para os ver a observar os pais com olhos analíticos, com vozes a ressoar na sua cabeça. Não é saudável, não é justo, simplesmente não se faz – seja qual for o recado.

Bem sei que muitas vezes até nem há maldade, os adultos envolvem as crianças nos seus pensamentos, arrastam-nos achando até que podem ser eles o catalisador de uma mudança positiva. Se forem, que seja por presença indirecta e não por estarem no meio do campo de batalha com  a bandeirinha branca na mão, a ser incessantemente agitada.

Se a mãe quer dizer alguma coisa ao pai, fale com ele.

Se a avó quer dizer alguma coisa à mãe, fale com ela.

Se o pai quer dizer alguma coisa ao sogro, fale com ele.

Se o avô tem alguma coisa a dizer, fale com o filho ou a filha.

De adulto para adulto.

Nos casos mais difíceis, em que simplesmente é impossível comunicar, procure-se ajuda de um intermediário, um assistente social, por exemplo.

Nunca as crianças.

Sempre o adulto.

Deixemos as nossas crianças viverem a sua infância sendo livres, leves e apenas tendo como preocupação os que as rodeiam naquilo que é realmente importante.

Mesmo que estejamos cheios de boas intenções.

Os adultos somos nós.

Façamos um esforço.

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