Crianças todas iguais, todas diferentes

Dizem que não há destino. Sempre fui um pouco céptica em relação a tudo que não é palpável, mas também sempre acreditei que existe um caminho pré traçado para cada um de nós. Podemos sempre alterar os contornos, com o livre arbítrio, mas o sulco está traçado, desde o primeiro instante de existência.

O destino, trouxe-me a Timor Leste!

E aqui, neste País onde a democracia acabou de nascer eu (re)nasço todos os dias! (Re)nasço no amanhecer de cada dia, que traz com ele cores inimagináveis, que me percorrem a pele. O cheiro multicolor da flora entra-me pelos olhos, aquietando-me a alma. Guardo então essa imagem e junto a tantas outras, que o meu coração vai colecionando.

Mas, hoje, quero falar destas Crianças! Pequenos seres, que todos os dias me ensinam o que é valorativo nesta vida. Seres de uma grandeza tamanha, que me olham com o brilho dos sonhos, que choram porque os Pais/irmãos mais velhos bateram (é cultural), que a existência de poderem brincar com um carrinho de plástico é para eles uma dádiva do céu, que vêm à escola com o mesmo entusiasmo que vão à igreja, porque na escola podem aprender e usufruir de um lanchinho, mesmo que seja apenas um pão com manteiga e um leite. Na missa rezam com devoção, agradecendo a Deus o estarem vivos!

Crianças com fome de conhecimento, mas que nada pedem, porque o “nada”, para elas, é “tudo”.

Há vidas de mimo, de colo, de atenção, de uma mão que segure a delas e nesse toque, lhes ensine que o verbo “Amar” existe!

Crianças que me oferecem abraços nascidos no coração, que se agarram, disfarçadamente à minha bata de educadora e, muitas vezes, até fazem uma cara de tristeza para poderem ganhar alguns instantes no meu colo.

Crianças que estão a dar os primeiros passos na aprendizagem da língua portuguesa, mas que são detentoras de uma sabedoria imensa na arte de oferecer sorrisos e à nossa passagem nos saúdam com “Malai bá ne ´bé? (estrangeira, aonde vai?)

Crianças de pés descalços que a terra beija. Crianças que são Reis e Rainhas do nada! Muitas vezes esquecidas nas esquinas do tempo, vestem-se com o brilho nos olhos e um sorriso permanente em cada gesto.

São Crianças, seres pequeninos e frágeis, IGUAIS a tantas outras por esse Mundo fora.

São Crianças, seres pequeninos e frágeis, DIFERENTES de tantas outras, por esse Mundo fora.

As crianças de Timor são de uma doçura tal e qual café da manhã!

O meu bem-haja a todas estas crianças, que me ensinam, todos os dias, que o que é essencial aprender para sermos felizes não é visível aos olhos!

imagem@Olive Bike

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