A culpa e a insegurança maternas

A culpa e a insegurança maternas

A culpa e a insegurança maternas

A culpa e a insegurança maternas

Observando os primeiros dias de aulas numa instituição de Educação da Infância, percebemos a postura das mães em relação aos pequenos. Demonstram insegurança, receio, apego excessivo e até mesmo uma espécie de ciúme velado (ou explícito) em relação à professora. Tudo isto é muito natural, se passar nas primeiras semanas de aulas, quando os diferentes intervenientes deste processo já se encontram adaptados.

Acontece, no entanto, que algumas mães continuam a apresentar dificuldades em deixar a criança na escola com tranquilidade. Este é um dos muitos exemplos através dos quais podemos analisar a figura da mãe, com processos psicológicos de culpa e insegurança…

Análise histórica

Remontando a questões históricas, a 2ª guerra mundial levou homens para campos de batalha e mulheres para fábricas. A guerra acabou, os homens voltaram para as fábricas, mas as mulheres não quiseram voltar para os fogões. Sentiram-se capazes de trabalhar fora e, ao mesmo tempo, gerir a criação dos filhos. De serem esposas, sem abrir mão de serem profissionais.

Embora a conquista desse espaço tenha sido justa, gerou impactos na estrutura social da família, cujas filhos precisavam de ficar num ambiente substituto. Então, ao mesmo tempo que as mulheres se rejubilavam com as conquistas profissionais, começaram a sofrer as consequências da sua ausência em casa.

Na verdade, está implícito na culpa uma condição histórica da mulher que “só” ficava com os filhos. É raro vermos homens que se sentem culpados por trabalhar 8 horas por dia, pois já estava “estabelecido” que o homem trabalha fora, e não tem a responsabilidade de estar perto dos filhos o tempo todo.

A mulher é biologicamente condicionada a ficar em casa quando sua criança nasce. Deve parar de trabalhar. O recém-nascido precisa do seu corpo para viver. O vínculo de afeto estabelecido entre mãe e filho alimenta a criança.

Mas… Tudo na vida são fases, casulos, pupas e borboletas… Com o passar do tempo, mudam as necessidades da criança. E do adulto também!

A evolução

E esta mãe, que sentia dificuldades em deixar a sua criança na escola, que fará ela quando o seu filho crescer e for trilhar os caminhos da própria vida? O que vai acontecer a esta aquela mãe culpada, quando encarar de frente o ninho vazio? Deixou as autorrealizações de lado para se dedicar única e exclusivamente aos filhos? Desistiu do casamento? Da carreira? De si mesma?

Estas reflexões são necessárias. Dolorosas, mas necessárias. A culpa e a insegurança maternas, na primeira infância, podem moldar um futuro caráter inseguro e egoísta nas crianças, mas sobretudo, fazer com que a própria mulher perca a identidade e o autoconceito, perdendo-se a si mesma.

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