Cá em casa#Rótulos são para as embalagens

Ao colocarmos rótulos nos nossos filhos influenciamos a pessoa que eles são! Por isso cá em casa não rotulamos pessoas..

Mas isto nem sempre é tão fácil como parece!

Fui a um encontro sobre Disciplina Positiva onde nos foi sugerido um pequeno jogo. Em vez de nos apresentarmos, deveríamos escolher um dos nossos filhos e falar no seu lugar, apontando as suas principais características.
Apesar da minha bebé ser tão pequena, foi mais fácil do que imaginava aderir a esta brincadeira. De facto, já consigo caracterizar alguns aspetos da sua personalidade.
Depois de todos os participantes o terem feito, foi nos comunicado o objetivo do exercício: tomarmos consciência do que pensamos dos nossos filhos, dos rótulos que lhes colocamos e de como isso pode afetar quem eles realmente são.

Já estive em situações em que, perante uma criança mais calada e envergonhada ou que se recusa a cumprimentar os presentes, os pais justificam o seu comportamento dizendo “Ele é sempre este bichinho-do-mato!”.
Se essa criança tem tendência para ser tímida, não a ajudará certamente sentir-se exposta e rotulada perante outras pessoas, que ainda por cima lhe são estranhas, não concorda?

Sempre pensei que, quando fosse mãe, teria o cuidado de não cometer esse erro.
No entanto, já dei por mim a fazer algo parecido: por volta dos três meses, a minha bebé passou por uma fase em que chorava sempre que estava diante de pessoas pouco familiares. Dei por mim, a justificar-me com “Ela é desconfiada” ou “Ela estranha as pessoas”.Também presenciei momentos em que, se uma criança tenta fazer prevalecer a sua vontade é logo apelidada de “teimosa”.
Como “pela boca morre o peixe”, esta semana, dei por mim a comentar com o pai da nossa bebé: “Ela é pequenina, mas já tão teimosa! Olhando para qualquer um de nós, tem a quem sair”

E quase certamente todos já ouvimos adultos dirigirem-se a crianças ou falarem delas como se não estivessem presentes, com frases deste tipo:
– És uma cabeça-no-ar!
– Despacha-te! És sempre o último!
– É um pisco! Não come nada!
– A irmã é muito mais trabalhadora!
– Matemática não é com ele. Sai ao pai…
Provavelmente, somos agora adultos que conseguem, numa ou noutra situação, reconhecer-se no papel dessas crianças. Todos, em maior ou menor número de situações, fomos (somos!) rotulados!

E isso influenciou a pessoa que nos tornámos? Acredito que sim. Os bons e os maus rótulos.
Se sempre escutei dos meus pais que tinha jeito para escrever, tal motivou-me a escrever cada vez mais, com confiança. A prática e a convicção no meu valor fizeram com que evoluísse na escrita,  aperfeiçoando essa minha habilidade.
Por outro lado, estava a tentar lembrar-me de um rótulo que me tivesse influenciado negativamente e nada me ocorre, pelo que parece que a este nível os meus pais fizeram um bom trabalho! Sou teimosa sim, mas isso não só traz o mau como também o bom!

Acredito que uma criança, ao ouvir constantemente que é mal-educada, chega a um ponto em que já não se esforça por se comportar melhor, pois acredita que é impossível livrar-se da imagem que carrega. Se é rotulada de “molengona” e “preguiçosa”, sem que consigam reconhecer o seu esforço por ser mais rápida e despachada, agarrar-se-á ao rótulo que lhe foi dado e agirá cada vez mais em conformidade com ele. Se afirmam frequentemente que não é boa aluna, acabará por acreditar que não vale a pena estudar, pois nunca conseguirá obter boas notas.
E estes são pequenos exemplos entre a enorme diversidade de rótulos, que temos tendência para usar: hiperativo ou demasiado parado, desorganizado ou muito perfeccionista, coscuvilheiro ou indiferente a tudo, que não abre a boca ou é demasiado falador… Enfim…

Não acredito que consigamos não estabelecer uma imagem das pessoas e, mais concretamente dos nossos filhos. É inerente ao ser humano esta capacidade/necessidade de categorização. Ajuda-nos a compreender o mundo em que vivemos e (re)conhecer quem somos.
Mas acredito que estando mais conscientes dessa imagem, possamos escolher o tipo de atitudes e palavras que usamos, de modo a ajudarmos os nossos filhos a desenvolver o que de melhor há no seu caráter e a aprender a lidar com os aspetos menos positivos.

Uma boa maneira de nos consciencializarmos é jogando o referido jogo. Vamos lá?
O meu nome é… Os meus pais chamam-se… E eu sou…

Sofia, do blog Cá em casa somos três, adaptado por Up To Kids®
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