Falta de Motivação ou falta de Paixão

Falta de Motivação ou falta de Paixão na geração mais nova

Falta de Motivação ou falta de Paixão

“Não são da geração da vida estruturada, regrada, stressada, mas talvez sem paixão que eles próprios vêm nos seus pais.”

São tantas as vezes que ouvimos pais, professores e a sociedade inteira a queixar-se da falta de motivação dos jovens de hoje em dia, que muitas vezes dou por mim a pensar o que é que será que aconteceu a esta geração?

O que é que será que nós pais, nós educadores, nós sociedade fizemos para criar uma geração que realmente parece estar pouco motivada para a vida, tem pouca resiliência e pouca capacidade de lidar com a frustração.

Será que lhes facilitamos demasiado a vida e os jovens agora já não conseguem empreender-se na ação, definir, planear, estabelecer objetivos e concretizar?

Será que lhes dificultamos a vida pelo stress e loucura em que vivemos e pela nossa ausência constante?

Que tentamos compensar a falta de tempo facilitando-lhes a vida?

Será que tentamos alterar os padrões de maior rigidez em que fomos educados e acabamos por cair na polaridade oposta onde os limites estão pouco definidos e quase tudo é aceitável?

Na verdade acho que não é nada disto e ao mesmo tempo também é um pouco de tudo isto que afeta esta geração….

Parecem ser uma geração onde falta Paixão!

É raro ouvirmos um jovem verdadeiramente apaixonado por um projeto, uma causa, um objetivo ou algo que queira alcançar. Numa verdadeira paixão daquelas que vem das entranhas do nosso ser e nos faz mover montanhas para lá chegar! Também é verdade que talvez as montanhas do século XXI não sejam as nossas e não estejamos a compreender quais são as suas montanhas, o que é que verdadeiramente os faz vibrar e mover-se em direção ao arco-íris….

Já não são da geração do, tira um curso superior e trabalha bastante tempo na mesma empresa para poderes fazer currículo;

Não são da geração da vida estruturada, regrada, stressada, mas talvez sem paixão que eles próprios vêm nos seus pais;

Já não são da geração de ter que seguir o negócio da família, porque tem sido assim ao longo de gerações….

Estes jovens são difíceis.

São sobretudo difíceis de se encontrarem para si próprios, porque são muito mais “fora da caixa”. Já não se sentem na obrigação de corresponder à sistémica familiar que perpetuou gerações, são muito mais criativos e sobretudo têm o mundo à distância de um clique.

Também é verdade que são mais imaturos…. Acho que se sentem no direito de serem jovens, inconsequentes e sem responsabilidades. Para alguns às vezes por tempo demais…. Para outros pelo tempo certo, pelo tempo que não foi permitido às gerações anteriores experimentar, errar, mudar de direção e voltar a tentar.

Geração cheia de paixão

Ao contrário do que dizem, eu acho que são uma geração cheia de paixão, mas de uma paixão diferente, que não se encaixa nos nossos parâmetros e que talvez por isso nos seja tão difícil de os compreender e deles nos compreenderem a nós, pelo que ficam muitas vezes castrados pelas próprias famílias.

Como mãe senti muitas vezes esta preocupação/dificuldade em compreender a forma acho que leviana com que sentia que eles levavam a vida. Passados uns anos, olho para trás e acho que eles foram uns sortudos por terem tido a coragem de fazer diferente. Por terem tido a coragem de deambular pelo mundo aprendendo tudo o que nãos se pode aprender num livro ou numa sala de aula. Vejo agora como isso fez com que se tornassem “adultos” diferentes e homens com paixões…..

Como terapeuta fico muitas vezes preocupada. Não pela ligeireza/leviandade ou pela vontade de fazerem coisas diferentes, mas pela Inércia que isso sim, carateriza aquilo que a mim me preocupa nesta geração. As famílias e as escolas estão formatadas à sua maneira. E como os jovens sentem que não se conseguem integrar e muito menos corresponder, optam por se alhear e ficar indiferentes ao que se passa à sua volta e com a sua própria vida.

Não é por acaso que a maior queixa que ouvimos sempre de pais e professores é relativa à fraca capacidade de concentração dos jovens.

Ora Concentração e Paixão poderiam ser quase sinónimos.

Sem querer entrar em questões muito técnicas, a nossa concentração está relacionada com a “Dopamina” (neurotransmissor que regula a cognição, o controlo de movimentos, a motivação e a memória) que controla as sensações de prazer e de recompensa, ou seja, paixão e concentração juntam-se como parceiros que não andam a não ser de mãos dadas.

Não conseguimos que crianças/jovens que estão abatidos e inertes sem concentrem nas suas atividades. Que se atirem de braços abertos na concretização das suas tarefas ou que se permitam internamente a percorrer o caminho menos conhecido, que é o deles próprios… O caminho para conhecerem a sua essência. Porque será nela que vão encontrar as respostas às perguntas que nunca sabem responder. E será através dessas respostas que poderão viver em e com paixão….

Precisamos que esta geração saia da inércia e tenha a coragem de VIVER e será sempre nesse movimento que vão encontrar as suas paixões!

Psicoterapeuta Corporal e responsável pelo Espaço CresSer.

Considero a psicoterapia como uma ferramenta fundamental no desenvolvimento pessoal, na qualidade de vida e de relação com os outros. A psicoterapia é para todos e não apenas para alguns.

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