livro infantil

Menos é mais… sobretudo num livro infantil

Menos é mais… sobretudo num livro infantil

E pronto… já passou! (Sobre)Vivemos a época festiva recheada de muitas expectativas, muitos desejos, muitas cores, muitas luzes, muitas festas, muitas animações, muito, muito, muito… Chegou finalmente o tempo de voltar a assentar, descansar e regressar à realidade que se quer muito mais calma e com muito menos estímulos. Estamos finalmente prontos para regressar à aparente calma do dia a dia. Para isso, nada melhor do que regressar às nossas conversas sobre os livros.

O livro infantil tem a tarefa ingrata de rivalizar com outros materiais de consumo mais imediato na vida das crianças. Rivaliza com brinquedos apelativos e estimulantes dos vários sentidos. Rivaliza com materiais interativos como os tablets ou as consolas de jogos. E, sobretudo, rivaliza com outros que se denominam como livros infantis mas que não são mais do que puzzles e brinquedos musicais (normalmente com pouca qualidade) com meia dúzia de letras lá pelo meio. Por isso, muitas vezes se veem em lugares de destaque das prateleiras livros de cores garridas, letras enormes ou desenhos com relevo, como tentativa de chamar a atenção do consumidor na hora de escolher o que comprar.

No que ao livro infantil diz respeito, menos é mais.

Estes não precisam de ter os atributos acima mencionados. Precisam, isso sim, de ter qualidade. Muitas vezes passam-nos despercebidos certos livros que não nos chamam tanto a atenção. É preciso estar muito atento na hora de escolher um livro infantil e ter sempre os olhos e a mente bem aberta para optar pela qualidade em vez de espetacularidade!

O conceito de qualidade é muito subjetivo, passível de ser interpretado de diversas formas.

De um modo muito geral, deixo aqui algumas considerações sobre o que ter em conta quando se procura qualidade nos livros. Esta escolha é fruto de algum conhecimento e experiência na área, bem como de pesquisas e leituras de outros autores sobre o assunto:

  • Qualidade editorial

    No sentido em que o livro pretende ser um projeto com um determinado fim. Como tal, todos os seus componentes (da capa à contracapa) têm que trabalhar para esse fim, completando-o, sem se sobreporem ou se anularem.

  • Dimensão estética

    A dimensão estética do livro, a quantidade de imagens por página ou a forma como estão organizadas ou ainda se a imagem complementa ou contradiz o texto são pontos muito importantes a ter em conta. A qualidade literária do texto não pode ser esquecida. Se este está bem escrito e organizado. Se está adequado com o objetivo do livro e a idade dos leitores. Muita atenção às traduções e adaptações dos textos.

  • rigor científico

    Quando aplicável ao livro em questão. Um livro que tenha por objetivo ensinar as cores, convém ter efetivamente as cores certas e não uma ligeira variação.

A opinião da criança é importante mas quem tem a palavra final são os adultos que estão a escolher. Nós, como adultos, temos a obrigação de orientar as crianças nas suas escolhas e ensiná-las progressivamente a ter critério.

Boas escolhas e melhores leituras.

 

Image by PublicDomainPictures on Pixabay 

 

Sou uma educadora de infância que em 2016 sentiu que era tempo de terminar a sua viagem pelas salas de Creche e Jardim de infância.

Com a sensação de missão cumprida, dei início a uma nova viagem. O caminho passa pelos livros infantis, pelas histórias, pela infância e pela parentalidade.

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