bom dia

Não dizemos bom dia a toda a gente?

Não dizemos bom dia a toda a gente?

Esta foi das últimas perguntas que a minha filha de três anos e meio me fez.

Quis saber por que razão mo perguntava, quando era óbvio para mim que a resposta a tal pergunta era um rotundo “sim”.

– Porque quando entramos no autocarro dizes bom dia ao motorista, mas as outras pessoas não.

Olhei-a. Parei e pensei. Revi as últimas viagens que fiz. E ela tinha razão. A maior parte das pessoas passa pelo motorista e segue em direcção ao seu lugar, como se ele não estivesse ali, como se fosse invisível. Eu fui educada de outra maneira e, por isso, cumprimento toda a gente: é uma questão de educação mas também de cortesia. Os motoristas de autocarro estão a fazer o seu trabalho, dão a cara, mas mesmo assim muitas vezes não são vistos. Ou só são vistos quando têm uma condução que aborrece os passageiros. E estou a falar desta profissão como poderia falar de outras, mas a verdade é que a maior parte das pessoas não quer saber.

Imagino como será ter um emprego destes, em que se vê centenas e centenas de pessoas que só falam connosco para pedir um bilhete ou para perguntar se o percurso passa pelo sítio X. Para a minha filha é estranho e fico orgulhosa que assim seja. Cumprimenta os vizinhos no elevador (com mais ou menos vergonha), o segurança do metro, a senhora que se senta ao lado dela durante a viagem, o empregado no restaurante, a menina na caixa do supermercado, o porteiro da escola. Para ela todos são iguais, todos são pessoas, todos merecem ser tratados como tal.

Acho que à medida que vamos crescendo vamos perdendo algumas qualidades. Uma delas é a forma pura como olhamos o mundo. Acrescentamos algum cinismo e muita pressa às nossas rotinas, deixamos de prestar atenção ao que realmente importa, só olhamos para o outro quando faz algo que nos incomoda, deixamos os elogios para amanhã.

Acredito que esta geração tem os dados viciados em muitas coisas, terá dificuldades que nós não sonhamos, outras que eventualmente terão sido criadas por nós, mas sinto também que é uma geração mais “humana”. Que vê o mundo com olhos de ver. Que tem tanta informação que não se cala sem obter uma resposta satisfatória.

Espero sinceramente que as novas gerações sejam capazes de acertar onde errámos, que tenha mais bondade que ambição, seja menos céptica e mais sonhadora, menos dependente e mais audaz. Levante mais os olhos do umbigo, viva mais em comunidade e olhe o outro não como competição mas como alguém a quem pode dar a mão para chegarem, ambos, mais longe.

Já dizia aquela frase “Se queres chegar rápido, vai sozinho. Se queres chegar longe, vai acompanhado”.

E, às vezes, tudo começa com um “bom dia”.

image@weheartit

6 thoughts on “Não dizemos bom dia a toda a gente?
  1. Bom dia Marta, que tenhas um dia feliz seguidos de muitos e muitos dias. Bjs

    Nônô

  2. É verdade. Infelizmente isso acontece com grande frequência. Quantas vezes, até com pessoas que encontramos quase diariamente nas imediações do local onde habitamos. Passam por nós e nem uma saudação.
    Diz-se que a chegada das novas tecnologias às mãos dos mais novos teve como resultado um alheamento do que se passa à nossa volta. Isso não é justificação. Se uma criança seguir bons exemplos dos mais velhos, de quem sejam próximos e com quem mais privem, então talvez possamos modificar um bocadinho o mundo em nosso redor. Isto é o que tenho constatado ao longo da vida!

    1. Com bons exemplos esta geração vai longe. Um óptimo dia!

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