Obrigada Violetta

Não fomos ao concerto, mas somos espectadoras assíduas desta história da Disney. Eles falam espanhol e esquecemo-nos que é uma produção da Disney. A verdade é que os ingredientes estão todos lá. Prova disso é o último episódio da temporada que foi emitido na semana passada.

Enquanto mãe assumo sempre a responsabilidade de vigiar o que a minha filha vê. Às vezes, chego mesmo a proibir uma série ou desenho animado, por considerar que há diálogos demasiado adolescentes, quando o target são crianças a partir dos seis anos.

Sei que os miúdos, hoje em dia, dão beijos na boca aos cinco anos e falam de namorados… muito mais cedo que há 30 anos, quando eu tinha a idade deles.

A importância aqui é a de lhes passar a mensagem certa na dose adequada.

Tarefa fácil? Não.

Na vida corrida que se tem gosta-se que os miúdos se percam frente à televisão, enquanto despachamos isto, aquilo ou aqueloutro.

Ao início da febre Violetta comecei a ter algumas questões em deixar a minha filha ver a dita série. A protagonista andava indecisa e a ser beijada por mais do que um rapaz. Não há mal nisto na adolescência, mas passar a informação com naturalidade para uma criança de seis anos, que começa a fazer uma série de descobertas, deixou-me na dúvida.

Sem querer ser muito mais bruxa (do que às vezes tenho de ser enquanto mãe), decidi atirar para o ar que não simpatizava com a protagonista, pois parecia-me ser uma rapariga muito pouco certa das suas ideias e quereres. O comentário saiu e a resposta foi pronta com a justificação de que ela só estava indecisa, pois um dos “meninos” tinha ido embora, ela gostava de um que a deixou e havia outro a trata-la bem: “Ela só está a pensar em qual deles gosta mesmo e é o melhor para ela!”

Toma lá e embrulha!

Do pequeno alto dos seus seis anos a minha filha explicou-me que a Violetta não é “uma maria vai com todos”, como se chamava no meu tempo, mas sim uma rapariga firme e resolvida, que estava a analisar o melhor para ela.

Meti a viola no saco, como se diz em bom português, e decidi dedicar mais tempo a ver cenas da série e, depois, o DVD do concerto em Milão. Rendi-me!

E não só! Ainda há pouco tempo contrapus, perante outros, o mesmo pensamento que tive antes de olhar para a série com olhos de ver.

A mensagem da Violetta não pode ser mais clara e nem uma melhor semente para o futuro das mulheres (como a minha filha), na sociedade daqui a uns anos: mulheres seguras de si mesmas, que lutam pelos seus sonhos sempre com o coração como guia e persistentes em todas as adversidades. Uma espécie de Principezinho feminino do século XXI, em que na história mostra que o que “é importante é invisível aos olhos”.

Por isso mesmo, obrigada Violetta por me ajudares nesta tarefa difícil de ser mãe de uma futura mulher.

Por Irina Gomes,
para Up To Lisbon Kids®

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