Os meus avós – por: uma pré-adolescente

(TRABALHO PARA DISCIPLINA DE CIDADANIA)

Metade da minha família vive em Angola. Umas dessas pessoas são os meus avós paternos.

Como muita gente, eles tiverem que emigrar para terem uma vida melhor e um melhor emprego. Eles já lá estão há cinco anos. Há cinco anos que eles não me vêem crescer, que não passo um fim-de-semana com eles, que não vão a uma festa de anos minha.

Tenho muitas saudades deles e eles minhas, quando eles vêm cá passar férias sinto que já não os conheço muito bem e sinto que eles também já não me conhecem muito bem. Mas é normal, eles foram para Angola quando eu tinha sete anos, agora tenho doze anos, já não sou nenhuma criança, já tenho outro comportamento.

Como eles estão longe não me vêem a crescer e não percebem muitas vezes porque ando mais com o telemóvel, porque é que tenho “instagram” e outras coisas.

Gostava muito que eles estivessem comigo e que me ajudassem a crescer e a tornar-me uma boa cidadã. Para eles também não deve ser nada fácil não verem os netos a crescer.

Apesar de eles estarem longe, falo muito com eles e conto-lhes o que se passa na minha escola e como vão as minhas notas. Claro que preferia poder falar sobre isto pessoalmente.

Eu e o meu irmão estamos-lhes sempre a perguntar quando é que vêm para cá, eles nunca nos dão uma resposta concreta. Eu acredito que qualquer dia eles vêm.

Queria muito tê-los ao pé de mim, mas a vida é mesmo assim.

Longe ou perto vão ser sempre os meus avós e vão estar sempre prontos a ajudar-me

 

RESPOSTA DO PAI (O FILHO DOS AVÓS)

Obrigado filha por teres escrito tão bem. Lembraste-me de tantas coisas importantes. Lembraste-me de estar mais atento aos teus silêncios. Os silêncios dos pré-adolescentes. Não falando, dizem tanto. Pensam tanto. Sabem tanto. Os pais devem estar alerta!

Os teus avós, como a maioria dos emigrantes, são das pessoas com mais fibra, porque nos ensinam que nunca é tarde. Ensinam-nos a importância de lutar. Dão um exemplo de persistência. Demonstram capacidade para perseguir sonhos. É o que devemos fazer.

Os avós estão “na terra”. Uma “terra” agridoce, mas a “terra”. Persigamos a nossa!

Tu lembras-te pouco da tua vida até aos sete anos, mas acredita que é uma fase muito importante do desenvolvimento. Uma grande base para a vida. E eles estiveram sempre. E bem. Muito bem! Aprendi muito com eles e hoje sou melhor pai por isso.

E temos que ver isso do telemóvel. Como diz a músic: “ Também não exageres…”

Adoro-te. E também sinto a falta deles. É, no fundo, bom sinal. Longe ou perto, vão estar sempre prontos a ajudar. Tens razão. E qualquer dia eles vêm.

Gosto de iniciativas “sem tretas” e com alma. Como a Up to Kids, por exemplo.

A criação do Mundo Brilhante permite-me visitar escolas de todo o país e provocar os diferentes públicos para poderem melhorar. Agitamos. Queremos deixar marcas.

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